Hoje e amanhã é lida nas Missas a parábola do filho pródigo (Lucas 15). Trata-se de um dos textos mais ricos e interessantes da Bíblia.
A parábola mostra a imensa misericórdia de Deus para com o homem pecador, mas também as disposições do pecador para encontrar a misericórdia. Deus é misericórdia, mas não invade a liberdade de seus filhos.
Na cena do filho pródigo que passa fome, temos o retrato da nossa miséria quando afastados de Deus. No conflito do filho pródigo com seu irmão temos o retrato do nosso dilema entre a fidelidade e a misericórdia ou falta dela. E no abraço acolhedor que o pai dá ao filho que volta para casa, temos a mensagem do amor incondicional de Deus.
Jesus revela aquilo que os Profetas já pregavam: Deus quer a misericórdia e não os sacrifícios. Só agrada a Deus o que ama o seu próximo.
Os destinatários desta misericórdia são os pobres, os estrangeiros, os miseráveis e os repudiados pela sociedade, aqueles que eram tidos como os mais pecadores entre os filhos de Israel. Para Jesus, o filho pródigo está sempre sendo esperado para ser acolhido. Deus espera-nos como o pai da parábola, estendendo para nós os braços. Mas é necessário que lhe abramos o coração, que tenhamos saudades do lar paterno, que nos maravilhemos e nos alegremos perante o dom que nos fez seus filhos. É preciso que nos deixemos aconchegar pelo abraço misericordioso do Pai.
É curioso que Jesus associe o amor incondicional de Deus à figura do pai. Não seria melhor uma mãe? Não é ela que geralmente está associada à saudade, a braços abertos e ao perdão? Jesus provoca e quer desinstalar as ideias que se têm de paternidade e de Deus.
A parábola ensina uma nova imagem de Deus. A experiência de fé de Jesus permitiu que Ele chamasse Deus de Pai, tirando de Deus aquele ar austero e distante. Pode-se até dizer que o cristianismo nasce dessa experiência de poder chamar Deus de Pai. O Deus de Jesus e dos cristãos é um pai amoroso; que estará sempre pronto a perdoar desde que haja arrependimento.









