quarta-feira, novembro 02, 2005

Dia dos Fiéis Defuntos

O cuidado devido aos mortos

Vale a pena ler todo o texto de S. Agostinho sobre o assunto. Mas deixo aqui alguns fragmentos:

«Caríssimo Paulino, meu irmão no Episcopado: há muito devo-te uma resposta...
Como me dizes, achas que não é coisa vã o sentimento que leva pessoas fiéis e religiosas a tomarem tal cuidados com os seus falecidos. Adiantas, ainda, que não é sem motivo que a Igreja universal mantém o costume de orar pelos mortos. Assim, pode-se concluir que é útil para o homem, após sua morte, ter uma sepultura desse género, providenciada pela piedade [de seus familiares], onde possa contar com a protecção dos santos».
Caro Paulino: consideras que, caso a opinião que diz ser útil sepultar os entes queridos junto à sepulturas de santos seja verdadeira, então existe uma controvérsia com relação às palavras do Apóstolo que diz: "Todos nós certamente nos apresentaremos diante do tribunal de Cristo, para recebermos a retribuição de acordo com aquilo que fizemos durante nossa vida corporal, seja para o bem ou para o mal"1
De fato, a sentença do Apóstolo exorta-nos que é antes da morte que podemos fazer o que seja útil para depois dela e não depois que ela ocorre, quando recolhemos os frutos que praticamos durante a vida.
A questão então é resolvida da seguinte maneira: enquanto vivemos neste corpo mortal, há uma certa forma de viver que permite, após a morte, obter certo alívio através das obras pias feitas em seu sufrágio. Porém, tal ajuda será proporcional ao bem que cada um de nós fizemos durante a vida».

Pode ver aqui todo o texto de S. Agostinho:

2 comentários:

Anónimo disse...

Não conhecia o texto. Ele vem confirmar a doutrina tradicional da igreja sobre a oração pelos mortos.
Cecília

derci disse...

“A vida e a morte, binómio misterioso, realidades que se fundem no desafio da esperança da vida eterna.”.
Li esta frase há pouco. Ela exprime a realidade de nossa existência e seu sentido em Cristo que, por sua morte, nos abriu a esperança da vida eterna.
São Paulo nos ensina que, assim como Cristo triunfou da morte, ressuscitando, glorioso, do sepulcro, também nós, que morremos com Ele no baptismo, ressuscitaremos e viveremos as alegrias celestes.
Sem esta esperança, a morte é uma tremenda realidade que nos domina. Ela está inserida na própria vida e desde o mais profundo de nosso ser. Nascemos já destinados à morte. Cada dia morre-se um pouco, senão de todo, quando ceifados pela violência que ronda por toda a parte.
O salmista (salmo 38), angustiado, clama, embora vislumbrando o infinito: “Fazei-me, ó Deus, conhecer o termo de minha vida, qual a medida dos meus dias para que saiba como sou perecível”.
Leonardo Boff relata-nos a tristeza de Darcy Ribeiro quando instado por palavras de conforto no leito da morte, não conseguia vislumbrar a eternidade que se abriria à sua frente em instantes. Faltava-lhe a esperança que nasce da fé. Era o binómio vida e morte, os ritmos da matéria finita sem o desafio da esperança. As suas obras científico-literárias continuariam. Ele, não mais.
Para os que crêem, há um sentido na vida, apesar de todos os percalços, como cantamos: “Nós cremos na vida eterna e na feliz ressurreição, quando de volta à casa paterna, os filhos com o Pai se encontrarão”
Derci Santos