O papa Bento XVI, na sua mensagem para esta Quaresma de 2007, convida-nos a olhar para Cristo crucificado.
Olhar Jesus na cruz é contemplar o amor de Deus pelos homens. Ele veio ao mundo para nos salvar. E fez tudo o que era necessário para que isso se realizasse. Olhar o crucificado é, pois, abrir-se ao insondável amor com que Deus nos ama. Porque a morte de Jesus, o Filho de Deus, é a mais radical expressão do amor de Deus por nós, contemplar o Crucificado é o caminho mais directo para nos abrirmos a esse amor infinito. Também aí, e sobretudo aí, Cristo é o caminho para o Pai.
Não têm razão os que acham que os cristãos valorizam e olham demasiado para o crucifixo.
«É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontível da misericórdia do Pai celeste» – escreve o Papa. «Para reconquistar o amor da sua criatura, Ele aceitou pagar um preço elevadíssimo: o sangue do seu Filho Unigénito. A morte, que para o primeiro Adão era sinal extremo de solidão e de incapacidade, transformou-se assim no acto supremo de amor e de liberdade do novo Adão. Pode-se então afirmar, com São Máximo, o Confessor, que Cristo 'morreu, se assim se pode dizer, divinamente, porque morreu livremente'».
Ao olhar a cruz, começamos por meditar no que leva alguém que curava, expulsava os demónios e até dava nova vida aos mortos, a sujeitar-se ao suplício da crucificação. Só a amor explica tal doação. Começamos por acreditar nesse amor. «Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor» – como escreve o Cardeal Patriarca.
E o Papa convida-nos insistentemente a olhar para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a revelação mais perturbadora do amor de Deus. Na Cruz é o próprio Deus que mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós.