quarta-feira, junho 04, 2008

Devo muito à Igreja...



Convidada para ajudar num grupo pastoral da paróquia, apenas me disse: "Com todo o gosto. Devo muito à Igreja!"
Não lhe perguntei o quê, mas acredito que o mesmo poderiam e deveriam dizer muitíssimas outras pessoas. A igreja é decerto muito criticada, e às vezes não sem razão, – é composta por homens e mulheres imperfeitos – mas que seria o mundo sem ela?! Criticar é fácil, mas que outra instituição se pode comparar a ela no bem que tem feito.
Corria acesa a campanha eleitoral na Bélgica. Um deputado comunista dirigia a palavra a milhares de operários, em Bruxelas. Depois de ter apregoado a liberdade, criticado o capital, defendido as nacionalizações, elogiado os trabalhadores, exaltado o povo, atacou duma maneira agreste e desenfreada a Igreja Católica.
Acabado o discurso, perguntou se alguém desejava tomar a palavra. Adiantou-se um operário que disse assim:
– Eu não estudei, e não sei responder ao que disse o orador. Conto apenas um caso:
Há meses adoeceram os meus dois filhos. Uma freira vinha com frequência visitá-los, trazendo-lhes sempre alguma ajuda. As crianças curaram-se. Como a doença era contagiosa, a minha mulher caiu de cama, logo a seguir, com o mesmo mal. A Irmã levou as duas crianças porque ninguém em casa podia tratar delas. Tomou também sobre si o cuidado da minha mulher, que finalmente começou a levantar-se. Então caí doente também eu, mas a Irmã vinha sempre visitar-nos, trazia remédios, ajudava a minha mulher na vida da casa e tratava-me com muito jeito e caridade. Por último a Irmã contraiu o mesmo mal e não a tornámos mais a ver. Soube hoje que morreu. Não tenho mais a dizer (Mensageiro do Coração de Jesus, de Itália, 1951, pág. 390).
Facilmente se imagina o ambiente que aquele testemunho causou nos ouvintes. O político teve de enfiar a viola no saco e ir pregar para outra terra.

28 comentários:

Anónimo disse...

Tinha que haver uma crítica aos comunistas...
Mas se não fossem eles os ricos comiam os pobres.

Joaquim Costa disse...

Boa lição a desta pessoa e a daquele homem:é na caridade e serviço aos outros que se conhece o coração das pessoas.
O comunismo condenou à morte uns 25milhões de pessoas. Mas grande parte dos comunistas são boas pessoas, capazes de se sacrificar pelos outros.

Marlene Maravilha disse...

Muito interessante e belissima licao.
abracos

Maria João disse...

É a mania de se ver só o lado negativo...




beijos em Cristo e Maria

osátiro disse...

Continuemos a rezar pelos quatro Cristãos Argelinos condenados por abandonar o Islamismo:
http://www.oecumene.radiovaticana.org/BRA/Articolo.asp?c=209570

osátiro disse...

Para o anónimo "defensor" dos comunistas, aqui deixo as selvajarias que eles cometeram-e cometem, como na Coreia do Norte-no séc XX:
-"Os Ditadores" de Richard Overy

-"MAO A História Desconhecida" de Jung Chang Bertrand Editora

-"Estaline A Corte do Czar Vermelho" de Simon Montefiore Edição "Alethea"

-"CHE A vida em Vermelho" de Jorge Castañeda Edição de "Companhia das Letras"

-"Cuba Nostra Les Sécrets d´État de Fidel Castro" de Alain Ammar Edição "Plon" com revelações bombásticas de 2 ex agentes da polícia política cubana, por ex., foi Fidel quem mandou matar Allende e não Pinochet, como berram há trinta anos os "anti-fascistas"!!!

Anónimo disse...

Deixo aqui o meu testemunho.
Tenho sido muito ajudada pela Igreja. Não dsó pela força que me dá a fé mas também pela ajuda que me deu aquando do falecimento do meu querido filho. Se não fosse a coragem que me deu conversar com pessoas de fé, decerto não estava hoje viva.
Mais: convidou-me a ajudar outras pessoas que passaram pelo mesmo. E isto faz-me ver que sou útil e que não foi em vão que Deus me levou o Carlitos.
Obrigada pois à Igreja minha mãe.
Zélia Maria

CJT disse...

@sátiro
Homem! Você deveria chamar-se satírico! Aliás, sátiro não é um nome lá muito conveniente para um cristão, não acha? ;-)

Estive a ver o seu perfil e aparentemente trabalha na "indústria" do Direito/Lei. Bom, devo confessar que, assim sendo, deveria ter escolhido melhores livros - ou livros melhores que o "24 Horas".

Os regimes comunista de Estaline, em conjunto com o de Mao e de quejandos, foram responsáveis por milhões de mortos. É um facto histórico.
Mas, se fala de factos históricos, deve falar de todos... inclusivamente, deve procurar paralelismos entre estes e regimes fortemente apoiantes da ICAR e de outras profissões religiosas.

Curiosamente, não falou do regime chinês, que está na mesma. Será porque acredita no tal socialismo aberto ao capitalismo e nos seus dividendos, ou porque vai apoiar os atletas portugueses?

CJT disse...

@joaquim costa
Grande parte dos comunistas são muito boas pessoas e capazes de se sacrificar pelos outros... sim, é bem capaz de ser verdade. Não são raros os casos de autêntico sacrifício de bens, família, da própria vida que o ilustram.
Mas... quando chega a hora da verdade, ficam cegos pelo "sistema", muito à maneira dos religiosos.

Será que o comunismo é um tipo de religião?
Repare: acreditam numa coisa que não está lá e defendem-na com unha e dentes, nem que seja necessário matar ou morrer. E, quando chegados ao poder, anulam todos os que os tenham combatido...

Abraço,
CJT

CJT disse...

@Ver Para Crer
Esta história faz-me lembrar de um amigo, ATEU, que morreu em África com dois tiros a trabalhar... numa missão.
Era médico e fazia REALMENTE algo pelos outros.

O resto, meu caro, é letra morta.

Um artigo de 1951, da "Torre de Vigia" da ICAR?
Agora digo eu: "Por amor de Deus!"

Falem do presente e da realidade!

Abraço,
CJT

Ver para crer disse...

Caro CJT:

O facto que citei remonta a 1951, é verdade. Mas continua a ser ilustrativo do que tanta gente faz pelo póximo em nome da sua Fé.
Há tempos citava aqui mesmo um artigo do sociólogo António Barreto em que ele escrevia que os que se dedicam a ajudar os outros nas diversas ONGs são quase todos movidos pela sua religião.
O Bispo emérito de Angola, Francisco da Mata Mourisca, que aguentou todo aquele embate da guerra civil daquele país, escreveu há tempos:
«A religião não é precisa para se ser bom? Acredito. Contudo, recordo que passei trinta e cinco anos numa região em guerra. A quem é que eu vi sacrificar-se mais, até arriscar a própria vida, para socorrer as vítimas? Os não-crentes ou os crentes? Nem há comparação possível. Até correu o boato de que em certas zonas só circulavam três classes de pessoas, cujo nome se escrevia com M: Militares, Missionários e Malucos!"
"Se para fazer o bem não é preciso acreditar em Deus, não acreditar n’Ele é o caminho mais fácil para fazer o mal. Vivi quinze anos num regime que professava o ateísmo. Um dos seus dirigentes chegou a lamentar-se de que na cadeia não havia Padres nem Freiras, mas havia membros do seu Partido que se confessavam ateus."

De palavras de solidariedade está o mundo cheio. De obras está muito carecido. Por isso continuo a apontar o exemplo citado por aquela revista católica como paradigmático para o que deve mover crentes e não crentes.

CJT disse...

Mas, lá está...
Não se consegue deixar de notar o proselitismo da coisa.
Os factos podem ser - têm toda a probabilidade de o serem - exactos. As pessoas com forte religiosidade são movidas para o auxílio e para o altruísmo.
Mas a minha pergunta acerca de tudo isso é: qual a percentagem do universo religioso que faz algo? E qual a percentagem do universo não religioso que o faz também?
E, por último, qual a diferença entre uns e outros?

A mim o que me confunde na religiosidade é a capacidade de ignorar os feitos dos outros, senão de os reprovar, recorrendo sempre - tal como os comunistas, tão famigerados por estas bandas - à "cassete" de outros, a coisas escritas e das quais nunca se sabe exactamente as fontes, as datas, os personagens, de uma forma clara e objectiva.

Quanto a mim, que tenho já tido boas discussões em torno da problemática religiosa e das suas práticas, devo esclarecer o seguinte: não creio na existência de divindades de espécie alguma, nem na "arquitectura uinversal". A única coisa em que acredito é no Homem e nos animais, na natureza enquanto sistema auto-regulado.
É por isso que, para mim, todos os homens são iguais, independentemente da sua cor, religião, política, tendência sexual, etc. E é por isso que, para mim, é igual o míster de um missionário ou de um ateu no mesmo local. São absolutamente iguais.
Se existem diferenças entre eles, estas são apenas quanto à motivação que os rege. E pergunto: qual dos dois está realmente interessado nos outros?
Não será que um religioso o faz, digamos, com algum interesse próprio?
É claro que o ateu ou não-religioso poderá ter interesses também, desde auto-satisfação a promoção entre pares, de tudo existe. Mas, em frequência, que se passará?

Caro (?) P.M. Ventura (será o mesmo do fórum do SAPO com quem tive tão calorosas - e interessantes - discussões?), cabe-me esclarecer ainda uma coisa, que creio importante deixar clara de uma vez por todas:
Eu não tenho nada contra a religião em si. Tenho, isso sim, contra a manipulação desta por pessoas e para afectar pessoas.
Digo-lhe que considero a tradição judaico-cristã, juntamente com o ideal da Revolução Francesa (Thoureau, por exemplo), a grande fundação da Democracia Ocidental. Só não compreendo porque não souberam aproveitar e oferecer aos outros aquilo que poderiam ter feito melhor...

Abraço,
CJT

[off topic] este blogue não parece ter aviso de comentários por e-mail. Seria bom que tivesse, sempre ia captando a atenção de quem cá veio e deixou respostas...

CJT disse...

Ora... afinal tem o aviso. Sorry. _
:-)

Ver para crer disse...

Caro Amigo CJT:
Respeito completamente a sua posição acerca da fé ou não na existência de Deus.
O que não obsta a que ache que a fé cristã foi e é um valor muito grande para a fraternização dos homens.
Um Francisco de Assis ou uma Teresa de Calcutá - para não multiplicar os exemplos - foram o que foram devido à sua Fé religiosa. E assim ajudaram outros a seguir os seus exemplos.
"Fé sem as obras que lhe corresponde é morta" - escreve S. Tiago. E acrescenta: "O diabo também tem fé e está no inferno"

CJT disse...

O diabo também tem fé e está no inferno
Está muito boa... não conhecia...
A propósito, nada como dizer isso ao próprio, no "blogue do Demo": http://ldsatan.blogspot.com/ Agora não me chamem satânico!... :-)

Mas ao que interessa: Sim, é verdade que vejo na fé cristã algo fundamental para a constituição de uma cultura política democrática. Mas vejo com olhos de ver.
Isto é, vejo-a na sua essência, depurada de adornos católicos, protestantes e outros. Vejo-a como no tempo em que desenhavam peixes.

Quanto aos ícones de que me fala, a minha preferência vai para Francisco, claramente, pela pureza - ou pela ideia de pureza - e despojamento. Claro que também teve que apanhar com as hierarquias da ICAR, como qualquer tipo avançado para a época.
Quanto à Madre Teresa... no me gusta. Não gosto de pessoas que apregoam o sofrimento e que dizem que se eles vão, é porque Deus quer. É desumano.

Os ídolos católicos de que mais gosto são mesmo Francisco de Assis [pelos motivos acima], Santo António [pelo fabuloso sermão aos peixes de cujas circunstâncias tantas vezes me lembro] e, por outro lado e outras andanças, António Vieira e Santo Agostinho, cada qual no seu género. Mas... li Dume, sabe?

Mas desvio-me, peço desculpa.
A missão é uma actividade das mais dignas que pode haver. Não creio existir maior altruísmo do que o dos missionários.
Considero, uma vez mais, que os missionários podem ser religiosos, laicos, ateus, whatever, desde que auxiliem desinteressadamente, sem objectivos de promoção ou redenção, pelo amor incondicional ao próximo. A mim tanto se me dá que seja uma senhora de bata branca ou vestida de pinguim que dêem água a uma criança com fome e desinteria.
O que não posso admitir é que, em tantos casos - ok, confesso que já foram mais... - essa atitudes sejam acomoanhadas de uma evangelização.
É que aquele gente, se ainda tem alento para pensar em deuses, pensa nos deles.

CJT disse...

[off topic] Ia enviar-lhe um e-mail, mas o Gmail diz que o seu endereço não é reconhecido...
O e-mail contém algumas opiniões acerca do blogue, sob o ponto de vista estritamente comunicacional.
Se estiver interessado, por favor diga-me para onde enviar essas opiniões.
O meu e-mail de serviço é o fractura.net@gmail.com

Abraço,
CJT

Possato Jr. disse...

Pois é...

Quando uma Irmã faz algo de bom, é a Igreja que o faz!

Quando padres (note o plural) dos EUA são acusados de pedofilia, Bento XVI vai àquele país e diz que a Igreja nada tem a ver com aqueles pecados particulares!

Se faço o bem, é a Igreja que o faz! Se faço o mal, sou eu que o faço?

Da mesma forma, a crítica ao comunismo! Lembramos suas atrocidades, mas esquecemos a "Santa" Inquisição e as Cruzadas! Esquecemos, também, o que aconteceu com os índios americanos, sob a bênção dos jesuítas!

Eu não faço as coisas porque sou grato à Igreja, mas por gratuidade, obedecendo ao Cristo que diz: "de graça receberam, de graça dêem!"

E não procuro atacar os outros! Quando São Francisco lutou para tornar oficial seu modo de vida, dizia: "Não digo que a Igreja está errada; digo apenas que eu quero viver o Evangelho alla lettera!"

Não é porque vivo desse modo que os outros estão errados!

Paz & Bem!!!

Zé Luiz.

Kephas disse...

E por que o meu amigo Zé Luís não segue o exemplo de S. Francisco de Assis?

Contraacorrente disse...

Amigo Possato Jr:
Ainda bem que o mal é atribuido às pessoas que o fazem e o bem à Igreja.
"Se faço o bem, é a Igreja que o faz! Se faço o mal, sou eu que o faço?" - escreves.
A igreja é composta de homens fracos e pecadores mas tem como cabeça Cristo que é o Filho de Deus - o Santo por excelência. O bem liga-nos à Cabeça, o mal ao homem pecador.
"Sem Mim nada podeis fazer" - disse Jesus. Essas palavras vêm na sequência da parábola da videira, que para dar frutos o ramo tem que estar unido à cepa, que é Cristo. As boas obras são consequência dessa união. As más devem-se apenas a nós.

CJT disse...

@contracorrente:

Você deve ser mais um com o complexo de Jesus Cristo... dá-lhe com tentativas de metáforas baseadas nos evangelhos porque dessa cabecinha não sai nada e, no final, só deixa envergonhados os que professam da religião que tão mal defende e tão bem ridiculariza.
Com muitos como você, não são necessários ateus...

O que o possato diz, tem muito a ser discutido e a ser levado em conta. Não fosse isso, e o Papa não teria subido ao púlpito para falar desses assuntos e pedir desculpas pelas atrocidades cometidas por uns, por outros e por outros ainda que não estão aqui, mas que fizeram pactos com os Nazis na segunda grande guerra.

E você tem lata de falar em cabeças e coisas assim?

O Nazismo, o Comunismo, o Maoismo, e, já agora, o Pinochet, o Chavez, o Fidel, o Bush, o Bin Laden, O Kim Soon Ill, o Pol Pot, e por aí fora, NENHUM DELES TEVE CULPA? Afinal, eram só a cabeça...

De cabeça precisa você! Ora!...

Kephas disse...

Caro cjt:

Por favor, não insulte a contraacorrente. Ela efectuou uma defesa correcta e certa da religião. Você é que não compreendeu, porque é ateu e provavelmente não tem formação em teologia.

Se você quiser investigar, poderá procurar o significado de "graça".

Resumindo um tema complexo em poucas palavras, o Homem não é capaz de fazer o Bem, porque tem uma inclinação para o Mal. Como tal, quando um Homem procede Mal, a culpa é inteiramente dele.

Todavia, Deus encarnou em Cristo, redimindo a nossa Natureza Humana. A partir deste ponto, é dada ao Homem a capacidade de proceder Bem. Ou seja, o Bem não deriva do mérito do Homem (a não ser a aceitação da Graça mediante o livre arbítrio), mas de Cristo (que é a Cabeça da Igreja, o seu fundador, a sua fonte vivificadora se quiser).

Como tal, quando um Homem procede Bem, o mérito é da Igreja. Não no sentido de o mérito ir para a hierarquia, mas porque a Igreja é a comunidade daqueles que receberam a Graça de Cristo. Ou seja, sem pertencer à Igreja (enquanto comunidade/Corpo de Cristo), o Homem não teria podido proceder Bem. O Bem foi mérito da Igreja.

Você pode não concordar ou pode achar absurdo. É livre de o fazer e eu respeito isso. Mas agora, respeite os outros também, por favor. A resposta da contraacorrente foi dirigida a um crente e não a um ateu, no pressuposto de que o crente já tivesse os instrumentos mentais para perceber o conteúdo do comment.

A mim espanta-me que você se tenha saído com essa, porque eu pensava que você tinha lido S. Agostinho...

Acho que as pessoas gritam mais do que falam hoje em dia. É triste...

Maria João disse...

Vem ajudar o Darfur!!!

beijos em Cristo e Maria

Ver para crer disse...

Dizes bem, Maria João. Vamos ajudar estes irmãos que sofrem. O resto é conversa.

Anónimo disse...

Palavras, palavras, palavras!...
Que vale isso?!

Anónimo disse...

Palavras, palavras, palavras!...
Que vale isso?!

Marta disse...

CJT e companhia:
Deixo aqui o artigo de António Barretoque comprova que quem faz o bem aos outros são quase sempre e só os que têm religião.
Os ateus falam, falam. Mas pouco ou nada fazem pelos que sfrem.

«Por razões de ordem pessoal, tive recentemente de me ocupar de questões ligadas à assistência aos desfavorecidos e à protecção de populações em risco.»
«O contacto humano com acamados idosos ou doentes terminais exige resiliência moral. Trazer, durante a noite, alimentos e uma palavra aos toxicodependentes e aos sem-abrigo, frequentando os locais mais esquálidos e infectos das cidades, implica um difícil despojamento dos códigos de comportamento estabelecidos. Levar água, pão e medicamentos a crianças doentes e esfomeadas nas áreas miseráveis onde se desenrolam guerras civis de enorme crueldade pede sacrifício e capacidade para correr riscos de vida. Visitar, todas as semanas, por vezes todos os dias, presos ou doentes, sempre em ambientes de dor ou de degradação física e moral, não é um gesto ao alcance de todos. Esta assistência, voluntária, sem remuneração, recompensa ou visibilidade, é uma das reservas de decência na nossa sociedade muito mais interessada na mercadoria ou na exibição.»
«Ao estudar estas actividades, dei-me conta de que a maior parte das organizações e dos voluntários tem uma qualquer inspiração religiosa. São grupos e entidades ligados às Igrejas (em Portugal, sobretudo a católica), às ordens, às comunidades religiosas, às paróquias e a outras instituições.»
«Uma esmola dada a um pobre é mais um dia de atraso na revolução", terá dito Lenine ou um dos seus amigos. A esquerda (na qual incluo todas as espécies ditas racionalistas, republicanas, laicas, socialistas ou comunistas) viveu sempre em combate contra a caridade. A seu favor, fica o papel crucial que desempenhou no reconhecimento dos direitos sociais e da igualdade entre todos os cidadãos. Assim como o seu contributo para a criação do Estado-providência. Mas, a seu desfavor, fica a desumanização da assistência aos desprotegidos. O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.»
«Pode a sociedade civil distinguir-se pelas liberdades e pela igualdade. Mas falhou radicalmente na fraternidade.»

CJT disse...

@Kephas
O meu objectivo não é insultar, embora compreenda a crueza das minhas palavras... questão de feitio, muito à semelhança do Padre lá da freguesia... :-)
No entanto, se a contracorrente se sente, de alguma forma, ofendida por mim, ficam desde já pedidas as minhas desculpas.

Quanto ao resto: parte do princípio completamente oposto ao do que diz "não há rapazes maus", com o qual discordo, mas que é autoria de um reconhecido clérigo e educador.
O que diz é que existe uma espécie de hiperonímia doutrinária em que Igreja se sobrepõe a Bem e Homem se sobrepõe a Mal, sendo ambos fruto da mesma criação. Não é justo.
Mas claro que tudo estava previsto com o livre-arbítrio dado ao Homem... ok.
Se isto faz sentido, é porque realmente não tenho a tal "preparação mental"...

O Santo Agostinho... deixe-o ficar de fora do assunto. Li-o e releio-o com prazer, mantendo as distências do credo e, sobretudo, do tempo.

Abraço,
CJT

CJT disse...

@marta

Eu conheço o artigo e, salvo uma ou duas reservas de somenos importância, estou de acordo.
Como disse, as minhas reservas vão mais para o campo teórico, motivações, por exemplo, prendendo-se unicamente com o campo prático no que a políticas concerne.

Abraço,
CJT