segunda-feira, setembro 11, 2006

Podemos confiar na Bíblia?




Temos que confiar no que é digno de fé. Assim procedemos normalmente na vida do dia a dia. Sobretudo quando há sérias provas de que quem escreveu o fez com seriedade.
Ora os Apóstolos foram pelo mundo pregar uma série de coisas que diziam que Jesus lhes tinha ensinado. E afirmavam que tinha sido o mesmo Jesus Cristo a enviá-los pelo mundo para lhe fazer discípulos. E todos foram mortos de modo cruel, sem que algum tenha renegado esse mandato do Mestre.


E não se limitaram a pregar o Evangelho oralmente. Alguns puseram por escrito os ensinamentos de Cristo. Outros arranjaram discípulos que o fizessem. A esse conjunto de pequenos livros e cartas deu-se o nome de Novo Testamento.
Desde cedo, estes escritos ou porções deles foram lidos nas Assembleias cristãs, conjuntamente com outros excertos do Antigo Testamento. E os cristãos habituaram-se a venerá-los e a tomá-los a sério.
Primeiro, foram, naturalmente, compostos escritos fragmentários, que divulgaram palavras e sentenças de Jesus (as Logias). Com o correr do tempo, surgiram outros, mais cuidados e ampliados, que assinalavam factos, milagres, acontecimentos da vida do Mestre, conjuntamente com os Seus ensinamentos.


Mas nem todos esses escritos ficaram na Bíblia. Uns porque exageravam nos pormenores relatados e que não eram verosímeis. Outros porque queriam transmitir ensinamentos que contradiziam o ensino dos Apóstolos. Neste caso, ainda há pouco os meios de comunicação nos deram conta da tradução do «Evangelho de Judas» há anos encontrado, cujo objectivo era ensinar que o apóstolo traidor foi o que melhor cumpriu a vontade de Jesus, seu mestre.
Uma coisa interessante é que ainda hoje todas as Igrejas ditas cristãs – Católica, Ortodoxas, Protestantes e outras – têm os mesmos livros no Novo Testamento nas suas Bíblias.
Como em nenhum livro da Bíblia se diz ou define quais os que a ela pertencem ou não, temos de acreditar que foi o Espírito Santo que orientou os cristãos dos primeiros séculos na selecção dos livros inspirados.

Os critérios que presidiram à sua inclusão foram os seguintes:
1. Merecerem a aceitação consensual de toda a Igreja;
2. Apresentarem coerência doutrinal que denotasse a inspiração divina;
3. Serem seus autores os Apóstolos ou seus mandatários.

M. V. P.




5 comentários:

Em contra-corrente disse...

Só a pergunta parece logo uma blasfémia. Pelo menos feita a determinados cristãos.
Entretanto acho bem que seja feita.
Para termos capacidade de darmos as razões da nossa Fé.

JCosta disse...

No meio de tanta divisão religiosa entre os cristãos, a Bíblia é o chamamento à unidade.
«Que todos sejam um como Tu, como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste (João 17.20-21).
Que esta unidade em torno da Bíblia se concretize na vida dos cristãos.

Anónimo disse...

Não basta ter a Bíblia, é preciso lê-la.
Não basta ler a Bíblia, é preciso compreendê-la.
Mas também não basta compreender a Bíblia, é preciso vivê-la.
Anónimo

Caros Amigos disse...

Vi um artigo sobre o Espiritismo e a Bíblia que achei interessante deixar aqui.
Que me diz sobre ele?

A BÍBLIA NO ESPIRITISMO


O espiritismo nega textualmente a inspiração divina da Bíblia, ensina que o registro bíblico não deve ser tomado literalmente. Eis o que Kardec diz a respeito das Escrituras:


"A Bíblia contém evidentemente narrativas que a razão desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar hoje em dia; igualmente, contém fatos que parecem estranhos e repugnantes, porque se ligam a costumes que não são adotados... A ciência, levando suas investigações até a entranhas da terra, e à profundeza dos céus, tem pois demonstrado de modo irrecusável os erros da Gênese mosaica tomada à letra, e a impossibilidade material de que as coisas se hajam passado tal com estão relatadas textualmente... Incontestavelmente, Deus, que é todo verdade, não pode induzir os homens ao erro, nem consciente, nem inconscientemente, pois então não seria Deus. E, pois, se os fatos contradizem as palavras que a ele são atribuídas, necessário se torna concluir, logicamente, que ele não as pronunciou, ou que elas foram tomadas em sentido diverso... Acerca desse ponto capital, ela [a ciência] pôde, pois, completar a Gênese e Moisés, e retificar suas partes defeituosas" (Allan Kardec, A Gênese, IV, 6, 7, 8 e 11).
Léon Denis, outra autoridade do espiritismo, assim se expressa sobre o valor da Bíblia:


"... não poderia a Bíblia ser considerada "a palavra de Deus" nem uma revelação sobrenatural. O que se deve nela ver é uma compilação de narrativas históricas ou legendárias, de ensinamentos sublimes, de par com pormenores às vezes triviais" (Léon Denis, Cristianismo e Espiritismo, FEB, São Paulo, s.d., 7a. ed., pág. 267).
Assim, o espiritismo, através de suas maiores autoridades, nega a revelação divina encontrada nas Escrituras, relegando-as ao nível de uma mera compilação de fatos históricos e lendários. É curioso, entretanto, que querendo dizer-se cristão, o espiritismo freqüentemente lance mão das Escrituras, citando-as com profusão quando lhe convém.

Isto significa que para os espíritas não faz diferença se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus - desde que possam usá-la quando desejam dar à sua crença uma aparência cristã, ou seja, citando passagens isoladas que parecem dar apoio à teorias espíritas. Quando, porém, o ensino claro das Escrituras refuta essas mesmas teorias, dizem então que elas não são a inerrante Palavra de Deus pela qual devemos testar o que cremos.

Portanto, o espiritismo não é uma religião cristã, pois nega a inspiração do Livro que é a base do cristianismo, assim como os seus ensinos. Com o que concorda o escritor espírita Carlos Imbassy, quando escreveu:


"O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras... a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome - Espiritismo" (Carlos Imbassy, À Margem do Espiritismo, p. 126).

Ver para crer disse...

Caros amigos:
Obrigado pelo texto «Espiritismo e a Bíblia» que muito nos ajuda a entender essa corrente espiritual, que pouco ou nada tem com a Bíblia.

Deixo aqui, eu próprio, um excerto da Constituição Dogmática DEI VERBUM do concílio Vaticano II sobre a Revelação e inspiração divina da Sagrada Escritura


«Inspiração e verdade na Sagrada Escritura

11. As coisas reveladas por Deus, que se encontram e manifestam na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. Com efeito, a santa Mãe Igreja, por fé apostólica, considera como sagrados e canônicos os livros inteiros tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, porque, tendo sido escritos por inspiração do Espírito Santo (cf. Jo 20,31; 2Tm 3,16; 2Pd 1,19-21; 3,15-16), têm a Deus por autor e como tais foram confiados à própria Igreja.1 Todavia, para escrever os Livros Sagrados, Deus escolheu homens, que utilizou na posse das faculdades e capacidades que tinham,2 para que, agindo Deus neles e por meio deles,3 pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que ele quisesse.4

Portanto, como tudo quanto afirmam os autores inspirados ou hagiógrafos se deve ter como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo havemos de crer que os Livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade relativa à nossa salvação, que Deus quis fosse consignada nas Sagradas Letras.5 Por isso, “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra” (2Tm 3,16-17 gr.).

Interpretação da Sagrada Escritura

12. Como Deus na Sagrada Escritura falou por meio de homens e à maneira humana,6 o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e aprouve a Deus manifestar por meio das palavras deles.

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem-se ter em conta, entre outras coisas, também os “gêneros literários”.

A verdade é proposta e expressa de modos diferentes, segundo se trata de textos históricos de várias maneiras, ou de textos proféticos ou poéticos ou ainda de outros modos de expressão. Importa, pois, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo pretendeu exprimir e de fato exprimiu em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, usando os gêneros literários então em voga.7 Para entender retamente o que o autor sagrado quis afirmar por escrito, deve atender-se bem, quer aos modos peculiares de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que na mesma época costumavam empregar-se nos intercâmbios humanos.8

Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com a ajuda do mesmo Espírito que levou à sua redação,9 ao investigarmos o sentido exato dos textos sagrados, devemos atender com diligência não menor ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé. Cabe aos exegetas, em harmonia com estas regras, trabalhar por entender e expor mais profundamente o sentido da Escritura, para que, mercê deste estudo dalgum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus.10

A “condescendência” da sabedoria divina

13. Portanto, na Sagrada Escritura, salvas sempre a verdade e a santidade de Deus, manifesta-se a admirável “condescendência” da eterna sabedoria, “para que aprendamos a inefável benignidade de Deus e a grande acomodação que usou nas palavras, cuidadosamente solícito e providente quanto à nossa natureza”.11 Com efeito, as palavras de Deus, expressas em línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como já o Verbo do Eterno Pai, tomando a fraqueza da carne humana, se tornou semelhante aos homens.»