segunda-feira, outubro 22, 2007

Novos pobres


«Os números são alarmantes. Um terço da população activa (entre os 16 e os 64 anos) seria pobre se dependesse apenas dos rendimentos do trabalho, de capital e de transferências privadas. Um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês. E 32% da população activa entre os 16 e os 34 anos seria pobre se dependesse só do seu trabalho» – noticiava há dias o "Diário Económico" .

De acordo com as estatísticas publicadas no dia 15 pelo INE, sem as pensões de reforma e as transferências sociais do Estado, mais de quatro milhões de portugueses (quase metade dos portugueses) estariam numa situação de pobreza. As pessoas estão cada vez mais dependentes dos subsídios do Estado. É certo que muitos já descontaram do que receberam mas muitos outros estão em total dependência para subsistir. E o Estado cada vez distribui pior. Por isso tem aumentado o fosso entre ricos e pobres.

«A situação é alarmante», garante Fernando Nobre, presidente da AMI (Assistência Médica Internacional). «No último ano, os cem portugueses mais ricos viram a sua fortuna aumentar cerca de um terço [33%], quando a média da população portuguesa só conseguiu aumentar o seu rendimento em cerca de 2% ou 2,5%", conta o médico fundador da associação.O próprio governo (e não só este) vai aumentando os salários dos que mais recebem e diminuindo os salários mais baixos. Tudo ao contrário do que se esperaria dum governo com sensibilidade social.

Assim o rendimento dos dois milhões de portugueses mais ricos do país é quase sete vezes maior do que o rendimento dos dois milhões de pessoas mais pobres.As pessoas que estão mais perto do limiar da pobreza em Portugal são os idosos que vivem sozinhos e as famílias constituídas por dois adultos com três ou mais filhos. Em contraponto, os portugueses mais ricos do país correspondem, em regra, a famílias com apenas um filho ou a um casal sem crianças dependentes.Depois há os desempregados que são os novos pobres. E o governo vai só olhando para o déficit!

11 comentários:

PDivulg disse...

O governo anda mais preocupado com cimeiras e a projecção pessoal na Europa do que do povo...

Maria João disse...

E os novos povos têm muitas vezes emprego. Só que o dinheiro vai quase todo nas rendas da casa. E estou a falar de casas humildes...

antonio disse...

Temos agora uma miséria social que atinge também os que trabalham... trata-se de um rpoblema de dignidade humana à qual a nossa classe política está indiferente.

Contra a corrente disse...

Muita gente pobre neste país. Uns porque não sabem gerir os seu dinheiro, outros porque recebem menos do que precisam. E estes cada vez são em maior número.
Sei que tens razão. Não há como ver para crer.

Patricia Lara disse...

Olá,saudações do Brasil...Espero que não tenha feito careta!
Pesquisando sobre Deus no Googlee cheguei ao teu Blog.Você têm estilo(critico)gostei.
Pois é "portuga",aqui no Brasil a coisa anda feia também,o governo só fica olhando o deficit e ignora os pobres.Só que aqui temos outro problemão a corrupção desavergonhada e esconcarada,que nós deixa a margem da civilização.
Até qualquer dia.
Patricia Lara Brasil

Ver para crer disse...

Cara Patrícia Lara:
Está descansada, não fiz careta. Fiquei até contente com teu comentário. Ainda por cima, portugueses e brasileiros são irmãos de raça e língua.
Talvez por isso mesmo os nossos problemas de boa distribuição e partilha de bens são comuns. Uns podres de ricos, outros a morrer à fome.
Vamos denunciando que a missão de profeta também é essa. E se podermos partilhar melhor.

joaquim disse...

Já lá dizia ou outro:
"Somos todos iguais, mas há uns que são mais iguais que os outros".

Tanta conversa, tanta promessa, e afinal tudo na mesma...

Mas temos autoestradas, e novos aeroportos, e submarinos? (ou já desistiram deles), e clubes de futebol que pagam por mês a uns aquilo que familias não ganham em anos de trabalho, e por aí fora...

Aqui é que devia ter lugar o tal "direito à indignação"...

Abraço amigo em Cristo

Ver para crer disse...

Amigos:
Ao referir-me à Patrícia, não deixei de vos lembrar. Vocês são amigos de longa data e por isso vos não mencionei.
Mas também vos agradeço os comentários que ides deixando neste meu blog.
Um abraço a todos!

Pe. Vítor Magalhães disse...

De facto, há que falar e alertar novamente para uma moral social,...

Anónimo disse...

Há pouco tempo fui "atacada" pelos comentadores de um outro blog por dizer que neste momento não tenho nenhum sentimento patriótico. Mantenho essa afirmação e continuarei a dizer, sempre e em todo o lado, que este Governo simplesmente...enoja-me.
Filó

Anónimo disse...

Outro que venha e não há-de ser muito diferente. Infelizmente os nossos políticos não prestam.