terça-feira, outubro 03, 2006

Heresias antigas e actuais (1)



Heresia foi o nome dado pelos antigos à opção por doutrinas não conformes à pregação de Jesus e tradição dos Apóstolos. No artigo anterior, referi alguns textos bíblicos que acautelam os cristãos contra novas doutrinas. Muitos outros podia ter referido.

A primeira grande heresia foi a dos judaizantes. Muitos judeus convertidos (?!) queriam à fina força que os cristãos fossem obrigados a praticar tudo o que mandava o Antigo Testamento e outras tradições judaicas. Os Actos dos Apóstolos e as Cartas de S. Paulo referem essa pressão feroz que aquele apóstolo e companheiros sofreram na pele. E refere as decisões do 1.º Concílio de Jerusalém, presidido por Apóstolos.

Ainda hoje isso se vê em muitas das posições doutrinais de Grupos ditos cristãos como as Testemunhas de Jeová, fundadas por Charles Taze Russell por volta de 1870, embora ainda não com esse nome.

A outra grande heresia surgiu também ainda no tempo dos Apóstolos e é conhecida por Gnosticismo. Apesar de ser uma mistura de doutrinas de diversas origens, teve uma forte implantação em alguns meios da Igreja, como se pode ver pelos escritos deixados e pelas alusões que a ele fazem alguns dos chamados Padres da Igreja. Segundo os gnósticos, existem dois deuses: o criador imperfeito, que eles associam ao Deus do Velho Testamento e outro, bom, associado ao Novo Testamento. O primeiro criou o mundo com imperfeição, e desta imperfeição é que se origina o sofrimento humano. Mas, o deus bom teve pena dos homens e dotou-os de uma "centelha divina", que lhes dá a capacidade de despertar deste mundo de ilusões e imperfeição.

Chegam ao ponto de ensinar que tirar do corpo a alma – isto é, matar – é uma obra boa. Daí se pode compreender que tenham como grandes heróis Caim, Judas e muitos outros que a Bíblia condena. O sexo e mesmo o casamento são vistos como algo de mau. São Paulo já faz referência a isto em 1Timóteo 4, 1 e ss. Ensinam que a mulher cria em seu ventre corpos humanos e por isso não pode ir para o Céu. O Evangelho de Judas, o Evangelho de Tomé e vários outros escritos são produtos dessas terríveis doutrinas. E têm sido muito propagandeados nos últimos tempos como se fossem de muito valor humano. Recomendo que os leia – encontra-os na internet – para ver que a Igreja teve razão em excluí-los do seu cânon.
Estas doutrinas gnósticas ressurgiram dum modo muito acentuado nos séculos XI e XII e ainda hoje estão presentes dum modo ou doutro em alguns grupos religiosos.
M. V. P.

25 comentários:

jcosta disse...

Há gente para tudo, como diz o povo. Então matar era uma virtude!
Assim entendo por que os gnósticos escreveram o Evangelho de Judas, onde elogiam a sua acção.

Anónimo disse...

Quer dizer que essa gente ensinava que o sexo e o próprio corpo era obra do Demónio.
Como explicar então que as suas obras tenham tido, e ainda hoje o t~em pelos vistos, tanto sucesso?
Há mesmo gente para tudo...

Ver para crer disse...

Caros jcosta e anonymous
Vejam este final do Evangelho de Tomé, uma das obras do Gnosticismo:

«(112) Jesus disse: "Ai da carne que depende da alma; ai da alma que depende da carne."
(113) Seus discípulos disseram-lhe: "Quando virá o Reino?"
[Jesus disse]: "Ele não virá porque é esperado. Não é uma questão de dizer: ‘eis que ele está aqui’ ou ‘eis que está ali’. Na verdade, o Reino do Pai está espalhado pela terra e os homens não o vêem."
(114) Simão Pedro disse-lhes: "Que Maria saia de nosso meio, pois as mulheres não são dignas da vida."
Jesus disse: "Eu mesmo vou guiá-la para torná-la macho, para que ela também possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vós machos. Porque toda a mulher que se tornar macho entrará no Reino do Céu."»

Ver para crer disse...

Como se vê, segundo esta heresia, só os homens (os seres de sexo masculino) podem entrar no Céu. As mulheres são excluídas, pois são instrumentos do Deus mau, criando em seu seio corpos que aprisionam as almas.

Vítor Mácula disse...

Bem, desculpem lá desde já qualquer coisinha :P

Também se pode pegar em excertos neotestamentários e tirar conclusões tão desonestas e desinformativas como as acima.

A categoria masculino/feminino na conceptualidade gnóstica remete para algo como o entendimento activo/entendimento passivo. Não tem que ver com os homens e as mulheres na sua concretude, daí as mulheres poderem masculinizarem-se.

Ao contrário do dito, nas comunidades gnósticas, tais como nas epicuristas, as mulheres tinham um papel activo, que ainda hoje na Igreja Católica, estão longe de ter.

E isto vai dito por alguém que está longe de ser gnóstico, e muito mais perto, digamos assim, de ser católico.

Mas tal grau de desinformação só pode ser voluntário, estratégico, uma defesa de algo e ataque a outro por clubismo ou algo do género. Se lê as notas da Bíblia dos Capuchinhos, com certeza que também lê as da sua edição do "Evangelho de Tomé".

Quanto à questão do corpo, claro, o gnosticismo dá supremacia aos actos mentais (noéticos), e não foca cristologicamente nem a incarnação nem a ressurreição dos corpos. Não se deve no entanto confundir gnosticismo com maniqueísmo.

Um abraço na frontalidade.

Ver para crer disse...

Vítor Mácula:

Obrigado sincero pelo teu comentário. Como já tive ocasião de te dizer, julgo que tens melhor preparação para entender e explicar estas coisas. Quanto a mim, leigo como sou, apenas usei o texto da internet, sem anotações.

Sei que há variantes doutrinais entre os gnósticos e que hoje é difícil entender os seus textos.
Pelo que tenho lido, há um núcleo doutrinário comum a todos eles:

Os gnósticos acreditavam em dois deuses: o criador imperfeito, que eles associam ao deus criador do Velho Testamento, e outro, bom, associado ao Novo Testamento. O primeiro criou o mundo com imperfeição e desta imperfeição é que se originou o sofrimento da humanidade.
Mas, o deus bom teve pena dos homens e dotou-os de uma "centelha divina", que lhes dá a capacidade de despertar deste mundo de ilusões e imperfeição.
Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento que é causado pelo seu ser material, e isto só pode ocorrer pelo conhecimento (gnósis).

Ensinam que um dos éons deu à luz o Demiurgo que criou o mundo material "mau".
A salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo terceiro éon (identificado com o Cristo), distinto dos doze éons que regem o mundo decaído.
Segundo a sua doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, aprisionados no corpo e neste mundo material terreno, para os conduzir ao mundo espiritual que é o Céu.
Tudo o que tem a ver com a geração de novos corpos é colaboração com o tal deus criador "mau".

Será mesmo isto que todos eles ensinam? Já agora, gostava que me dissesses.

Vítor Mácula disse...

Oh, meu caro Ver para crer, não brinques, eu venho de Nag-Hammadi, e tenho óculos para a areia ;) Se é para ir a esses sites... Mas, claro, se eu quiser saber algo sobre a Golda Meir, o melhor que tenho a fazer é ir a sites neo-nazis, e eis o que chamo busca... Esquecia-me que os católicos são a raça espiritual perfeita... Fónix e boa tarde, enganei-me no bar, mas é que nem vou pagar a imperial, bazo já pelas traseiras... Saudações...

Caros Amigos disse...

Vítor:

Não entendo o que quiseste dizer. Então para os gnósticos as mulheres têm um entendimento passivo? Que é que isso significa?

Pdivulg disse...

Ainda hoje, basta ver onde o "Código Da Vintes" foi buscar a inspiração...

Pdivulg disse...

Estive a ler os comentários e o que posso adiantar respeitante a esse Evangelho (e que parece incomodar alguns) é que o conceito de Templo ou Igreja é visto como um templo dentro de nós ou seja não haveria Igreja comunidade como a conhecemos...

Vítor Mácula disse...

Caro Caros Amigos (uau !)

Antes de mais, não há os « gnósticos ». Trata-se dum termo forjado pelos pais da igreja, e depois integrado como classificação historico-religiosa, que integra textos e modos de vida muito díspares. Aqui é delicado toda a tomada de conteúdos e sua análise, pois é a partir dos textos que os denigrem (assim um pouco como este post e comentários :P) que temos acesso a registos da sua existência e modos de vida e pensamento (pelo menos até ao séc. III DC, penso eu).

Portanto, não é bem para os « gnósticos » - tratou-se duma errada simplificação minha - mas no texto do « Evangelho de Tomé ».

O entendimento do feminino enquanto passivo (tipicamente aristotélico, aliás e por exemplo) não é de todo apanágio dos « gnósticos ». Curiosamente, é até mais apanágio dos pais e doutores da Igreja (factor que ainda hoje se vê com toda a sua força no entendimento da mulher por João Paulo II, por exemplo).

Quanto ao « Evangelho de Tomé » e citação do Ver para crer, o próprio texto indica o seu sentido não « literalista ».

Mas eu não me apetece brincar aos cow-boys. Para além de qualquer busca no « google » ou ida a uma qualquer livraria responder às suas perguntas (e às supostas outras e de outros), só faz sentido inquirir sobre algo ou alguém, quando não estamos na disposição de reunir qualquer boato ou simplificar e distorcer qualquer informação afim de nos afirmarmos indirectamente a nós próprios. Ou até, de dizer coisas extremanente desagradáveis e estupidificadoras e quase criminosas acerca do samaritano :P Também os fundamentalistas anti-cristãos fazem o mesmo com trechos bíblicos e momentos históricos…

Um abraço.

Vítor Mácula disse...

Caro Pdivulg

No "Evangelho de Tomé" não há mais essa ideia de templo do que em qualquer outro evangelho canónico.

O filme "Estigma" delira "ilegitimamente" sobre essa diferença (e sobre outras, aliás).

Há uma edição minimamente anotada deste evangelho na editora Estampa, e barata ;)

Abraço.

Ver para crer disse...

Olá, Vítor Mácula:

Os teus comentários parece virem da função de "advogado do diabo" a que te promoveste. Não tomes isto como ofensa, pois a defesa do "vínculo matrimonial" por parte da igreja também recorre ao mesmo.

Estive a ler o início do capítulo 4 da 1.ª Carta de S. Paulo a Timóteo e respectivos comentários de várias edições bíblicas e todas remetem a condenação do casamento como característica do gnosticismo.
A Igreja, por isso, sempre rejeitou essas doutrinas.

Vítor Mácula disse...

Ora, caro Ver para crer, era o que me faltava ofender-me numa troca de ideias ou pontos de vista, mesmo que « aquecida »…

« 4 Os falsos mestres (1,3-11; 2 Tm 2,14-18; Tt 1,10-16) - 1*O Espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas, 2seduzidos pela hipocrisia de mentirosos, cuja consciência foi marcada com ferro em brasa. 3Proibirão o casamento e o uso de alimentos, que Deus criou para serem consumidos em acção de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. 4Pois tudo o que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado, quando tomado com acção de graças. 5Com efeito, tudo é santificado pela palavra de Deus e pela oração. »

Deduzir do texto neotestamentário que se trata dos « gnósticos » é pura desinformação e especulação ideologico-religiosa… Até porque como disse, o termo « gnósticos » cobre um díspare grupo de posições e modos de vida. Que haja quem o faça, precisamente… longe de mim negar que os cristãos têm na sua ilharga histórica uma larga actividade de manipulação ideológica (não mais do que outros, verdade seja dita)… Isso não quer dizer que não se possa por a hipótese exegetico-histórica de estes grupos a que S. Paulo se refere, não terem características que os possam classificar como « gnósticos » .

Mas relê o teu post e comentários, caramba.

Não se trata da Igreja aceitar para si doutrinas que não são conformes à sua ; trata-se de não as denegrir e deturpar.

Espero também que tenhas noção que a palavra « casamento » refere modos de união bastante diversos consoante a época, lugar, grupo social, etc Também não preciso de citar-te S. Paulo acerca do casamento, já agora, conheces com certeza esses textos melhor do que eu, que raio… :P

O demoníaco (diabólico) deixo-o por ora…

Um abraço.

Vítor Mácula disse...

Quanto ao "Evangelho de Tome", apenas temos o texto e algum estudo arqueológico de Nag Hammadi... Qualquer dedução acerca da sua relação com a comunidade que ali vivia é pura especulação (que é evidentemente legítima e lícita, no sentido da investigação e estudo, mas nunca para amassar coisas tão diversas como os plotinistas, os maniqueístas, os pitagóricos etc e mesmo aqui diferenças e variações há - tais como há entre cristãos... ) Absolutizar palavras e simplificar posições que se dão na complexidade histórica de dois milénios e tal em tão diversas culturas e lugares é pura e simplesmente desrespeitar a verdade (e sabemos quem este desrespeito tem como pai :P - uuuups, e sem querer (sic) toquei no demoníaco... eh eh eh...

Caros Amigos disse...

No fim desta conversa toda, em que ficamos?
As doutrinas gnósticas não foram aceites pela igreja por que razão?

São hoje propagandeadas por certas pessoas para combater a Igreja Católica, sendo inspiradoras de obras de sucesso. Será pelo seu valor intrínseco a favor da humanidade ou pela sede de lucrar com o "escândalo"?

Gostava que alguém me respondesse a estas e, eventualmente, outras questões.

Vítor Mácula disse...

Cara Sandra.

No geral, aqueles a que se dá o nome de gnósticos, não focam nem a ressurreição nem a crucificação nem a incarnação. Tratam-se de textos que visam orientar para uma ascese estritamente espiritual. Nesse sentido também, são geralmente textos ligados a comunidades ou formas de vida que não têm intentos políticos.

Em muitos deles nota-se também uma tendência para dar mais relevo ao esforço interior do humano do que ao da graça divina.

Não há neles também (geralmente;) noção sacerdotal alguma. São textos que parecem estar mais na linha das escolas filosóficas da antiguidade, do que da religiosidade organizada. Mas aqui, e para a época, as linhas são difíceis de traçar.

São portanto textos na contramão do cristianismo romano.

JCosta disse...

Procurando na internet sobre o tema em questão, achei este artigo que me pareceu ser de interesse dar a conhecer aos que se interessam em conhecer o gnosticismo.
Joaquim Costa

«O que é o gnosticismo?

Saiba a verdade sobre este assunto

Esta palavra tem aparecido ultimamente por causa do chamado "Evangelho de Judas", que é de fundo gnóstico; e também por causa do livro "O Código da Vinci", de Dan Brown (Editora Sextante, 2004), onde o autor diz que se baseou nos evangelhos apócrifos e gnósticos de Maria Madalena, Filipe e Tomé, para fazer as suas afirmação contra a Igreja católica. O gnosticismo está também na base filosófica e religiosa de muitos movimentos e seitas como a Nova Era, o espiritismo, hinduísmo, etc. Mas, afinal , o que é este gnosticismo?

Mas o que é o gnosticismo? Em poucas palavras vamos tentar explicar.
É uma concepção religiosa muito antiga, de antes de Cristo, que veio do Oriente, provavelmente da Pérsia, e que se infiltrou na Igreja gerando uma terrível heresia que foi severamente combatida já pelos Apóstolos São Paulo, São Pedro e São João em suas cartas, e também por Santo Irineu (130-200) no seu famoso livro "Contra os Hereges" (Ed. Paulus, Patrística, Vol. 4, 1995, SP).

O gnosticismo acredita que há como que dois deuses; um deus bom e outro mau; e o mundo teria sido criado pelo deus mau, um deus menor, que eles chamam de demiurgo; este seria o nosso Deus da Bíblia, dai todas as tragédias contadas nela. Para esta crença, as almas dos homens já existiam em um universo de luz e paz (Plenoma); mas houve uma "tragédia" – algo como uma revolta – e assim esses espíritos foram castigados sendo aprisionados em corpos humanos, como em uma cadeia, pelo deus demiurgo, e que os impede de voltar ao estado inicial. A salvação dessas almas só seria possível mediante a libertação dessa cadeia que é o corpo, que é mau, e isto só seria possível através de um conhecimento (gnose em grego) secreto, junto com práticas mágicas (esotéricas) sobre Deus e a vida, revelados aos "iniciados", e que dariam condições a eles de se salvarem. Por isso os gnósticos não acreditam na salvação por meio da morte e ressurreição de Jesus Cristo; não acreditam no pecado, nos anjos, nos demônios, e nem no pecado original. Para eles o mal vem da matéria e do corpo humano, que são maus. A Igreja muitas vezes teve que se pronunciar contra isto e muitas vezes relembrou que "tudo o que Deus fez é bom".

Para o gnosticismo tudo que é material foi criado pelo deus mal e deve ser desprezado; assim, por exemplo, o casamento e tido como mau porque através dele o homem (corpo) se multiplica. São Paulo combateu isto em 1Tm 4, 1ss. Tudo o que é espiritual teria sido criado pelo deus bom.

Segundo ainda o gnosticismo "cristão", o Deus bom , Supremo, teria enviado ao mundo o seu mensageiro, Jesus Cristo, como redentor (um eon), um “Avatar”, portador da “gnósis”, a palavra revelada a alguns escolhidos e que leva à salvação (libertação do corpo). Jesus não teria tido um corpo de verdade, mas apenas um corpo aparente (docetismo); doceta em grego quer dizer aparente. Jesus teria então um corpo ilusório que não teria sido crucificado. S. João combateu isto em suas cartas (cf.1 Jo 18,-23)
O gnosticismo acredita também na reencarnação para a salvação da pessoa; vê-se então, que é radicalmente oposto ao Cristianismo.



Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, 57 anos, é doutorado e pós-doutorado em Ciências pela UNESP. É casado há 34 anos e tem cinco filhos. Foi membro da Comissão Nacional da Renovação Carismática Católica, tendo participado de vários encontros no país e no exterior. Escreveu 45 livros e realiza dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias".»

Em contra-corrente disse...

Procurei na internet e não encontrei, em português, o Evangelho de Judas.
Quem me sabe dizer o endereço onde se encontra?

Ver para crer disse...

Amigos:

Ainda ninguém falou no Evangelho de Judas.
Deixo aqui este excerto que acho desumano - embora saiba a filosofia que está por detrás. Ele diz bem de entendimento que os gnósticos tinham sobre o corpo material.
Judas perguntou a Jesus:
“Olhe, o que é que aqueles que foram baptizados em seu nome farão? Jesus disse, “em verdade (vos digo), Judas, (aqueles que) oferecem sacrifícios para Saklas (...) Deus (- 3 linhas perdidas -) tudo que é mal. “Mas tu superas todos eles. Pois tu sacrificarás o homem que me reveste.

Ver para crer disse...

Contra corrente
Encontra-lo em português por exemplo em:
http://www.verdestrigos.org/agora/O%20Evangelho%20de%20Judas.pdf

Nota: Não é tradução oficial.

Caros Amigos disse...

Estive a ler várias coisas sobre os gnósticos e fiquei com uma ideia bastante negativa sobre eles. São várias seitas mas todos parecem convergir nisto: as coisas criadas são más de raiz; foram feitas por alguém "mau".
E apreciam as más companhias! A serpente que tentou os nossos primeiros pais; Caim que matou o seu irmão Abel; os sodomitas cuja depravação Deus castigou com fogo vulcânico; Judas que atraiçoou Jesus, etc., etc..
Concordo com Ver para crer que suas ideias não são nada recomendáveis.
A Igreja não tinha outro remédio senão combater tais doutinas.

Quem encarece hoje tais ideias não merece o meu assentimento.

Vítor Mácula disse...

Bom dia... É impressionante a tendência que temos para fazer julgamentos sumários e céleres sobre outros… Tantas dúvidas e obscuridades teológicas, éticas, espirituais, históricas, literárias, religiosas, filosóficas etc, resolvidas num fim de semana de opinião... Mas evidentemente, o resultado do julgamento já está pré-determinado... Enfim, o costume... Depois queixamo-nos que o mesmo fazem os outros sobre nós... E assim vai o mundo... Abraços...

Jaquim da Horta disse...

Foi com certa graça que li o comentário dirigido ao grupo de ditos cristãos, as Testemunhas de Jeová, que pelo seu ponto de vista doutrinam algo diferente do que Cristo doutrinou.
Foi com a mesma graça que "n" dos seus posts de opinião (intervenção) política.

Nunca querendo faltar-lhe ao respeito, pois apreciei bastante alguns (muitos) dos seus posts, parece-me que a doutrina de Jesus não era bem a de “intervenha politicamente o quanto baste”.

Na leitura que faço encontro um Jesus que sempre se esquivou a qualquer actividade política, ou até mesmo de opinar sobre o que fosse politicamente, assim como não consigo imaginá-lo a apoiar uma facção (fosse qual fosse) numa guerra humana (seja esta guerra civil ou mundial) ou até mesmo de constituir um estado como sede humana das suas doutrinas.

Antes, encontro um Cristo que se esconde da multidão, que apenas quer retribuir ao fabuloso milagre da multiplicação dos pães fazendo dele rei – S. João 6. 15. E que rei ele daria, de certo os Judeus não continuariam naquela opressão (tanto do império romano como da própria religião judaica), mas ele não fez isso, por muito estranho que pareça, e porquê? porque como ele disse ao próprio Pilatos “O meu Reino não é deste mundo”.
Não sendo deste mundo, não teria nada que se envolver nos assuntos que não pertenciam à sua jurisdição.

Visto que este Mestre dava o exemplo para ensinar, quem quisesse seguir a sua doutrina, não deveria então seguir o seu proceder neste assunto? A meu ver deveria. Até porque os problemas daquele povo não se comparavam em nada aos nossos hoje, se a carga fiscal hoje é pesada, naquele tempo era pesadíssima, a tal ponto que os que se opunham a Jesus e sua doutrina, tentaram enlaçá-lo por aí, pedindo um parecer (ou opinião) ácerca do tributo. Mas Jesus, não só não comentou o que achava da carga tributária, como teceu o célebre comentário: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.”.

Outras ocasiões houve em que quiseram que ele desse opinião sobre assuntos locais (jurídicos ou sociais), sempre se esquivou (ou com uma boa resposta ou com uma boa pergunta) – por exemplo em S. Lucas 12. 13 e 14 vemos Jesus argumentar não ser juiz.

Mas se as suas atitudes não fossem suficientes, foi nos legado um conjunto de Evangelhos que nos explicam o porquê deste seu comportamento, Há um texto sublime de S. João em que nos é revelado que o Filho de Deus veio ao mundo não para o condenar, julgar, dar parecer ou opinião (embora tivesse muito que dizer se o fizesse) mas veio para falar o que seu Pai queria (isto em S. João 8. 26), porque mais do que a sua opinião pessoal, seriam aquelas doutrinas que havia escutado do Pai que salvariam.
Agora, se Cristo se refreou de dar o parecer do que está bem e do que está mal, quem sou eu para o fazer?!
Mais à frente o mesmo apóstolo repete que “Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”. Não tirando o texto do seu contexto, percebemos que o texto que precede este diz-nos que isto acontece devido ao amor desmedido que Deus tem pelas pessoas que prestam atenção ás doutrinas do seu filho (aqui já em S. João 3. 16 e 17) e não faz referencia ás nossas opiniões ou ideias, nem ás de Cristo, mas sim ás de Deus.

Jesus até mesmo explica como seria a situação futura dos que seguiam as suas doutrinas e como deveriam comportar-se perante essa situação, em S. João 15. 19 continuasse a falar que “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece.”. Se não fosse claro o suficiente, para percebermos o que se queria com “não sois do mundo” apesar de vivermos nele, S. Paulo fez-nos uma comparação que nos ajuda a compreender mais plenamente, ele afirmou que “somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus.”, ora como embaixadores vivemos neste “país estrangeiro”, mas somos representantes da nossa “pátria mãe” e não nos envolvemos em qualquer assunto deste “país” antes sempre torcemos e afirmamos como superior a “pátria” que Amamos.
Este é o exemplo e doutrina de Cristo e seus Apóstolos. Nunca Jesus sequer permitiu que alguém o fizesse pôr em primeiro lugar as suas opiniões (ou vontades) pessoais às de seu Pai.
Repudiando isso com violência como foi no caso em que S. Pedro lhe diz: “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.”, como se este Apóstolo mais velho se valesse da sua idade para aconselhar: “Ó mestre, então agora tu com a tua sabedoria, a tua força, carácter, carisma, vais agora sofrer um fim desses, tu se quiseres és rei, és poderoso, és tudo o que quiseres!”, mas a resposta do Cristo foi um veemente: “: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.”

Ver para crer disse...

Pus num novo post a minha opinião sobre o seu comentário, que agradeço, como afinal quero manifestar a minha gratidão a todos os que comentaram este e outros postes.
Bem hajam!