Visto no blog: Theosfera
segunda-feira, abril 30, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
Católicos aumentam nos Estados Unidos
Das Terras do Tio Sam não vêm só notícias más. Um recente estudo feito a pedido da Conferência Episcopal da Califórnia mostra que a população católica está a crescer a um ritmo três vezes superior à não católica, e isto por influência dos imigrantes principalmente de língua espanhola, sem contar, como é óbvio, os que vêm de outras igrejas.
Actualmente, trinta por cento dos californianos são católicos. Por ano, a população não católica cresce a quatro por cento, enquanto os católicos o fazem a treze por cento.
Em todos os EUA, a situação é semelhante, embora sem chegar às espectaculares cifras da Califórnia. Por este andar, prevêm--se, para 2025, uns oitenta e três milhões de católicos, em toda a América do Norte.
Mesmo assim, um dos grandes desafios, como em todo o mundo e em todas as religiões, é como transmitir a fé às novas gerações.
Enquanto por cá os profetas da desgraça auguram para breve a morte da Igreja Católica, surge esta "boa nova" vinda das Américas!
segunda-feira, abril 23, 2007
Semana das vocações
Esta é a Semana de Oração pelas Vocações. Domingo celebra-se o Dia do Bom Pastor.
Cristo é o Bom Pastor mas quis que a Sua Igreja tivesse quem fizesse as Suas vezes. «Apascenta as minhas ovelhas» - repete a Pedro e também aos outos Apóstolos que escolheu e preparou para essa missão.
Esta é, como escreve o Papa numa Mensagem para ajudar a viver a mesma, «uma bela ocasião para vos colocar diante da importância das vocações para a vida e missão da Igreja e para intensificarmos as nossas orações para o seu crescimento em número e em qualidade».
E Bento XVI escreve:
«No ano passado iniciei nas audiências das quartas-feiras uma nova série catequética sobre o relacionamento entre Cristo e a Igreja. Sublinhei que a primeira comunidade cristã foi originariamente construída quando alguns pescadores da Galileia, após o seu encontro com Jesus, foram tocados pelo seu olhar e pela sua voz, aceitando, em seguida, o seu urgente convite: "Vinde comigo, e farei de vós pescadores de homens"(Mc 1, 17; cfr Mt 4, 19). Na verdade, Deus tem escolhido sempre determinadas pessoas para trabalharem com Ele, de modo mais directo, e executarem o seu plano de salvação.
O Antigo Testamento mostra como no início Deus chamou Abraão para fazer dele "uma grande nação" (Gen 12,2); depois, chamou Moisés para fazer sair do Egipto os filhos de Israel (cfr Ex 3, 10). Deus escolheu outras pessoas, especialmente os profetas, para defender e manter viva a aliança com o seu povo. No Novo Testamento Jesus, o Messias prometido, convidou cada um dos apóstolos para ficar a seu lado (cfr Mc 3, 14) e envolver-se na sua missão. Por ocasião da Última Ceia quando lhes confiou a missão de perpetuar a memória da sua morte e ressurreição até à sua vinda gloriosa no fim dos tempos, dirigiu-se ao Pai e fez a conhecida oração: "Eu dei-lhes a conhecer quem Tu és e continuarei a dar-te a conhecer, para que o amor com que me amaste esteja neles, e Eu esteja neles também" (Jn 17, 26). A missão da Igreja, portanto, baseia-se na comunhão íntima e fiel com Deus.»
Todos sabemos que a Igreja precisa de mais servidores. O serviço da Caridade, da Palavra e dos Sacramentos requer gente disposta a servir os Irmãos.
Peçamos, pois aos «Senhor da Messe que envie mais operários para a Sua Seara» - recomendou-nos Ele próprio.
domingo, abril 15, 2007
Colhemos aquilo que semeámos
Não a conhecia de lado nenhum. Mas encontrámo-nos casualmente e pôs-me o problema: valerá a pena rezar? E explicou: “Todos os dias rezo pela conversão dos pecadores mas cada vez há mais! Será que Deus ouve os nossos pedidos?”
“Claro que Deus ouve os nossos pedidos! O que não tira é a liberdade às pessoas” – disse-lhe. E continuei: “Deus não quer o mal mas nem por isso deixa de respeitar as decisões do pecador.”
Já depois disso leio na “Voz de Domingo” de Leiria uma resposta da filha do grande evangelista, Billy Graham, a uma questão semelhante que lhe foi feita na T. V.:
“Como é que Deus permitiu uma coisa tão horrorosa, como foi o 11 de Setembro em Nova Iorque?
Anne Graham respondeu:
– Eu creio que Deus ficou profundamente triste, como nós ficámos. Há muitos anos que vimos pedindo para Deus não interferir nas nossas escolhas pessoais, para sair do nosso governo e das nossas vidas. Sendo respeitador como é, calmamente, Deus deixou-nos. Sendo assim, como podemos esperar que Deus nos dê a sua bênção e a sua protecção?
E continuou:
– É verdade! Gritamos, quando há ataques terroristas e tiroteio nas escolas! No entanto, eu creio que tudo começou desde que Madeleine Murray 0'Hare {que acabou também ela por ser assassinada), disse que era impróprio fazer oração nas escolas americanas, como era costume. E concordámos com a sua opinião! Depois, alguém disse que era melhor não ler mais a Bíblia nas escolas! E concordámos!
– Em seguida, – prosseguiu – o Dr. Benjamim Spock disse que não devíamos bater nos nossos filhos quando se comportassem mal, porque a sua personalidade, em formação, ficaria distorcida e prejudicaríamos a sua auto-estima! O seu filho suicidou-se! E dissemos: Um perito neste assunto deve saber o que está a dizer! E concordámos com ele! Mais tarde, alguém disse que os professores e directores das escolas não deviam disciplinar nem corrigir os nossos filhos, quando se comportassem mal!
– Foi decidido, de imediato, que nenhum professor podia tocar nos alunos! Uma coisa é disciplinar, outra é tocar, bem o sabemos!
– Alguém sugeriu, ainda, que deveríamos deixar que as nossas filhas fizessem aborto, se assim o quisessem! E aceitámos sem pestanejar. Sem nos interrogarmos!
– Foi dito, ainda, que devíamos dar aos nossos filhos os preservativos, tantos quantos quises-sem, para fazerem sexo até à saciedade; dar-lhes revistas com mulheres nuas e colocar, na internet, fotos de crianças nuas!
– E dissemos: Está bem! Isto é democracia e eles têm o direito de apreciar o corpo feminino, de fazerem o que quiserem, porque tudo isto é sadio!...
Agora, perguntamos:
– Porque é que os nossos filhos não sabem distinguir o bem do mal, o certo do errado, não têm consciência, nem se incomodam de matar... mesmo os colegas de escola ou a si mesmos?!
A resposta é uma só:
– Colhemos aquilo que semeámos!
quarta-feira, abril 11, 2007
Os pais do Papa

A 7 de Março de 1920, um jornal alemão,
publicou este anúncio: «Modesto funcionário do Estado, solteiro, católico, de 43 anos de idade, com direito à reforma, pretende celebrar casamento com uma jovem católica, que saiba cozinhar e, se possível, costurar».
O pai de Bento XVI, então polícia, não teve sorte à primeira tentativa de namoro. Quatro meses depois voltou a tentar, especificando, desta vez, que era um funcionário «médio».
Respondeu Maria Peintner, cozinheira, muito piedosa, despachada e inteligente.
O casamento dos pais ocorreu em 1920. Tiveram três filhos: Maria, nascida em 1921 e falecida em 1991, com 70 anos de idade; Jorge, que agora conta 83 anos, e José, com 80 anos, o actual Papa, que adoptou o nome de Bento XVI.>
sexta-feira, abril 06, 2007
Esta Igreja que eu amo...
Celebramos hoje a morte de Jesus. Não como quem está de luto (Jesus está vivo!) mas para reflectirmos na ingratidão e pecado dos homens.A "cruz" acompanha a vida de tanta gente: mortes violentas, injustiças de toda a ordem, guerras, fome, difamações, ódios... É ocasião de pensarmos e agirmos em vista de um mundo melhor.
E esta igreja, hoje tão incompreendida e atacada, pode orgulhar-se de muitos dos seus membros que deram e dão a vida pelos injustiçados.
Lembremos neste dia todos quantos deixaram a sua casa e a sua terra para se pôr ao serviço do próximo.
Cito este caso de que ouvi falar e há dias relembrei num artigo de jornal:
Muitas foram as vezes que o antigo Bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, foi falar com o presidente de Moçambique, Samora Machel.
Um dia este diz-lhe:
"Por que é que você que é bispo, quando vem falar comigo, nunca me fala de Deus ou de religião, mas do povo, da defesa dos seus direitos e da sua dignidade?"
Ao que o Bispo lhe responde:
"Deus não precisa que ninguém o defenda. Os homens, sim!"
quarta-feira, abril 04, 2007
O valor do homem
Estamos nas vésperas da Páscoa, esse grande acontecimento que nos revela o amor de Deus pelos homens: Ele enviou o Seu Filho à terra e deu a vida por nós.
«Que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para dele cuidardes?» - interroga-se o Salmista ( Sal 8, 5). Diante da imensidão do universo, coisa bem pequena é o homem; mas é por ele e não por outra criatura que Deus mostra todo o Seu amor.
A seguinte história pode ajudar-nos a reflectir.
Dois colegas da tropa encontraram-se por um mero acaso. Há muitos anos que se não viam. Quem olhasse para eles notava logo que pouco tinham em comum. Um vestia pobremente e tinha um ar de tristeza. O outro via-se que estava bem na vida. Cumprimentaram-se e entraram num café. Ali houve tempo para contar o que tinham feito em todos aqueles anos. E o homem triste apresentou as suas angústias: a vida profissional correra-lhe mal; o casamento tinha acabado; os amigos tinham-no abandonado. Tudo estava mal na sua vida. E ainda por cima, por "minha própria culpa".
"Já não valho nada!" – desabafou.
O amigo, depois de o ouvir, tirou da carteira uma nota de cem euros e disse-lhe: "Queres esta nota?"
Respondeu de imediato: "Claro, são cem euros!"
"E se eu a deitar ao chão e a deixar toda amarrotada e suja, ainda a queres?!"
E o colega respondeu: "Claro, mesmo amarrotada e suja é uma nota de cem euros!"
O amigo deitou a nota no chão, pisou-a com um dos pés e perguntou: "E agora, ainda a queres?!"
Depois de olhar o amigo com ar desconfiado, respondeu: "Claro. Continua a ter o mesmo valor".
"Pois toma lá esta nota suja e lembra-te que podes ir em todo o tempo ao banco pedir que ta troquem por uma nota novinha em folha. E não te esqueças que também a tua vida, apesar de todas as dificuldades, continua a ter o mesmo valor! Está nas tuas mãos renová-la"...
Esta pequena história ajuda-nos a meditar no valor da vida de cada ser humano. Pobre ou rico, sábio ou ignorante, com melhor ou pior comportamento, é um Filho de Deus.
Por ele veio ao mundo e morreu Jesus Cristo!...
É este mistério do Amor de Deus que vamos celebrar mais uma vez!...
sábado, março 31, 2007
Jornalista converte-se
Uma controvertida jornalista perita na história da música rock e que por muitos anos foi uma porta-bandeira da "revolução sexual", converteu-se – após abraçar a fé católica – numa fervorosa promotora da castidade.
A jornalista Dawn Eden publicou o livro "A Emoção da Castidade", onde sustenta que para a mulher tem muito mais sentido a castidade que o sexo casual.
Há alguns dias, o jornal The Sunday Times publicou um artigo onde Eden conta sua incrível historia e se apresenta a si mesma como uma das "filhas insatisfeitas da revolução sexual". Eden confessa que após vários anos levando um estilo de vida dissipado, chegou um momento em que não pôde mais e decidiu mudar. Embora não tenha sido uma mudança imediata, pouco a pouco descobriu que a vida podia ser de outra forma.
Conforme destaca, há uns anos entrevistou a líder de uma banda musical de Los Angeles denominada Sugarplastic e perguntou que livro estava lendo. Tratava-se do "Homem que foi Quinta-feira", de G.K. Chesterton. Eden animou-se a ler o livro e afirma que nele descobriu pela primeira vez que "no cristianismo havia algo interessante".
Anos depois, ela própria abraçou a fé católica para escândalo de muito boa gente.
sexta-feira, março 23, 2007
Nunca desistir
Sei que não é algo de inédito mas vale a pena trazê-los também para aqui. É que estes exemplos são a prova de que vale a pena apostar naquilo que gostamos e achamos válido para nos realizar.
*A super estrela, Michael Jordan, quando criança foi expulso da equipe escolar de basquete.
*Winston Churchill repetiu o sexto ano. Mas foi primeiro ministro da Inglaterra aos 62 anos de idade, após ter uma vida muito dura.
*Albert Einstein não falou até os 4 anos de idade e aprendeu a ler aos 7. Sua professora o qualificou como “mentalmente lerdo". Foi expulso da escola. Também não foi aceite no Ensino Politécnico de Zurich. E tornou-se num génio, admirado por todos.
*Em 1944, Emmeline Snively, diretora da agência de modelos Blue Book Modeling, disse à candidata Norman Jean Baker (Marilyn Monroe) : “Seria melhor que fizesse um curso de secretaria ou buscasse um bom marido”.
*Ao rejeitar um grupo de rock inglês chamado The Beatles, um executivo de Decca Recording Company disse: “Nós não gostamos desse grupo”.
*Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, em 1876, buscou quem financiasse seu projeto. O Presidente Rutheford Hayes disse: “É um invento extraordinário, mas quem vai usar isso?”
*Thomas Edison fez 2000 experiências até inventar a lâmpada. Um jovem repórter perguntou o porquê de tantos fracassos. Edison respondeu: “Não fracassei nem uma única vez. Inventei a lâmpada. Acontece que foi um processo de 2000 etapas”.
*Aos 46 anos, depois de perder progressivamente a audição, o compositor alemão Ludwig Van Beethoven ficou completamente surdo. E foi assim sem ouvir que compôs boa parte de sua famosa obra. Incluindo 3 sinfonias , em seus 6 últimos anos.
Muitos outros casos haverá que nos levam a dizer que desistir é próprio de quem não acredita em si mesmo.
sábado, março 17, 2007
Pai misericordioso
Hoje e amanhã é lida nas Missas a parábola do filho pródigo (Lucas 15). Trata-se de um dos textos mais ricos e interessantes da Bíblia.
A parábola mostra a imensa misericórdia de Deus para com o homem pecador, mas também as disposições do pecador para encontrar a misericórdia. Deus é misericórdia, mas não invade a liberdade de seus filhos.
Na cena do filho pródigo que passa fome, temos o retrato da nossa miséria quando afastados de Deus. No conflito do filho pródigo com seu irmão temos o retrato do nosso dilema entre a fidelidade e a misericórdia ou falta dela. E no abraço acolhedor que o pai dá ao filho que volta para casa, temos a mensagem do amor incondicional de Deus.
Jesus revela aquilo que os Profetas já pregavam: Deus quer a misericórdia e não os sacrifícios. Só agrada a Deus o que ama o seu próximo.
Os destinatários desta misericórdia são os pobres, os estrangeiros, os miseráveis e os repudiados pela sociedade, aqueles que eram tidos como os mais pecadores entre os filhos de Israel. Para Jesus, o filho pródigo está sempre sendo esperado para ser acolhido. Deus espera-nos como o pai da parábola, estendendo para nós os braços. Mas é necessário que lhe abramos o coração, que tenhamos saudades do lar paterno, que nos maravilhemos e nos alegremos perante o dom que nos fez seus filhos. É preciso que nos deixemos aconchegar pelo abraço misericordioso do Pai.
É curioso que Jesus associe o amor incondicional de Deus à figura do pai. Não seria melhor uma mãe? Não é ela que geralmente está associada à saudade, a braços abertos e ao perdão? Jesus provoca e quer desinstalar as ideias que se têm de paternidade e de Deus.
A parábola ensina uma nova imagem de Deus. A experiência de fé de Jesus permitiu que Ele chamasse Deus de Pai, tirando de Deus aquele ar austero e distante. Pode-se até dizer que o cristianismo nasce dessa experiência de poder chamar Deus de Pai. O Deus de Jesus e dos cristãos é um pai amoroso; que estará sempre pronto a perdoar desde que haja arrependimento.
sexta-feira, março 09, 2007
A confissão

Sabemos que há por parte de muitos cristãos uma grande dificuldade de se reconhecer pecador. Pelo menos perante os outros. O que é certo é que Jesus falou muitas vezes na necessidade dos seus ouvintes se arrependerem e deixarem o pecado. Se não – ouvimos no Evangelho do próximo Domingo – morrereis todos de maneira semelhante, isto é, em pecado.
S. João Evangelista escreve na sua primeira carta, que faz parte do Novo Testamento, o seguinte:
"Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e enganamo-nos a nós mesmos. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a iniquidade".
Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".
No entanto, há hoje por parte de muitos cristãos uma rejeição da confissão. Ora a confissão dos pecados (acusação), mesmo do ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita nossa reconciliação com os outros. Pela acusação, o homem encara de frente os pecados dos quais se tornou culpado: assume a responsabilidade deles e, assim, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, a fim de tornar possível um futuro novo. A declaração dos pecados ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da penitência: "os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo, pois às vezes esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos". (Catecismo no. 1455, 1456) O Novo Testamento diz-nos que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados.
Nos termos da doutrina da Igreja "a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja" (D. C. – cânone 961 § 1)
sábado, março 03, 2007
As duas vizinhas
Não sei se é verdadeira esta história mas que tem uma boa lição, ai isso tem!
Havia duas vizinhas que viviam em pé de guerra. Não podiam encontrar-se pois era briga certa. Uma delas era mesmo por demais. Viver com uma vizinha assim não era fácil. E a D. Carminda ao princípio começou a responder com a mesma moeda, pensando que a outra iria desistir.
Depois de um tempo, a Carminda fartou-se e resolveu propor as pazes à vizinha.
– Minha querida Clotilde, já estamos nesta desavença há tempo demais e não vejo nenhum motivo aparente para continuarmos assim. Proponho que façamos as pazes e vivamos como duas boas amigas.
D. Clotilde, na hora, estranhou a atitude da velha rival e disse que iria pensar no caso. Pelo caminho foi matutando:
– Essa mulher não me engana, está querendo aprontar-me alguma e eu não vou deixar. Vou mandar-lhe um "lindo" presente para ver a sua reacção.
Chegada a casa, preparou um lindo embrulho, cobrindo-o com uma lindo papel, mas encheu-o de esterco já putrefacto para não cheirar mal. Depois despachou-o pelos C. T. T..
– Eu adoraria ver a cara da Carminda ao receber esse 'maravilhoso' presente. Vamos ver se ela vai reagir.
Dentro do embrulho colocou um bilhete: "Aceito a sua proposta de paz e para selarmos nosso compromisso, envio-lhe esse lindo presente".
Ao receber e abrir o presente, D. Carminda quase ia perdendo as estribeiras. Não tinha valido o seu esforço de propor a paz!
– Bem! Deixá-lo... Com pessoas assim não há nada a fazer!
Mas alguns dias mais tarde, D. Carminda achou que o melhor era retribuir a prenda. Foi ao jardim e resolveu apanhar algumas das mais lindas flores do seu jardim. Fez um lido ramo e foi ela própria levá-lo à vizinha.
– O estrume que me enviaste deu este lindo aspecto às minhas flores. Resolvi trazer-te este "bouquet" para veres como elas agradeceram a oferta.
E ali mesmo as duas se beijaram e perdoaram. E acaba a história, contando que nunca mais alguém viu aquelas vizinhas a altercar e muito menos a insultarem-se.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
A cruz e o amor
O papa Bento XVI, na sua mensagem para esta Quaresma de 2007, convida-nos a olhar para Cristo crucificado.
Olhar Jesus na cruz é contemplar o amor de Deus pelos homens. Ele veio ao mundo para nos salvar. E fez tudo o que era necessário para que isso se realizasse. Olhar o crucificado é, pois, abrir-se ao insondável amor com que Deus nos ama. Porque a morte de Jesus, o Filho de Deus, é a mais radical expressão do amor de Deus por nós, contemplar o Crucificado é o caminho mais directo para nos abrirmos a esse amor infinito. Também aí, e sobretudo aí, Cristo é o caminho para o Pai.
Não têm razão os que acham que os cristãos valorizam e olham demasiado para o crucifixo.
«É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontível da misericórdia do Pai celeste» – escreve o Papa. «Para reconquistar o amor da sua criatura, Ele aceitou pagar um preço elevadíssimo: o sangue do seu Filho Unigénito. A morte, que para o primeiro Adão era sinal extremo de solidão e de incapacidade, transformou-se assim no acto supremo de amor e de liberdade do novo Adão. Pode-se então afirmar, com São Máximo, o Confessor, que Cristo 'morreu, se assim se pode dizer, divinamente, porque morreu livremente'».
Ao olhar a cruz, começamos por meditar no que leva alguém que curava, expulsava os demónios e até dava nova vida aos mortos, a sujeitar-se ao suplício da crucificação. Só a amor explica tal doação. Começamos por acreditar nesse amor. «Mas o amor de Deus por cada um de nós pode tornar-se experiência vivida e mesmo sentida. A generosidade absoluta desse amor comove-nos; a ânsia que Deus manifesta de nos amar e de receber o nosso amor, desperta dinamismos profundos, escondidos no nosso coração. Não é só Deus que se sente atraído por nós; no mais íntimo de nós mesmos sentimo-nos atraídos por Deus e essa é uma atracção de amor» – como escreve o Cardeal Patriarca.
E o Papa convida-nos insistentemente a olhar para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a revelação mais perturbadora do amor de Deus. Na Cruz é o próprio Deus que mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Palavras leva-as o vento
Com facilidade se ouve criticar a Igreja ora pelo que faz ora pelo que não faz. Criticar é fácil!
Um dia numa reunião de grupos cristãos de apoio social alguém dizia que na cidade onde vivia, no caso Coimbra, havia muita gente a precisar de ajuda e não conhecia ninguém que levantasse uma palha.
O que dirigia a reunião perguntou-lhe onde morava. Lá lhe disse a rua e a cidade. Calhou que aquele homem vivia mesmo numa rua onde funcionavam três serviços de apoio social da Igreja. E ele não conhecia nenhum! Nem o que lhe ficava mais próximo...
Corria acesa a campanha eleitoral na Bélgica. Um deputado comunista dirigia a palavra a milhares de operários, em Bruxelas. Depois de ter apregoado a liberdade, criticado o capital, defendido as nacionalizações, elogiado os trabalhadores, exaltado o povo, atacou duma maneira agreste e desenfreada a Igreja Católica.
Acabado o discurso, perguntou se alguém desejava tomar a palavra. Adiantou-se um operário que disse assim:
– Eu não estudei, e não sei responder ao que disse o orador. Conto apenas um caso:
Há meses adoeceram os meus dois filhos. Uma freira vinha com frequência visitá-los, trazendo-lhes sempre alguma ajuda. As crianças curaram-se. Como a doença era contagiosa, a minha mulher caiu de cama, logo a seguir, com o mesmo mal. A Irmã levou as duas crianças porque ninguém em casa podia tratar delas. Tomou também sobre si o cuidado da minha mulher, que finalmente começou a levantar-se. Então caí doente também eu, mas a Irmã vinha sempre visitar-nos, trazia remédios, ajudava a minha mulher na vida da casa e tratava-me com muito jeito e caridade. Por último a Irmã contraiu também uma doença e não a tornámos mais a ver. Soube hoje que morreu. Não tenho mais a dizer (Mensageiro do Coração de Jesus, de Itália, 1951).
A impressão causada por estas palavras não se descreve. A palavra humilde e sincera daquele operário valeu mais que todos os argumentos.
Disse Jesus: «Conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes caridade uns para com os outros» (Jo 13, 35). E o apóstolo São João: «Filhinhos, não amemos de palavras e com a língua, mas por obras e de verdade. (1 Jo 3, 1f3).
domingo, fevereiro 11, 2007
Resposta a Frei Bento Domingues
Frei Bento Domingues escreveu um artigo pelo menos polémico. Vindo donde vem nem é de admirar!...
Fica aqui a resposta que lhe deu no Público o conhecido Jesuíta P. António Vaz Pinto:
Importante, para todos, é informar e formar a consciência para que cada um possa decidir e agir em conformidade com a recta razão que é a norma ética. E é aqui que nos devemos situar: o que é conforme à razão, às exigências de natureza humana individual e colectiva?
Ao regressar ao Porto, domingo à noite, debrucei-me sobre a crónica de Frei Bento Domingues, O.P., "Por opção da mulher", como tantas vezes faço e tantas vezes com tanto gosto e proveito... Infelizmente, desta vez, brotou em mim a desilusão, a discordância e a necessidade imperiosa de lhe responder, no contexto de polémica instalada no país, mas muito para lá dela...Limitado pelo tempo e pelo espaço, irei cingir-me a três tópicos referidos na sua crónica, que considero os mais importantes:
1. Consciência e norma ética.Pode ser útil referir Aristóteles, S. Tomás de Aquino ou J. Ratzinger, o actual Papa, para relembrar que a suprema instância de decisão ética para o cristão, acima da própria suprema autoridade eclesiástica, o Concílio ou o Papa, é a consciência individual. É doutrina mais que tradicional. Mas é bom ter presente que este princípio não vale apenas para a questão do aborto; se alguém se afirmar, cristão e simultaneamente, em consciência, defensor da escravatura, da pedofilia ou do racismo, que lhe dirá Frei Bento? Que lhe pode opor? Fica entregue a si próprio e a Deus...
Importante, para todos, é informar e formar a consciência para que cada um possa decidir e agir em conformidade com a recta razão que é a norma ética. E é aqui que nos devemos situar: o que é conforme à razão, às exigências de natureza humana individual e colectiva?
2. A problemática jurídica e penal e os limites da tolerância.Numa sociedade laica e plural como é a nossa - e estou muito contente que assim seja -, os cristãos ou a Igreja não devem nem podem impor a sua "visão" aos outros membros da sociedade. Mas, tal como os membros de outras confissões, agnósticos e ateus, têm todo o direito e até o dever de propor valores e princípios, na busca de um denominador comum que permita a convivência, nunca totalmente pacífica, em sociedade...
É precisamente disso que se trata: o ordenamento jurídico de uma dada sociedade, incluindo o ordenamento penal, tem pressupostos e valores donde brotam as diversas normas. Por exemplo, em Portugal, é proibido o roubo, o homicídio, o racismo, a difamação, etc. Quer isto dizer que a sociedade portuguesa, através dos seus legítimos representantes, legisladores, assume como valores e pressupostos a propriedade, a vida humana, a igualdade racial, o bom nome, etc., consagrando-os como "bens jurídicos", a preservar e defender.
Essa é que é a questão que se coloca a todos nós, no próximo referendo: independentemente da nossa religião (ou ausência dela) em que modelo de sociedade queremos viver? Que valor consideramos maior? A vida humana, raiz de toda a dignidade e de todos os direitos, "inviolável", como diz a nossa própria Constituição (Artº 24, n. 1), ou consideramos que outros valores, vg. saúde, segurança, não humilhação, valem mais do que a própria vida?Dir-se-á: mas ninguém é obrigado a abortar; proibir o aborto é impor aos outros as nossas convicções: proibir a escravatura, o racismo e a pedofilia também é impor as nossas convicções àqueles que pensam doutra maneira... ou será que essas proibições devem desaparecer do Código Penal? Em cada momento, cada sociedade faz escolhas de carácter ético e, embora possa e deva, nas nossas sociedades pluralistas, deixar largas margens de liberdade e não se intrometer na vida e moral privada de cada um, tem de assegurar as normas jurídicas mínimas de convivência social. Quando a liberdade de um colide com a vida e a liberdade de outro, a sociedade pode e deve fazer escolhas e estabelecer limites. E estas escolhas são feitas sabendo-se de antemão que haverá quem não concorde, que haverá sempre maioria e minoria....
O pluralismo não pode ser ilimitado e a própria tolerância levada ao extremo autodestrói-se...
3. "Por opção da mulher"Ao contrário da actual lei - com a qual não concordo, evidentemente (mas que tem o mérito de manter o princípio do respeito pela vida humana e da ilicitude do aborto, apenas abrindo excepções por razões ponderosas) - o que é proposto na pergunta agora colocada a referendo, embora se refira apenas a "despenalização do aborto", corresponde a uma realidade totalmente diferente: desde que praticado em estabelecimento de saúde autorizado e até às dez semanas, a prática do aborto, de facto e de direito, fica totalmente liberalizada e até financiada, dependendo apenas da vontade da mulher. Até às dez semanas, é o total arbítrio...Será isto justo, saudável, estará de acordo com os fundamentos do modelo de sociedade, defensora dos direitos humanos e da dignidade da vida humana, que demorou tantos séculos a construir?Se é certo que a mulher, na sociedade e na Igreja, foi e continua a ser injustamente discriminada, não parece sensato nem justo que se introduza agora uma discriminação positiva, em favor das mulheres, no campo jurídico e penal... O ser humano - homem e mulher - é capaz do pior e do melhor - sem distinção de sexo... Apesar de saber bem o rol de sofrimento da mulher que muitas vezes acompanha a prática do aborto, as pressões, sociais, familiares e afectivas a que está sujeita (muitas vezes do próprio homem que contribuiu para a concepção do feto), entregar à mulher, em total arbítrio, a decisão de vida ou de morte de um ser humano não é justo nem democrático. E diria exactamente o mesmo, é evidente, se o homem fosse o decisor...
Caro Frei Bento, espero encontrá-lo na próxima curva da nossa história, do mesmo lado, o lado da defesa dos direitos humanos, sem sim, nem mas...
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Nem mesmo vencido assine!
Coimbra,
O tecto do velho casarão hospitalar só não caiu porque isto da matéria às vezes resiste muito.
Era na hora da aceitação. A ficha pedia respostas curtas e concretas.
- Profissão?
- Meretriz.
- Filhos?
- Oito.
- Quantos?!
- Oito.
- E todos desde que…
- Todos.
Serena, como se tivesse dito uma coisa sem qualquer importância, continuou de pé, encostada à parede.
- Sente-se.
- Com licença.
Amparou a barriga desmedida, acomodou-se no banco, e continuou a responder.
- Abortos?
- Nenhum.
- Nenhum?!
- Não senhor.
- Na sua vida, de mais a mais…
- Nenhum. Nunca quis.
- E os filhos? Vivos ou mortos?
- Todos vivos e sãos.
- Criados lá?!
- Pois.
As letras do assento vacilavam, inseguras, no papel. Firme, só ela, desgraçada, mas com a sua folha de mãe corrida e limpa.
- Muito bem. Suba.
O nono rebento nasceu como o de qualquer mulher honrada, e a parturiente teve alta esta manhã.
Vou mandar-lhe umas coisas – prometeu um colega, rendido a semelhante grandeza. E acrescentou, só para mim:- Quero auxiliá-la. Isto é tudo uma miséria, mas, diante de uma pureza assim, é preciso que ao menos a gente só assine vencido.
- Acho bem que a proteja – respondi-lhe, a olhá-lo bem. – Mas se quer de facto ajudá-la, siga-lhe o exemplo, e nem mesmo vencido assine.
Miguel Torga, in Diário (Vol. II)
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Aborto e doutrina cristã de sempre
O primeiro catecismo cristão ensina entre outras coisas: «não matarás uma criança com o aborto, não matarás uma criança que tenha já nascido".
Por sua vez a Carta a Diogneto escreve:
«Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem pela pátria, nem pela língua, nem por um género de vida especial. Efectivamente, eles não têm cidades próprias, não usam uma linguagem peculiar e a sua vida nada tem de excêntrico. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoiam, como outros, em qualquer teoria simplesmente humana».
«Vivem em cidades gregas ou bárbaras, segundo as circunstâncias de cada um e seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Cada qual habita a sua pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Toda a terra estrangeira é sua pátria e toda a pátria lhes é estrangeira. Casam-se como toda a gente e criam os seus filhos, mas não se desfazem dos recém-gerados».
Por sua vez, Atenágoras de Atenas escreve: «Nós nem sequer suportamos ver uma pessoa a ser morta porque pensamos que o ver morrer se aproxima muito do próprio acto de matar. E também afirmamos que os que praticam o aborto irão prestar contas a Deus desse acto».
É de notar que todos estes três textos referidos são do século II depois de Cristo e todos concordam numa coisa: o aborto é um acto desumano e anti-cistão.
No nosso país quase toda a gente se diz cristã. Será que querem com o seu voto contribuir para tornar livre tal acto pelo menos até às dez semanas? Não será melhor dizer não e obrigar os políticos a fazer leis que apoiem as mulheres sem condições de criar os seus filhos?
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Referendo:
Tenho lido, ouvido e recebido na redacção alguns comentários e opiniões sobre o próximo referendo ao aborto (para além da propaganda que se vê por todo o lado), que me motivam a esclarecer o que está ou não está em causa no dia 11 de Fevereiro.
1. Quem responder SIM à pergunta feita no referendo está a dizer que concorda que toda e qualquer mulher, pobre ou rica, com muitos, poucos ou nenhuns filhos, saudável ou doente, pode exigir que lhe façam um aborto num estabelecimento de saúde, público ou privado, legalmente aprovado, desde que a gravidez não ultrapasse as dez semanas. Trata-se, pois, de aprovar uma liberalização sem qualquer limite. Nem o pai da criança em gestação se pode opor.
2. Esta liberdade que se quer dar às mulheres de abortar não é justificada sequer por casos "razoáveis": violação, malformação do feto ou perigo de vida da mãe, pois estas causas já estão previstas na lei e assim vão continuar.
3. Os defensores do SIM alegam que a presente lei empurra as mulheres para os tribunais e a prisão. Os cartazes “PARA ACABAR COM A HUMILHAÇÃO” OU "ABSTENÇÃO PARA MANTER A PRISÃO - O SIM RESPONSÁVEL" asseguram que a eventual vitória do Sim terminará com a ida a tribunal e a vexação das mulheres que optam pelo aborto. Mas esta mensagem não é verdadeira. A proposta de alteração em referendo continua a prever a criminalização das que provoquem o aborto após as dez semanas de gestação. Por isso continuarão a ser levadas mulheres a tribunal e homens de óculos escuros tornarão a usar casacos para lhes garantir o anonimato.
4. Mais! Não há mulheres presas por aborto, e as que foram a julgamento continuariam a ir, caso a proposta de referendo fosse aprovada, uma vez que se referem a abortos realizados muito depois das dez semanas.
5. O prazo das 10 semanas é arbitrário, sem fundamentação científica nem outra qualquer que se possa aceitar como razoável. Por mais voltas que se lhe dê, "abortar é mandar uma vida à viola". Com 10 ou mais ou menos semanas de gestação o certo é que são crianças que não vão poder nascer.
Quererá o povo português que isto aconteça? Não estarão uns tantos a querer dizer-lhe que se trata apenas de não castigar as mulheres que abortam? Quisessem os governantes e teriam outros meios de defender e ajudar as mulheres!
domingo, janeiro 21, 2007
Declaração que posso subscrever
Vale a pena conhecer a declaração de Luís Marques Mendes. presidente do PSD, sobre o aborto:
«Na verdade, a vida humana individual não pode ser considerada nunca um meio ou instrumento. É sempre um fim em si mesma. É um valor superior a todos os outros, anterior e superior à própria lei e ao próprio Estado. A liberdade é certamente um valor muito importante, mas tem um limite absoluto que é o respeito pela vida dos outros seres humanos.
Não ignoro, é certo, o problema social que é o aborto clandestino. Conheço-o e sou muito sensível a esse drama. Penso, todavia, que esse mal, que já foi reduzido em relação ao passado, se deve combater, como todos os males sociais e económicos, com medidas enérgicas, sociais, educativas e económicas. Será o caso da protecção da natalidade e da família, do planeamento familiar, da educação sexual dos jovens ou do incentivo à adopção de crianças não desejadas.
Sei bem que este é um discurso recorrente e que, apesar disso, muito há ainda a fazer. E não desconheço que, nesta matéria, todos os Governos têm prometido muito e realizado pouco.
Mas, fora esta responsabilidade que todos devemos partilhar, a questão central é esta: numa correcta hierarquia de valores a escolha só pode ser defender a vida, não destrui-la.
E não se diga que esta é uma tarefa difícil.
Também é difícil combater a corrupção, mas combatêmo-la. Não a legalizamos.
Também é difícil combater o tráfico de droga, mas combatêmo-lo. Não o legalizamos.
O mal combate-se. Não se legaliza. Por maioria de razão, quando o bem a defender é uma vida humana.»
Ler a totalidade da declaração aqui
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Confissão de um ex-abortista
Um dos grandes responsáveis pela prática de abortos nos Estados Unidos converteu-se, há já vários anos, à defesa da vida e explica como é que fizeram para que nos Estados Unidos fosse aprovada a permissão do aborto. Deixamos aqui, em resumo, a explicação do médico ex-abotista Bernard Nathanson:A primeira táctica foi persuadir os meios de comunicação social de que permitir o aborto era uma causa de pessoas esclarecidas e progressistas e que 60% dos americanos concordavam que se liberalizasse o aborto. Dissemos e repetimos que o número de abortos ilegais feitos anualmente nos E.U.A eram um milhão. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passámos aos meios de comunicação o número de 10.000 mortes. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentámos na opinião pública foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1500% desde a legalização.
A segunda táctica foi aviltar sistematicamente a Igreja Católica e suas “ideias socialmente retrógradas” e apontámos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi repetido incessantemente. O facto de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente esquecido.
A terceira táctica foi o descrédito e a supressão de toda a evidência científica de que a vida começa na concepção. Uma táctica pró-aborto favorita é a insistência em que isso é uma questão teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica.
«Perguntam-me com frequência as pessoas o que me fez mudar de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me director de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero – a ecografia. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a protecção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta».
«Então porque é que há médicos que conhecem bem a vida intra-uterina dos fetos através das ecografias e continuam a destruir a vida das crianças em gestação?, tenho ouvido também. Respondo: Porque o aborto é uma indústria que movimenta muitos milhões. E com esses milhões prosperam as empresas abortistas e seus funcionários!»
