terça-feira, janeiro 10, 2006

Testemunhos

O que vale a amizade!

Um grupo de judeus norte-americanos comprou a casa onde nasceu o falecido Papa João Paulo II, sita na cidade Wadowicc – Cracóvia – Polónia. Na posse de uma família judaica desde há bastantes anos, um grupo de católicos quis adquiri-la para museu que perpetuasse a memória do Papa polaco mas o dinheiro pedido pelo dono tornou a compra inviável.
Sabendo da história, aquele grupo judaico decidiu comprá-la e oferecê-la para o fim em vista.
Este gesto revela a gratidão dos judeus por tudo o que o saudoso Papa João Paulo II fez durante a sua vida por aquele povo mártir do nazismo.
A comunidade judaica já por diversas vezes tinha manifestado a sua admiração – e até gratidão – por este Papa. É que ele cresceu, brincou e jogou futebol com os judeus, morou a 20 quilómetros do campo de concentração de Auchswitz, onde morreram inúmeras pessoas daquela raça.
João Paulo viu seus amigos desaparecerem da sua cidade. Viu dia-a-dia a sua sala de aulas ficar mais vazia. Viu seus vizinhos abandonarem as suas casas e não retornarem mais. Em criança testemunhou a tragédia, que mais tarde classificou como o maior pecado da humanidade.
Quando menino, na sua cidade natal, Wadowice, Polónia, conviveu com famílias judias.
Mais tarde, durante as perseguições, o jovem Karol dedicou-se a falsificar documentos para livrar judeus dos nazistas. E, já padre em Cracóvia, opôs-se ao baptismo de um menino judeu que tinha sido entregue aos cuidados duma família cristã e mandou que fosse educado na tradição e na fé de seus pais.
Elias Toaff (na foto) compartilhou com o Papa um momento histórico: a visita à grande sinagoga de Roma, em 1986, a primeira de um Pontífice a um templo judaico. Elias Toaff, ex-rabino de Roma, não escondeu a emoção quando soube que foi uma das três pessoas citadas no testamento do Papa João Paulo II. Numa entrevista à agência italiana de notícias Ainkronos, Toaff, que já fez 90 anos, disse: “Estou comovido, muito comovido com esta citação. Nunca esperei ver o meu nome escrito no testamento do Papa. Saber que o Pontífice me agradeceu no testamento impressionou-me muito. Apesar da nossa grande relação e nossa grande amizade, estou extremamente comovido porque foi uma surpresa”.
Por tudo isto se vê o que vale a amizade
!

7 comentários:

Vítor Mácula disse...

Caro Ver para crer.

Gosto muito dessa do menino judeu em Cracóvia. A amizade como mútuo encontro, sem "forçada" anulação da mútua alteridade.

Abraço.

Em contra-corrente disse...

O Papa foi mesmo um grande Homem!
Louvemos a Deus por isso.

entre-aspas disse...

Pena é, que tantos procurem dissimular o sofrimento do povo judeu. Numa época crescentemente anti-semita, importa lembrar as tragédias e atrocidades do passado para que as mesmas não se perpetuem no futuro.

Henrique Santos disse...

Obrigada pela visita. Fiquei gratificado por ter vindo aqui lêr o que já li, mas, podendo ter aqui um refúgio limpo onde se pode alimentar o espírito. Pergunto, posso transcrever alguns textos e colá-los em msgs de comunidades onde participo? Naturalmente citando a proveniência e a autoria.
Mais uma vez obrigada,
Henrique Santos

Pdivulg disse...

Que pena esta união não ser com todas as religiões da terra!

Ver para crer disse...

Caro Henrique:
Obrigado pela visita.
Quanto ao que pede nem precisava de pedir. Eu é que agradeço!

Confessionário disse...

Chiiii, fiquei cidrado...
Realmente há gente que nos coloca a um canto naquilo que toca a ser bom...
Nem me interessa o reconhecimento deles, facto inerente ao que contas. Interessa-me sobretudo a atitude altruista de quem menos se espera... o Bom samaritano!