sexta-feira, novembro 21, 2008

A linguagem de Deus


O João Lucas, que conheci há anos mas que não sabia onde parava, mandou-me o livro de Francis Collins, “A linguagem de Deus”. Francis S. Collins não é um escritor ou cientista qualquer. É um dos biólogos mais destacados dos Estados Unidos e o que chefiou a equipa que decifrou o mapa do Genoma Humano em 2001.
Desde então tem sido o cientista que mais rastreou genes com vista ao tratamento de doenças em todo o mundo.
Collins é conhecido também por pertencer a um grupo de notáveis cientistas cujo compromisso com a investigação do mundo natural não impede a profissão da fé religiosa.
Nas 300 páginas da obra o biólogo conta como deixou de ser ateu para se tornar cristão aos 27 anos e afirma que as pessoas precisam tanto da ciência como da religião. Elas não são incompatíveis, mas complementares, explica o cientista.
Houve um período em minha vida em que era conveniente não acreditar em Deus. Eu era jovem, e a física, a química, a matemática, pareciam ter todas as respostas para os mistérios da vida. Reduzir tudo a equações era uma forma de exercer total controle sobre meu mundo. Percebi que a ciência não substitui a religião quando ingressei na escola de medicina. Vi pessoas sofrendo de males terríveis. Uma delas depois de me contar sobre sua fé e como conseguia forças para superar a doença, perguntou-me em que eu acreditava. Disse-lhe que não acreditava em nada. Pareceu-me uma resposta vaga, uma frase feita de um cientista, ingénuo, que se achava capaz de tirar conclusões sobre um assunto tão profundo e negar a evidência de que existe algo maior do que equações. Eu tinha 27 anos. Não passava de um rapaz insolente. Estava negando a possibilidade de haver algo capaz de explicar questões para as quais nunca encontramos respostas, mas que movem o mundo e fazem as pessoas superar desafios.

A alguém que lhe perguntou se é possível acreditar nas teorias evolucionistas de Darwin e em Deus ao mesmo tempo, ele respondeu:
– Com certeza. Se no começo dos tempos Deus escolheu usar o mecanismo da evolução para criar a diversidade de vida que existe no planeta para produzir criaturas que à sua imagem tenham livre arbítrio, alma e capacidade de discernir entre o bem e o mal, quem somos nós para dizer que ele não deveria ter criado o mundo dessa forma.
E declarou a sua opinião sobre se os biólogos estão brincando como se fossem eles Deus?
– O importante é não reagir de forma exagerada à perspectiva de que as pessoas possam vir a fazer mau uso das descobertas da genética mas sim focar o bom lado dessa brincadeira. A maior parte das pesquisas genéticas buscam a cura de doenças como o cancro, problemas cardíacos, esquizofrenia. São objectivos louváveis. Para evitar o uso impróprio da ciência, o Projecto Genoma Humano, apoia um programa que visa preservar a ética nas pesquisas genéticas e certificar-se de que todas as nossas descobertas beneficiarão as pessoas e a sociedade.

8 comentários:

Joaquim Costa disse...

Albert Einstein disse algo parecido:
"A ciência sem religião é coxa. A religião sem ciência é cega".

Ecclesiae Dei disse...

muito interessante! Já havia ouvido falar dele. Ótimo post!

Anónimo disse...

Interessante!

Marlene Maravilha disse...

Gostei imensamente!! Deus usa mesmo as coisas loucas do mundo para confundir as sábias, e o trabalho da salvacao vai sendo feito!
abracos

Maria João disse...

Aqui está uma boa sugestão para se acabar com a ideia de que ciência e religião estão em pólos completamente afastados...

beijos em Cristo e Maria

BOLETIMEMBLOG disse...

Caríssimo P.e Ventura,
Vais continuando a "semear". Força porque é muito importante este trabalho. Se me permites eu vou também publicar o teu artigo no meu blog. Parabens. P.e Martins

cainanan disse...

Muito bom, também o papa João Paulo II dizia isso em sua carta "Fides et Ratio"... Parabéns pelo post!
Cainan

osátiro disse...

Com a devida permissão, vou utilizar este livro e post nos debates muito frequentes na net sobre a ICAR "retrógrada"!!!


Entretanto, não esqqueçamos os mais de 500 Cristãos indianos assassinados, 15 mil feridos e 50 mil desalojados.
Porquê a Igreja em Portugal (incluindo a R.R.) não se refere a estes crimes, visto que a comunicação social é o sectarismo que sabemos?