sábado, março 08, 2008

A brasa solitária



Diz-se – e talvez seja verdade – que a fidelidade é hoje um valor em crise. Somos capazes, sem dúvida, de entusiasmos e de dedicações generosas; menos capazes de as manter inalteradas ao longo do tempo. Somos capazes de ímpetos momentâneos: menos capazes de arriscar a vida para sempre. Assistimos a um desafio de generosidade, em momentos de emergência; vemos menos gente capaz de um sacrifício contínuo, ligado ao ritmo quotidiano da vida, que, muitas vezes, parece banal e monótono.


É pois de enaltecer os que são capazes de ser fiéis aos seus compromissos. E quero aqui referir de um modo especial os jovens que, feito o crisma, continuam fiéis às suas promessas de cristãos. Vejo todas as semanas alguns a participar – talvez uma meia dúzia – cujos pais e mães estão sempre ausentes. E isto servirá de estímulo para os seus catequistas. Vale a pena continuar a semear!

Em 2001 foi feito, em Portugal, o levantamento da participação semanal na Missa. Pouco mais de 20 por cento estava presente nos locais de culto nesse dia do recenseamento. Mas um inquérito por amostragem, na mesma data, revelava que 66 por cento dos portugueses se consideravam praticantes. È certo que há muita gente impedida de participar e as crianças menores de 7 anos foram excluídas na contagem. Há velhinhos, doentes e seus acompanhantes, pessoas que trabalham no Sábado e Domingo, etc., que não podem estar presentes. Mas a diferença entre 20 e 66 por cento é muito grande.

Recordo a propósito uma conhecida história. Um rapaz, a determinada altura, deixou de frequentar a sua igreja. A preguiça e um certo cansaço das cerimónias repetidas serviram-lhe de argumento justificativo. Um dia precisou de ir a casa do pastor da sua congregação. Era inverno e o clérigo estava numa sala com a lareira acesa. Quando o rapaz chegou, o pastor decidiu separar as achas ou cavacas que estavam a fazer uma boa fogueira. Daí a pouco, o lume apagou-se.

- Estás a ver, rapaz! As cavacas são como as pessoas. Se não se juntam, deixam de dar calor. Apagam-se! É como a religião! Sem participação no culto, extingue-se. Assim como a fé e o amor.
O rapaz manteve-se calado. Mas na despedida, saiu-se com esta:
– Domingo, lá estarei no culto. Não quero ser uma brasa solitária, sem fé nem religião!

8 comentários:

Joaquim Costa disse...

Hoje há muitas brasas soltárias. Não estão nem vão a nada. Só pensam em si mesmos.

Em contra-corrente disse...

Bom exemplo é o desses jovens que continuam a participar na Eucaristia, após o crisma. Mesmo quando os pais lhes dão exemplo contrário...

malu disse...

Aqui não se aplica o "poucos mas bons" porque a Boa Nova há que chegar a todos, mas de facto os poucos são mesmo bons. Tanta cavaca ainda por juntar!

Abraço.

Ecclesiae Dei disse...

Vivemos na sociedade do descartável, daí tanta falta de compromisso. Mas ainda podemos contar com esses bons exemplos que continuam. Continuemos também nós a dar bons exemplos.

Joel disse...

Olá...
Realmente é um facto que a diferença entre Baptizados e fiéis é grande, mas como a história da brasa nos diz: uma brasa sozinha não sobrevive, mas várias (a comunidade) conseguem viver,para isso acontecer é necessário um esforço conjunto: da brasa e de quem maneja a tenaz...
Abraços e Beijos

Maria João disse...

Fé individual não leva a lado nenhum. Cristo não nos quer sozinhos...

beijos em Cristo

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