terça-feira, janeiro 15, 2008

Obras, não palavras!


Há muitas organizações a trabalhar em favor dos pobres todo o ano e não só no Natal. De modo especial a Igreja Católica tem um pouco por todo o lado organismos e instituições que acodem o melhor que podem aos problemas de pobreza com que se deparam.
A este respeito vale a pena ler um artigo do insuspeito político socialista António Barreto, que recortei do jornal “O Público”, já publicado em Junho passado, do qual deixo aqui algumas passagens que o resumem:

«Por razões de ordem pessoal, tive recentemente de me ocupar de questões ligadas à assistência aos desfavorecidos e à protecção de populações em risco.»
«O contacto humano com acamados idosos ou doentes terminais exige resiliência moral. Trazer, durante a noite, alimentos e uma palavra aos toxicodependentes e aos sem-abrigo, frequentando os locais mais esquálidos e infectos das cidades, implica um difícil despojamento dos códigos de comportamento estabelecidos. Levar água, pão e medicamentos a crianças doentes e esfomeadas nas áreas miseráveis onde se desenrolam guerras civis de enorme crueldade pede sacrifício e capacidade para correr riscos de vida. Visitar, todas as semanas, por vezes todos os dias, presos ou doentes, sempre em ambientes de dor ou de degradação física e moral, não é um gesto ao alcance de todos. Esta assistência, voluntária, sem remuneração, recompensa ou visibilidade, é uma das reservas de decência na nossa sociedade muito mais interessada na mercadoria ou na exibição.»
«Ao estudar estas actividades, dei-me conta de que a maior parte das organizações e dos voluntários tem uma qualquer inspiração religiosa. São grupos e entidades ligados às Igrejas (em Portugal, sobretudo a católica), às ordens, às comunidades religiosas, às paróquias e a outras instituições.»
«Uma esmola dada a um pobre é mais um dia de atraso na revolução", terá dito Lenine ou um dos seus amigos. A esquerda (na qual incluo todas as espécies ditas racionalistas, republicanas, laicas, socialistas ou comunistas) viveu sempre em combate contra a caridade. A seu favor, fica o papel crucial que desempenhou no reconhecimento dos direitos sociais e da igualdade entre todos os cidadãos. Assim como o seu contributo para a criação do Estado-providência. Mas, a seu desfavor, fica a desumanização da assistência aos desprotegidos. O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.»
«Pode a sociedade civil distinguir-se pelas liberdades e pela igualdade. Mas falhou radicalmente na fraternidade.»

7 comentários:

Em contra-corrente disse...

Não me admiro que haja falhas acentuadas no exercício da FRATERNIDADE.
É que para praticá-la é preciso - como dizes - fazer obras e não falar apenas.
Bom ano.

joaquim disse...

E sem fraternidade, não há...humanidade!

Abraço amigo em Cristo

Joaquim Costa disse...

Belo testemunho de quem estudou e conhece a obra de assistência da Igreja, e não só.

Anónimo disse...

Tudo gosta de dizer mal do socialismo. Fruto de um governo que se diz socialista e é social-fascista.

Fa menor disse...

São precisas obras, de facto!
Mas enquanto não surgirem todas as obras necessárias, as palavras são precisas. Um cristão não se deve calar!

Obrigada pela visita.

Fa-

Joaquim Costa disse...

Palavras leva-as o vento... costuma dizerem.
Concordo.
De palavras está o inferno cheio.
"Não é o que diz Senhor que entrará no Reino de Deus mas quem faz a vontade de meu Pai que está nos Céus...

Caros Amigos disse...

Nem tudo são coisas negativas nos jornais. Este artigo merece divulgação.