sexta-feira, novembro 16, 2007

Os Bispos e o Papa


A visita dos nossos Bispos portugueses ao Vaticano foi ocasião para reflectir o estado da Igreja Católica em Portugal. Por um lado obrigou os prelados a fazer um relatório da sua Diocese e enviá-lo para Roma, por outro tiveram ocasião de contactar os responsáveis máximos dos Serviços Centrais da Igreja e ouvir os seus conselhos.
A Comunicação Social fez-se eco do mal-estar que se vive em Portugal. Por um lado, quase 90 por cento dos portugueses se dizem católicos, por outro o número dos que praticam realmente a religião que dizem ter vai descendo em muitas regiões do país.
D. Carlos Azevedo – Secretário da Conferência Episcopal – disse isto mesmo antes de partir.
O Papa no encontro que teve com os 37 bispos presentes acentuou: “É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros”. “Só com um novo estilo de organização e com outra mentalidade, Portugal pode ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado”.
Os sacerdotes são cada vez menos e não podem estar a fazer o que compete aos leigos, quereria dizer o Papa.
Esta já era uma preocupação dos nossos bispos, acentuada talvez até um pouco exageradamente por D. Carlos Azevedo: Não é missão do padre: ser gestor de centros sociais; ser administrador dos bens de uma paróquia ou diocese; ser o burocrata de serviço da paróquia. A sua missão específica é: evangelizar; formar cristãos; ser mistagogo, isto é levar as pessoas a abrirem-se ao mistério de Deus e da Salvação.
E acrescentou D. Carlos Azevedo:
"Cada vez mais as tarefas educativas e administrativas devem ser entregues a leigos para que os padres assumam a sua missão específica."
No referido encontro Bento XVI falou claro e deu pistas concretas, dizendo aos bispos que, para evitar o aumento do número de não praticantes, o melhor é rever a catequese de iniciação e a forma como é ministrada. “À vista da maré crescente de cristãos não praticantes nas vossas dioceses, talvez valha a pena verificardes a eficácia dos percursos de iniciação actuais”, disse o Papa, acrescentando que é necessário que, “na vida da Igreja”, os padres se ocupem cada vez mais das coisas de Deus e os leigos das coisas dos homens.

7 comentários:

Anónimo disse...

"Esta já era uma preocupação dos nossos bispos, acentuada talvez até um pouco exageradamente por D. Carlos Azevedo: Não é missão do padre: ser gestor de centros sociais; ser administrador dos bens de uma paróquia ou diocese; ser o burocrata de serviço da paróquia. A sua missão específica é: evangelizar; formar cristãos; ser mistagogo, isto é levar as pessoas a abrirem-se ao mistério de Deus e da Salvação."

"acentuada talvez até um pouco exageradamente por D. Carlos Azevedo.."

EXAGERADAMENTE????

Na minha opinião, não teve nenhum exagero. Parece que finalmente a hierarquia se dicidiu falar claro, para que toda a gente possa entender.
Exagerado será manter a actual situação: uma Igreja clericalista, com a hierarquia a desconfiar dos leigos, e os leigos a teimarem não querer assumir a sua missão na Igreja.
Está visto que assim não vamos lá. Qualquer dia os padres ficam a falar para as paredes e para umas velhinhas surdas.
Há que suster a heresia dos tempos modernos: o abandono.
Há que tornar cada vez mais a Igreja em "casa e escola da comunhão".

Ver para crer disse...

Conheço um padre que costuma dizer:
"Se eu não me meter em tarefas especificamente não sacerdotais, que faço? Onde vou ocupar grande parte das horas livres durante a semana?"
Por isso falo em "exageradamente".
E creio que tenho razão.

antonio disse...

Pois parece-me que o diagnóstico está feito e o caminho encontrado... mas mudar mentalidades é um pouco mais difícil.

PDivulg disse...

Não entendo o porquê dos bispos terem de ir ouvir o PApa repetir aquilo que se disse no concílio vaticano II?!!

joaquim disse...

Caro Amigo

A análise está feita e a receita está alinhavada...
É preciso pôr em prática e para isso é preciso haver uma maior confiança nas capacidades dos leigos, sobretudo daqueles que querem dar, que querem ajudar, e não só nas partes das administrativas, mas em todas as que dizem respeito à Igreja, salvo aquelas logicamente reservadas aos Sacerdotes.
É preciso também da parte dos leigos aceitarem as orientações, conversarem-nas e não quererem fazer o que lhes dá na sua vontade.

Em relação ao que diz o Padre que conheces:
"Se eu não me meter em tarefas especificamente não sacerdotais, que faço? Onde vou ocupar grande parte das horas livres durante a semana?"
Apenas posso dizer que ele se quiser não terá horas livres, porque, e apenas a titulo de exemplo, se se disponibilizar para ouvir aqueles e aquelas que precisam de ser ouvidos, que precisam de orientação, que procuram "videntes" e "seitas" e sei lá mais o quê, porque não têm quem os ouça, as horas livres rapidamente lhe serão necessárias para descansar.

Rezemos por uma primavera na Igreja de Portugal.

Abraço amigo em Cristo

antonio disse...

Neste dia invernoso, acreditemos pois nessa primavera.

JP disse...

O discurso do Santo Padre é muito bom. Pôs o dedo na ferida. O perigo é acharmos que é a hierarquia, os Bispos, os outros padres, os outros leigos, no fundo, os outros que têm que mudar, sem nos darmos conta que, quem tem que mudar primeiro de mentalidade, se calhar, somos nós próprios.
Parabéns pelo post.
Um abraço em comunhão