terça-feira, maio 08, 2007

A incredulidade do barbeiro


O caso do estudante Cho Seung que disparou mais de 170 tiros em apenas nove minutos e matou dezenas de colegas e funcionários da universidade Virginia Tech ainda estava bem vivo na memória daqueles adolescentes. E interrogavam:
«Como é que Deus permitiu tal coisa!...»
Falei-lhes que Deus criou o homem livre e respeita como ninguém essa liberdade. Lembrei-lhes a Parábola do Filho Pródigo contada por Jesus. Qual era o pai que dividia os seus bens pelos filhos, sabendo que um deles ia gastar tudo na estroinice e depois iria passar fome?
Mas um dos presentes continuou:
«Como é que Deus deixa cometer tantos crimes?! Por que não mata logo essas pessoas e as deixa fazer tanto mal?»
Disse-lhe:
«É normal e até saudável que nos interroguemos sobre Deus e as coisas da Fé. Mas como disse Cristo haverá sempre no mundo o trigo e o joio. E só na ceifa é que Deus mandará cortar um e outro e lhe dará destinos diferentes: o Seu celeiro (o Céu) para o trigo, o fogo para o joio.»
E contei a história de um homem que foi ao barbeiro. E enquanto este lhe cortava o cabelo conversava com ele. Falava das coisas más do mundo. Admirava-se como Deus permitia tanto mal. Pois foi boa ocasião para o barbeiro falar:
– Mas você ainda acredita em Deus?! Deixe-se disso, meu caro, Deus não existe!
– Como?!
– Ora, se Deus existisse não haveria tanta maldade! Ladrões, assassinos e coisa pior...

O cliente ficou admirado com o falar do barbeiro e achou que não valia a pena adiantar mais conversa. Cortado o cabelo, pagou e despediu-se ainda a pensar na incredulidade daquele homem.Mal saiu, avistou um maltrapilho imundo, com longos e sujos cabelos, barba desgrenhada e cara de poucos amigos. Não aguentou, deu meia volta e interpelou o barbeiro:
– Sabe de uma coisa? Não acredito em barbeiros!
– Como?!
– Não acredito!... Pois se existissem barbeiros, não haveria pessoas de cabelos e barbas compridas!
– Ora, eles estão assim porque querem. Se desejassem mudar, viriam até mim! Ao que o homem respondeu:
– E acha que se pode culpar Deus por os homens não seguirem o caminho do bem?!

8 comentários:

Catequista disse...

a misericórdia de Deus é infinita. E apesar de muitas vezes estarmos a percorrer o caminho errado, Ele próprio deixa-nos seguir livremente até nos darmos conta do erro que estamos a cometer. É a nossa liberdade, é a liberdade de um Deus que nos recebe de braços abertos tal como o pai do filho pródigo.

A história do barbeiro é uma bela história que nos ajuda a perceber melhor o Amor de Deus por nós.

Um abraço

Contra a corrente disse...

Esse barbeiro teve uma boa resposta!
Deus respeita-nos mais do que podemos imaginar.

Joaquim Costa disse...

Aqui venho mais uma vez e encontro esta bela peça apologética.
Todos querem a respectiva liberdade mas não aturar a liberdade dos outros.

Anónimo disse...

Deus criou-nos livres. E se não nos criasse assim não seria melhor?

Ver para crer disse...

Boa interrogação, anónimo!
O certo é que Ele nos quis livres, pois a liberdade nos aproxima dele.

Pe. Vítor Magalhães disse...

Gostei!

antonio disse...

Não conhecia esta história.

Gostei, muitas das vezes somos levados a acreditar só em nós, como se tivessemos sozinhos, como se essa solidão, esse silêncio não fosse mais do que Deus a respeitar a nossa liberdade.

J disse...

Ver para Crer,

Achei o texto fantástico e ajudou-me imenso a perceber o Amor de Deus.

Um grande beijinho e obrigado!