sexta-feira, outubro 28, 2005

Deus existe?

DO NADA, NADA SE CRIA

Se formos acordados no meio da noite pelo ruído de um abajur derrubado no andar de baixo, qual será o primeiro pensamento que nos virá à cabeça? “Há um ladrão na casa!”, imaginaremos com um sobressalto. A seguir, enquanto prendemos a respiração e aguçamos os ouvidos para descobrir se os ruídos se repetem, a nossa mente buscará ansiosamente alguma outra explicação: Será que deixamos a janela aberta, e o vento derrubou a lâmpada? Ou terá sido apenas o gato, nas suas andanças noturnas? Ou então uma das crianças que se levantou no meio da noite para ir buscar alguma coisa na cozinha?

Seja como for, por que sentimos essa necessidade de encontrar uma explicação para o abajur derrubado? Por que não nos limitamos a dizer: “Nada derrubou o abajur. Simplesmente aconteceu; isso é tudo”, e nos viramos para o lado e voltamos a dormir? Ora bem, a razão pela qual buscamos a todo o custo uma explicação para o barulho é que somos pessoas inteligentes, temos uma cabeça que raciocina e sabemos muito bem que nada acontece sem uma causa. Isto é tão óbvio que não parece sequer valer a pena mencioná-lo. “O que quer que aconteça tem de ter sido causado por alguma outra coisa”; ou, para dizer o mesmo de uma maneira um pouco mais técnica, “todo o efeito tem de ter uma causa proporcionada”.

Ora, isto é tão evidente como o nariz no meio do nosso rosto. No entanto, existem pretensos filósofos que procuram negá-lo. “Não podemos afirmar que seja assim em todos os casos”, dizem, “porque não conhecemos todas as coisas. A nossa experiência diz-nos que todo o efeito tem uma causa, mas isso não quer dizer nada, muito menos que essa regra não admita exceções. Pode ser que em 999 trilhões, 999 bilhões, 999 milhões, 999 mil e 999 casos, tudo aquilo que acontece seja causado por alguma coisa que aconteceu antes; mas, da quadrilionésima vez, pode ser que algo aconteça sem ter sido causado por alguém ou por alguma coisa anterior. Simplesmente, não dispomos ainda de dados suficientes para comprová-lo”

Parece ridículo, não é verdade? No entanto, o ateu, para poder defender a coerência da sua posição, tem de negar a evidência dos seus próprios sentidos; tem de negar o que se costuma chamar o princípio da causalidade, isto é, que todo o efeito tem uma causa. E tem de negá-lo porque nesse princípio se baseia um dos principais argumentos para provar a existência de
Deus. Há diversas maneiras de formulá-lo, mas basta-nos apenas uma, que desenvolveremos a seguir.

Do nada, nada se cria. Se não tivermos alguma coisa para começar, não chegaremos a produzir nada. Sem farinha, ovos e açúcar, não há bolo. Sem bolota, não há carvalho. Sem pais, não há filhos. Portanto, se não existisse um Ser Eterno (isto é, que nunca começou a existir, porque a existência pertence à sua própria natureza) e Todo-Poderoso (isto é, capaz de produzir algo a partir do nada), simplesmente não existiria mundo algum, não existiriam nem árvores nem animais, não existiríamos nem você nem eu. Porque, se não existisse esse Ser Eterno e Onipotente, quem teria feito com que todas as coisas existissem? O carvalho procede de uma bolota, e essa bolota procedeu de outro carvalho; mas quem fez a primeira semente ou o primeiro carvalho? A criança nasce de uns pais, que por sua vez nasceram dos seus próprios pais; mas quem fez o primeiro homem e a primeira mulher? E se o evolucionista nos objetar que tudo começou com uma massa informe de átomos, poderemos perguntar-lhe por nossa vez: “Está bem; mas quem fez essa primeira massa informe de átomos?” Não, é necessário que tudo tenha começado a partir de Alguém que, desde toda a eternidade, tenha existido independentemente de qualquer outra coisa. E esse Alguém é precisamente Aquele a quem chamamos Deus.

Por Leo J. Trese

9 comentários:

Anónimo disse...

Sem relojoeiro não existia relógio.
E sem galinha não há ovo...

Anónimo disse...

Mas já alguém viu Deus?!
A força impulsionadora não estará na própria matéria?
Ateu anónimo

alun disse...

Já agora ... Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?

Agora a falar a sério. Será que Deus se revela da mesma forma a todas as pessoas ou será que Deus, simplesmente, prescinde de revelar-se a algumas delas? E se assim for, por que será? É que só assim compreendo a existência dos ateus, já que, para mim, a presença de Deus é mais do que óbvia. Ou será que Deus, num outro plano do Universo, não será o somatório de todos nós? Ou será o Universo todo em si? Não importa, a mim basta-me saber que há algo de superior a olhar por nós, que não estamos sós, que por mais sofrimento que haja neste mundo, houve quem deixasse palavras de esperança. E foram essas palavras de esperança, tantas vezes apoiadas por verdadeiros milagres da fé que nos dão força para seguirmos em frente, mesmo nos momentos mais difíceis da vida.

Ver para crer disse...

Não sou teólogo, mas leio na Bíblia (Tessal. 4,3) que a vontade de Deus é que todos sejam santos e por isso salvos. Daí que Deus se revela, concerteza, a todas as pessoas.
A culpa, penso, deve estar do lado da pessoa humana.

MC disse...

Ver para crer
eu não formularia as coisas assim.
Para mim, o facto de uns terem fé e outros aparentemente não é um mistério.
De facto acredito, que Deus quer que todos se salvem. E quem nos garante, que um ateu, no "face a face" com o mistério de Deus, não o acolhe, não o aceita?
E eu, que desde que me conheço, vou professando a minha fé, já conheço o "todo" de Deus. Tenho a certeza de que não. Tenho cá um "palpite" que não estou assim tão distante do ateu, como às vezes gostamos de pensar.
No meu blog, também ando a por uns textos sobre este tema. Se quiser conferir, depois podemos dialogar.

Ver para crer disse...

MC: Esta é uma perspectiva com que estou de acordo. Mas também estou de acordo que sendo Deus Amor, Ele, Deus, é omnipotente. Será que uma coisa exclui a outra?
Ao dizer que Deus é omnipotente não posso esquecer que Ele é Amor; ao dizer que Ele é Amor, não esqueço que Ele é Amor omnipotente.
Filosofias que nos podem ajudar a reflectir.

Marlene Maravilha disse...

Deus existe! e é a causa de não sermos consumidos.
Obrigada por visitares o meu blog!
Vi teu comentário e devo dizer-te que muitas frases são minhas e outras são dos meus ouvidos estarem atentos ao que outros falam pela vida afora. Registro o que gosto e acho interessante. Não te preocupes, a hora que tiver uma frase que tenha um autor determinado, colocarei sem sombra de dúvida seu nome.
Apareças sempre na minha página, será um prazer. São palavras simples, mas de uma pessoa que tenta viver ao máximo debaixo da potente mão de Deus.
Um abraço

Anónimo disse...

e deus veio do NADA queres lá ver?
Ainda por cima em «máxima complexidade sm passar pelo padrão universal do mínimo para o máximo com o tempo que cada informação necessita». era como se uma mulher desse á luz um homem de 30 anos já pronto a saber quase tudo o que é necessário para a sociedade.

Deus é o PAI NATAL DOS ADULTOS e é BOM NEGÓCIO para as religiões.

O Auto do futuro livro «O UNIVERSO NÃO TEVE UM CRIADOR».

Obrigado

ver para crer disse...

Obrigado a todos os que comentaram e ainda hão-de continuar a fazer o mesmo.
Que o texto referido nos leve a reflectir.
Boa continuação.