quinta-feira, agosto 31, 2006

Dar esperança aos doentes

É uma das coisas que me custa: ir ver um doente numa fase terminal e com absoluta consciência do mal que tem. Nunca sei o que lhe dizer. Já tenho lido diversos escritos de autores com experiência no ramo. Uns dizem que é preciso dar esperança ao doente, outros que o melhor é contar algo que lhes dê alegria, outros ainda que mais vale calar.

Confesso que, embora já tenha alguma (muita?!) experiência nunca sei bem como hei-de fazer.
Daquela vez, fui chamado à pressa e logo me foi dito que o caso era gravíssimo. Não havia qualquer esperança. Uma trombose fulminante tinha derrubado um homem dos seus setenta anos. E o senhor que me havia chamado continuava com a mesma ladainha ao pé do doente. Tive que o mandar calar, embora a casa fosse dele.

O doente parecia não ter noção alguma do que se passava. Mas achei que o melhor era contar-lhe casos passados com pacientes iguais a ele. Como haviam recuperado e até um deles tinha mesmo casado após a doença e havia morrido com noventa e tal anos. Outro era casado e ainda vivia agora, tendo retomado a sua vida dentro dos limites da idade. E referi mais casos, todos eles verdadeiros.
Daí a uns meses, o referido doente começou a andar e ainda há pouco me disse que as minhas palavras foram o melhor remédio para superar a doença.
Entendo o que um sacerdote escreve em
Migalhas também são Pão :

«Encontrei-o sentado. Olhos vidrados, no espaço, na dor, na vida. Amarelos, como o resto da face. Pijama vestido. Sofrimento vestido. No meio da conversa difícil pelos monossílabos constantes, a dor estava sempre presente. «Não aguento. Bem peço a Deus, mas não aguento. Que hei-de fazer? Diga-me, padre». Eu respondi: «Que hei-de eu dizer? Não tenho muitas palavras. Mas de uma coisa estou convencido: tudo na vida se leva melhor com alegria. Será mais fácil levar o sofrimento com alegria. Pesa menos. A alegria retira uns quilos de falta de força. Eu costumo dizer que devemos procurar a felicidade com o que temos. A felicidade que se procura com o que queremos ter é mais difícil alcançar. Se Jesus nos quer ver felizes e nos permite sofrer, é porque no meio do sofrimento também podemos ser felizes».

2 comentários:

J. Costa disse...

Isto de visitar doentes não é fácil...
Eu porvezes até fico doente!

Em contra-corrente disse...

Obrigada pela visita.
Isto de visitar doentes tem que se lhe diga.
E talvez por isso, é uma obra de misericórdia quer poucas vezes cumpro