quarta-feira, janeiro 31, 2007
Aborto e doutrina cristã de sempre
O primeiro catecismo cristão ensina entre outras coisas: «não matarás uma criança com o aborto, não matarás uma criança que tenha já nascido".
Por sua vez a Carta a Diogneto escreve:
«Os cristãos não se distinguem dos outros homens nem pela pátria, nem pela língua, nem por um género de vida especial. Efectivamente, eles não têm cidades próprias, não usam uma linguagem peculiar e a sua vida nada tem de excêntrico. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoiam, como outros, em qualquer teoria simplesmente humana».
«Vivem em cidades gregas ou bárbaras, segundo as circunstâncias de cada um e seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Cada qual habita a sua pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Toda a terra estrangeira é sua pátria e toda a pátria lhes é estrangeira. Casam-se como toda a gente e criam os seus filhos, mas não se desfazem dos recém-gerados».
Por sua vez, Atenágoras de Atenas escreve: «Nós nem sequer suportamos ver uma pessoa a ser morta porque pensamos que o ver morrer se aproxima muito do próprio acto de matar. E também afirmamos que os que praticam o aborto irão prestar contas a Deus desse acto».
É de notar que todos estes três textos referidos são do século II depois de Cristo e todos concordam numa coisa: o aborto é um acto desumano e anti-cistão.
No nosso país quase toda a gente se diz cristã. Será que querem com o seu voto contribuir para tornar livre tal acto pelo menos até às dez semanas? Não será melhor dizer não e obrigar os políticos a fazer leis que apoiem as mulheres sem condições de criar os seus filhos?
sexta-feira, janeiro 26, 2007
Referendo:
Tenho lido, ouvido e recebido na redacção alguns comentários e opiniões sobre o próximo referendo ao aborto (para além da propaganda que se vê por todo o lado), que me motivam a esclarecer o que está ou não está em causa no dia 11 de Fevereiro.
1. Quem responder SIM à pergunta feita no referendo está a dizer que concorda que toda e qualquer mulher, pobre ou rica, com muitos, poucos ou nenhuns filhos, saudável ou doente, pode exigir que lhe façam um aborto num estabelecimento de saúde, público ou privado, legalmente aprovado, desde que a gravidez não ultrapasse as dez semanas. Trata-se, pois, de aprovar uma liberalização sem qualquer limite. Nem o pai da criança em gestação se pode opor.
2. Esta liberdade que se quer dar às mulheres de abortar não é justificada sequer por casos "razoáveis": violação, malformação do feto ou perigo de vida da mãe, pois estas causas já estão previstas na lei e assim vão continuar.
3. Os defensores do SIM alegam que a presente lei empurra as mulheres para os tribunais e a prisão. Os cartazes “PARA ACABAR COM A HUMILHAÇÃO” OU "ABSTENÇÃO PARA MANTER A PRISÃO - O SIM RESPONSÁVEL" asseguram que a eventual vitória do Sim terminará com a ida a tribunal e a vexação das mulheres que optam pelo aborto. Mas esta mensagem não é verdadeira. A proposta de alteração em referendo continua a prever a criminalização das que provoquem o aborto após as dez semanas de gestação. Por isso continuarão a ser levadas mulheres a tribunal e homens de óculos escuros tornarão a usar casacos para lhes garantir o anonimato.
4. Mais! Não há mulheres presas por aborto, e as que foram a julgamento continuariam a ir, caso a proposta de referendo fosse aprovada, uma vez que se referem a abortos realizados muito depois das dez semanas.
5. O prazo das 10 semanas é arbitrário, sem fundamentação científica nem outra qualquer que se possa aceitar como razoável. Por mais voltas que se lhe dê, "abortar é mandar uma vida à viola". Com 10 ou mais ou menos semanas de gestação o certo é que são crianças que não vão poder nascer.
Quererá o povo português que isto aconteça? Não estarão uns tantos a querer dizer-lhe que se trata apenas de não castigar as mulheres que abortam? Quisessem os governantes e teriam outros meios de defender e ajudar as mulheres!
domingo, janeiro 21, 2007
Declaração que posso subscrever
Vale a pena conhecer a declaração de Luís Marques Mendes. presidente do PSD, sobre o aborto:
«Na verdade, a vida humana individual não pode ser considerada nunca um meio ou instrumento. É sempre um fim em si mesma. É um valor superior a todos os outros, anterior e superior à própria lei e ao próprio Estado. A liberdade é certamente um valor muito importante, mas tem um limite absoluto que é o respeito pela vida dos outros seres humanos.
Não ignoro, é certo, o problema social que é o aborto clandestino. Conheço-o e sou muito sensível a esse drama. Penso, todavia, que esse mal, que já foi reduzido em relação ao passado, se deve combater, como todos os males sociais e económicos, com medidas enérgicas, sociais, educativas e económicas. Será o caso da protecção da natalidade e da família, do planeamento familiar, da educação sexual dos jovens ou do incentivo à adopção de crianças não desejadas.
Sei bem que este é um discurso recorrente e que, apesar disso, muito há ainda a fazer. E não desconheço que, nesta matéria, todos os Governos têm prometido muito e realizado pouco.
Mas, fora esta responsabilidade que todos devemos partilhar, a questão central é esta: numa correcta hierarquia de valores a escolha só pode ser defender a vida, não destrui-la.
E não se diga que esta é uma tarefa difícil.
Também é difícil combater a corrupção, mas combatêmo-la. Não a legalizamos.
Também é difícil combater o tráfico de droga, mas combatêmo-lo. Não o legalizamos.
O mal combate-se. Não se legaliza. Por maioria de razão, quando o bem a defender é uma vida humana.»
Ler a totalidade da declaração aqui
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sexta-feira, janeiro 19, 2007
Confissão de um ex-abortista
Um dos grandes responsáveis pela prática de abortos nos Estados Unidos converteu-se, há já vários anos, à defesa da vida e explica como é que fizeram para que nos Estados Unidos fosse aprovada a permissão do aborto. Deixamos aqui, em resumo, a explicação do médico ex-abotista Bernard Nathanson:A primeira táctica foi persuadir os meios de comunicação social de que permitir o aborto era uma causa de pessoas esclarecidas e progressistas e que 60% dos americanos concordavam que se liberalizasse o aborto. Dissemos e repetimos que o número de abortos ilegais feitos anualmente nos E.U.A eram um milhão. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passámos aos meios de comunicação o número de 10.000 mortes. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentámos na opinião pública foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1500% desde a legalização.
A segunda táctica foi aviltar sistematicamente a Igreja Católica e suas “ideias socialmente retrógradas” e apontámos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi repetido incessantemente. O facto de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente esquecido.
A terceira táctica foi o descrédito e a supressão de toda a evidência científica de que a vida começa na concepção. Uma táctica pró-aborto favorita é a insistência em que isso é uma questão teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica.
«Perguntam-me com frequência as pessoas o que me fez mudar de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me director de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero – a ecografia. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a protecção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta».
«Então porque é que há médicos que conhecem bem a vida intra-uterina dos fetos através das ecografias e continuam a destruir a vida das crianças em gestação?, tenho ouvido também. Respondo: Porque o aborto é uma indústria que movimenta muitos milhões. E com esses milhões prosperam as empresas abortistas e seus funcionários!»
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segunda-feira, janeiro 15, 2007
Pena de morte
O enforcamento de Saddam, ex-ditador do Iraque, foi causador da morte de pelo menos três jovens que resolveram enforcar-se também. As imagens do nó a ser apertado em volta do pescoço de Saddam Hussein foram divulgadas por televisões do mundo inteiro. E a execução foi imitada por adolescentes na Índia, Paquistão, e Estados Unidos, morrendo assim dois miúdos e uma rapariga.Lembro-me que ainda antes do 25 de Abril de 1974, uma correspondente local dum jornal diário me veio pedir ajuda para elaborar uma notícia duma tentativa de suicídio de determinada pessoa da terra onde então eu residia. Depois de muita insistência, anui a redigir uma pequena notícia do acontecido, enaltecendo a coragem da mulher que lhe cortou a corda, conseguindo anular a tentativa de morte daquele homem. Pois mesmo assim, o jornal não publicou nenhuma referência ao sucedido, desculpando-se com a lei da censura que proibia tais notícias.
Só anos mais tarde entendi que essa era uma medida acertada, pois há sempre espíritos fracos que podem fazer o mesmo. E o que me fez entender isto foi o desabafo de alguém que, perante o comentário de uma notícia chocante de assassínio de uma esposa, notícia essa veiculada por todos os órgãos de comunicação, disse publicamente que "qualquer dia ira fazer o mesmo à sua mulher".
Hoje instalou-se no ocidente uma mentalidade doentia em que são os próprios governantes a propor a despenalização de práticas de morte de outros seres humanos. É o caso da eutanásia e do aborto. Não admira pois que alguns pais sejam autênticos carrascos das suas crianças, em selvajarias que pensávamos há muito ultrapassadas. E que alguns filhos maltratem duramente os seus pais velhinhos ou doentes. É que o desrespeito da vida pega-se!
Portugal aboliu a pena de morte para crimes políticos em 1852 e para crimes civis em 1867, sendo assim pioneiro nesta questão de direitos humanos. Neste aspecto nada tem a aprender dos outros países. Se agora vencer o não à despenalização do aborto, poderá também afastar o perigo de se ver confrontado com a morte forçada de doentes incuráveis ou de deficientes. E isto será tudo menos atraso civilizacional.
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segunda-feira, janeiro 08, 2007
A gratidão é muito linda
A menina aproximou-se da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine. Seus olhos brilharam quando viu um determinado objecto. Entrou na loja e pediu para ver a linda bracelete .
–"É para a minha irmã. Pode fazer um pacotinho bonito?"
O dono da loja olhou desconfiado para a menina e perguntou-lhe:
– "Tens dinheiro para a pagar?!" Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:
– "Isso dá?" Eram várias moedas que ela exibia orgulhosa.
– "Sabe, quero dar este presente à minha irmã mais velha. Desde que a nossa mãe morreu, ela cuida da gente. É o aniversário dela e tenho a certeza que ficará feliz com esta prenda".
O homem foi para o interior da loja, colocou o objecto num estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
– "Toma!", disse para a garota. – "Leva com cuidado".
Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos compridos entrou na loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
– "Esta bracelete foi comprada aqui?"
– "Sim, senhora."
– "E quanto custou?"
– "Ah!, disse o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente".
A moça continuou: "Mas a minha irmã tinha pouco dinheiro! A bracelete é de ouro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-la!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu-o à jovem.
– "Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo o que tinha".
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem, enquanto as suas mãos agarravam o pequeno embrulho.
–"É para a minha irmã. Pode fazer um pacotinho bonito?"
O dono da loja olhou desconfiado para a menina e perguntou-lhe:
– "Tens dinheiro para a pagar?!" Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:
– "Isso dá?" Eram várias moedas que ela exibia orgulhosa.
– "Sabe, quero dar este presente à minha irmã mais velha. Desde que a nossa mãe morreu, ela cuida da gente. É o aniversário dela e tenho a certeza que ficará feliz com esta prenda".
O homem foi para o interior da loja, colocou o objecto num estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
– "Toma!", disse para a garota. – "Leva com cuidado".
Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos compridos entrou na loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
– "Esta bracelete foi comprada aqui?"
– "Sim, senhora."
– "E quanto custou?"
– "Ah!, disse o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente".
A moça continuou: "Mas a minha irmã tinha pouco dinheiro! A bracelete é de ouro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-la!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu-o à jovem.
– "Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo o que tinha".
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem, enquanto as suas mãos agarravam o pequeno embrulho.
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quarta-feira, janeiro 03, 2007
Déficit de crianças
Em Portugal nascem cada vez menos bebés. Contas feitas, estima-se que para uma renovação de gerações, ou seja, para que o número de partos fosse superior ao número de óbitos, seriam necessários mais 47 mil nascimentos por ano. Isto porque nas duas últimas décadas a quebra na natalidade fez com que ‘não nascessem’ 900 mil crianças.Esta interpretação é feita pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) face aos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao número de nascimentos no País.
Esta conclusão leva o dirigente da APFN a defender que o número de filhos devia ser um factor a entrar para o cálculo da pensão de reforma das famílias. Pela mesma lógica, Fernando Castro considera o referendo sobre o aborto "um disparate".
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Natalidade
sábado, dezembro 30, 2006
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Para repor a verdade
Como já vem sendo costume, alguns jornalistas gostam (ou são incapazes de compreender?!)
de deturpar o que é dito por membros da Igreja Católica.
Foi o caso da Homilia de Natal do Administrador Apostólico do Porto.
P0r isso aqui fica na íntegra:
É grave e importante o acontecimento que celebramos hoje. Tão grave e tão importante que muitos dos que se cruzaram nestes dias nas ruas de cidades e aldeias passaram-lhe ao lado. E talvez nós próprios não tenhamos acordado para a gravidade do mistério que nos envolve. Precisamos de parar, meditar e rezar…
Há dois movimentos nos relatos bíblicos do Natal: um mais ascendente, que se concretiza em S. Lucas. O evangelista detém-se especialmente no relato histórico e em pormenores que mostram que Jesus, pobre, nascido no seio de uma família humilde, moradora num canto esquecido do império romano, realiza as promessas do Antigo Testamento: este Jesus é o Messias, Filho de Deus.
Outro movimento, descendente, concretiza-se em S. João e diz que o Verbo eterno de Deus, pelo qual foi feita a primeira criação, encarnou no tempo na Pessoa de Jesus de Nazaré, para fazer uma nova criação: a redenção do homem decaído pelo pecado original. O Prefácio do Evangelho de S. João, que acabámos de ouvir, é o resumo dessa teologia da Encarnação.
No princípio era o Verbo. O Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele. E o Verbo fez-se carne e morou entre nós. A todos que O receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus.
O Verbo fez-se carne.
S. João teve tempo para reflectir a fé das comunidades primitivas. E deixou-nos este testemunho magnífico de quem viu e conviveu com o Verbo da Vida. Acreditou n'Ele com muitos outros e escreveu que o Filho unigénito que estava no seio do Pai veio ao que era seu e deu a conhecer o Deus que jamais alguém viu.
O Verbo é a Palavra de Deus. O Logos, a razão primordial, a Palavra criadora, pode parecer um ser insensível, distante, pura razão. Mas o Logos é um AMANTE com toda a paixão. Ele veio revelar-nos que Deus não é um ser insensível, mas o amor apaixonado pelo homem. Cristo é o Amor encarnado do Pai. A figura de Cristo dá carne e sangue aos conceitos. É o próprio Deus que vem ao encontro da ovelha perdida, da humanidade sofredora e transviada. E assim se revela o que é o ponto fundamental de toda a Revelação do Novo Testamento: Deus é Amor (cf. Encíclica de Bento XVI, n.º 12).
E o Amor de Deus fez-se carne.
É aqui que reside a diferença entre a fé cristã e as outras religiões monoteístas ou não. Acreditamos num só Deus, como os Hebreus e os Muçulmanos. Mas o Deus cristão é amor em três Pessoas, a SS. Trindade.
Hebreus e Muçulmanos, como outros crentes de outras religiões, têm fé num Deus transcendente. Mas estão longe de acreditar que Ele tenha encarnado. Aliás, temos de confessar que era muito difícil para um judeu admitir a Encarnação. É preciso ter-se vivido o itinerário espiritual de um S. Paulo, para se medir a enorme dificuldade que representa para um judeu ortodoxo o mistério da Encarnação… Se os companheiros de Jesus acabaram por acreditar que Ele era Deus e era o Filho de Deus, é porque Ele lho tinha dito com força suficiente para convencer cabeças duras e lho tinha provado, sobretudo depois da Ressurreição (O Deus de Jesus, pág. 18)
Os cristãos afirmam com S. João: O Verbo era Deus. E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós. Por amor do homem, o Filho veio ao que era seu, para que os seus O recebessem.
Esta lei da Encarnação deve inspirar toda a nossa pastoral.
É uma atitude primordial do Pastor. E inspira o homem e a mulher de fé. Cristo, sendo rico, fez-se pobre. Sendo transcendente, desceu do seu trono de glória e veio ao seio do povo. Ressoam aos nossos ouvidos as palavras do Êxodo: Ouvi os gritos do meu povo e desci para o libertar. Precisamos de descer dos nossos palácios de interiores, dos tronos da nossa importância e ir ao encontro da ovelha perdida e regressar a cantar, para ir dizer aos vizinhos e amigos: "Encontrei a ovelha tresmalhada!"
Não podemos remeter-nos ao templo e ao adro das igrejas. Passada a cristandade sociológica, torna-se necessário descer à rua e ir ao encontro dos homens onde eles estão, ir sobretudo à procura dos que gritam justiça ou sofrem, no segredo, as pobrezas deste tempo. Recordo as palavras de Bento XVI, quando ainda era apenas um teólogo de renome: Talvez tenhamos de nos despedir das ideias de uma Igreja de massas. Estamos possivelmente perante uma época diferente e nova da história. Nela o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda, em pequenos grupos, aparentemente sem importância, mas que vivem intensamente contra o Mal e que trazem o Bem para o mundo, que deixam Deus entrar… Existem (hoje) formas fortes de presença da fé que voltam a dar ânimo, dinamismo e alegria às pessoas… (O Sal da Terra, 1996).
Meditemos e guardemos: é preciso despedir-nos de uma "Igreja de massas"; o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda; há grupos e formas fortes de presença da fé; é preciso descer à rua e ir ao encontro do homem vivo.
De muitas maneiras falou Deus outrora aos nossos Pais pelos profetas; nestes últimos dias falou-nos pelo se Filho (Hebreus 1,1-2).
É como se dissera : O que antigamente disse Deus pelos profetas a nossos Pais, nestes dias falou-nos pelo Filho, tudo de uma vez. Quem agora quisesse consultar a Deus, ouviria certamente esta resposta: Se já te falei todas as coisas na minha Palavra que é o meu Filho e não tenho outra, que te posso eu responder agora? Põe os olhos só n'Ele, porque n'Ele disse tudo. Este é o meu Filho muito amado: Escutai-O!
Olha-O bem e não acharás nada a pedir-me nem desejarás revelações ou visões. Se quiseres que Eu te responda alguma palavra de consolo, olha para meu Filho. Se quiseres saber coisas ocultas, põe n'Ele os olhos. Segundo o meu Apóstolo, estão n'Ele todos os tesouros de sabedoria e ciência.
(S. João da Cruz, Obras Completas, páginas 196 a 198)
"Jesus" quer dizer: "Deus salva". Foi o nome que o Anjo, vindo da parte de Deus, indicou a Maria para que o desse ao seu Menino.
No Natal começa, de facto, a salvação dos homens. É bom e útil olhar bem este Salvador que aparece no meio de nós na figura de uma criança, vulnerável, frágil, desarmada.
É fácil abafar a criança. Esta sociedade de consumo, de esbanjamento na festa dos presentes e de luminosas decorações de cidades, vilas e aldeias, sufoca a criança, com o que lhe dá e com o que lhe tira. Há coisas interessantes no Natal: poesia, certo verniz de generosidade, um ar de emoção. Mas é tudo passageiro. Bem cantam os poetas que "natal é quando um homem quer". A dificuldade está em saber que "natal" querem os homens.
O Deus Menino é sufocado, porque muitas das nossas atitudes o impedem de crescer dentro de nós e assim Ele fica criança toda a vida.
O cristão tem de crescer com Jesus, em idade, sabedoria e graça, diante de Deus e diante dos homens.
O cristão tem de ouvir a Palavra de Jesus adulto, a palavra que Ele nos deixou como alimento, na Escritura e na Eucaristia, porque aí a palavra transforma o Pão e o Vinho em alimento espiritual.
Vem aí um período de escolha da vida das crianças por nascer. A vida é o dom mais precioso que temos e ninguém pode dispor da vida própria, muito menos da vida alheia. O Mandamento que vem de há muitos séculos diz: "Não matarás!"
Vamos acolher o Menino Jesus em nossos corações e n'Ele amar todas as crianças, mesmo aquelas que não conhecem pai nem mãe. Estamos a regressar ao tempo dos "expostos", dos meninos da Roda dos Mosteiros da Idade Média. E tanto mal se tem dito da Idade Média!
A Maternidade de Maria começou com a Anunciação, efectivou-se no dia em que deu à luz o seu Filho primogénito e prolonga-se pelo tempo fora. As mães de hoje precisam de atenção, carinho e apoio em todas as situações. Mais do que no "dia mundial", o dia da Mãe é quando ela dá à luz um filho, o acarinha e educa pela vida fora.
Todas as "interrupções" naturais ou provocadas são actos "prematuros", imaturos, antes do tempo…, são o fim de um processo que devia desaguar na vida.
É dia de Natal. Dêmos às crianças o direito de nascer. Dêmos aos esposos o direito e o dever de fazerem surgir a vida. Dêmos ao Menino do Presépio o direito de entrar, com sua licença, no coração dos homens desta geração. Dêmos às crianças, jovens ou adultos, a possibilidade de crescerem em idade, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. E nós todos colaboremos no nascimento e crescimento de um mundo melhor, isto é, segundo coração de Deus.
Hoje, o caminho de Belém está obstruído por detritos de orgulho, vaidade, egoísmo, indiferença e violência. Há que limpar o caminho que conduz a Belém.
É Natal! Prepara o berço, ou seja, prepara o teu coração, porque lá quer nascer Jesus. (cf. Ângelo Comastri, Prepara o berço: É Natal, pág. 5-6)
Catedral do Porto, 25 de Dezembro de 2006
D. João Miranda, Administrador Apostólico da Diocese do Porto»
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domingo, dezembro 24, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Quando Deus fecha uma porta...
A descida do Filho de Deus à terra, fazendo-se homem, vem provar-nos que Deus nos ama acima de todas as outras criaturas. E ama sobretudo os pequenos, os fracos, os pobres.E mais: ensinou-nos que fazer bem a esses necessitados da nossa ajuda é como se fosse feito a Ele.
Há quem pense que um deficiente, que tem de ser englobado nesta categoria de pobres, é um peso para a família e para a sociedade e por isso nem sequer devia nascer. Mas quem lida com gente assim sabe que também eles amam a vida.
Vem isto a propósito de um vídeo que encontrei na internet sobre a vida de Tony Melendez . Este homem nasceu sem braços. Já tinha ouvido falar nele mas uma coisa é ouvir outra coisa é ver.
Agora imagine: sem braços e ainda assim guia um carro... Mas não só isso: toca guitarra também. E sem qualquer braço artificial. Parece impossível! Tony nasceu na Nicarágua e hoje é músico consagrado nos Estado Unidos, para onde se mudou com seus pais com um ano de idade, em busca de ajuda médica para corrigir um defeito num dos pés. Na gravidez, sua mãe fez uso do medicamento talidomida, o que provocou a deformidade física. Mas Tony não deixou que a falta dos braços o impedisse de viver. E viver com alegria. Jamais permitiu que a limitação física lhe tirasse o prazer de cantar. Desde muito pequeno começou a tocar algumas notas musicais com os pés e logo descobriu que poderia afinar a guitarra de forma a atender sua necessidade. Aos 18 anos Tony já tocava e cantava em eventos especiais, e fazia sucesso. Mas ele não canta, apenas. É compositor também. Aos 25 anos, Tony teve a oportunidade de tocar guitarra com os pés e cantar para milhares de jovens, na presença do papa João Paulo II, na cidade de Los Ângeles, no ano de 1987. Desde aí ficou a ser conhecido em todo o mundo.
E quem diria?! Tem uma vida que muitos invejam. E também casou e tem dois filhos adoptivos.
Há tempos um jornalista perguntou-lhe: "Que mensagem o Tony Melendez daria àqueles quem têm algum problema na vida e estão tristes?" «Nunca percam a fé! Quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela!...»
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Deficientes
sábado, dezembro 16, 2006
É preciso abrir os olhos
A campanha para o referendo já começou. O Presidente da República marcou-o para 11 de Fevereiro. Os movimentos vão-se organizando e as primeiras iniciativas estão já na rua. O «não» trouxe a Lisboa e a outras cidades portuguesas quatro mulheres da "Justice Foundation" americana, entre elas a que esteve na origem da liberalização do aborto nos Estados Unidos. As três senhoras que abortaram contaram as suas dramáticas histórias. Na sequência dessa opção, tomaram drogas e álcool e tentaram suicidar-se, por se sentirem culpadas de destruir novos seres. As três falaram do seu arrependimento e disseram que o fizeram por pressão do marido ou do namorado. Todas elas estão hoje arrependidas e lutam para que o aborto seja banido das leis."Os meus advogados não me disseram que ia ser responsável pela destruição de 43 milhões de bebés e das suas vidas", afirmou por sua vez Norma McCorvey. Tomou drogas e álcool, mas só teve consciência de que o aborto "é um crime contra a humanidade" depois de, em 1992, se tornar conselheira numa clínica de aborto e dar com uma arca cheia de fetos mortos.
Nos anos 70, a referida mulher iniciou uma batalha legal que levaria à consagração do aborto enquanto direito constitucionalmente protegido nos EUA. Norma McCorvey protagonizou o caso Roe v. Wade que chegou até ao Supremo Tribunal e criou jurisprudência, que nos EUA tem força de lei. Quando lhe foi permitido abortar já tinha tido o bebé, que deu para adopção. Durante anos trabalhou em clínicas de aborto, mas no final dos anos 90 passou de defensora do aborto para uma activista das organizações pró-vida.
Em 1997, fundou a «Roe No More Ministry», com a intenção de expor todas as mentiras contadas por ela própria no caso Roe v. Wade e no ano seguinte lançou a sua autobiografia, «Won By Love».
Desde então, tem-se dedicado a falar sobre a sua experiência pelo mundo fora. Participa na «Justice Foundation's Operation Outcry», uma fundação que se dedica a recolher informação sobre mulheres que fizeram um aborto, na tentativa de melhor as ajudar a ultrapassar o luto e de conseguir a mudança das leis permissivas.
Estas mulheres falam do que viveram e ainda sentem na pele. Só quem nunca ouviu testemunhos parecidos de pessoas que conhece é que pode duvidar da sua sinceridade. O "sim" à despenalização do aborto vai abrir caminho à sua multiplicação. São crianças que se perdem e mulheres que se arruinam.
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quarta-feira, dezembro 13, 2006
Blogues pelo "não"
Aproveitando o trabalho de Timshel, copio para aqui uma lista dos blogues que expressamente defendem que se responda "não" à questão que vai ser submetida ao referendo sobre o aborto, independententemente do respectivo conteúdo e da fundamentação da sua resposta. Acrescentei mais alguns (não incluindo os sítios que não têm a forma de blogue, que são numerosos), e retirei este onde escrevo.Como diz também Timshel, se faltar alguém que deseje constar desta lista, ou se nela estiver alguém que não pretenda estar, basta dizer e a sua vontade será satisfeita. Creio que haverá muitos mais!
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quarta-feira, dezembro 06, 2006
Testemunhos vivos
De há uns dias para cá têm-me chegado vários testemunhos de pessoas que contam a sua amargura por terem feito o aborto. E dizem que o fazem para evitar que outras caiam no mesmo erro.
Refiro apenas um dos casos que mais me impressionou. "Já tinha dois filhos. O meu marido não aceitava que eu tivesse outra criança. A vida estava difícil e era quase impossível criar mais outra. Resisti mas acabei por ser convencida a procurar uma abortadeira que me fez algumas perguntas e depois me examinou. Disse-me que a gravidez estava muita adiantada e assim era arriscado praticar o aborto. Fui para casa banhada em lágrimas" – escreve esta mãe.
E continua contando que teve uma menina. Os anos passaram e esta sua filha tem hoje 13 anos. "Quando olho para ela, sinto sempre um misto de alegria e amargura. Eu fiz tudo para que ela não vivesse. Se ela o soubesse iria odiar-me. O que mais temo é que ela um dia o venha mesmo a saber."
Lembrou-me esta confidência o caso de Franco Zeffirélli, cineasta de renome mundial, que realizou vários filmes, entre os quais "Jesus de Nazaré" e o "Campeão". Ele próprio conta :
"Sei bem o que significa nascer contra a vontade dos outros, pois sou filho ilegítimo".
Era realmente fruto de um duplo adultério: o pai, Ottorino Córsi, comerciante de seda, era casado; sua mãe, Adelaide Garósi, modista da alta sociedade florentina, casada era também.
"O meu nascimento foi um escândalo. A minha mãe, que era modista, perdeu toda a clientela da mais fina sociedade de Florença. Desde o primeiro momento teve que vencer mil obstáculos para que eu nascesse. Até a sua mãe (minha avó) queria que ela abortasse. Diziam que eu estaria condenado à rejeição social. Contudo, ela negou-se redondamente a abortar... Sou uma espécie de aborto fracassado; por isso aprecio mais o milagre da vida".
"Hoje falo destas coisas como se se tratasse doutra pessoa. Passar a infância em meio de situações irregulares, mas sempre ao afago do amor, isso é que teve influência em mim".
Zeffirélli passou grande parte da infância no "Abrigo dos Inocentes" de Florença, onde se recolhiam as crianças abandonadas.
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quinta-feira, novembro 30, 2006
A ignorância é atrevida!
Não sei se algum dos meus leitores alguma vez teve que aturar uma criatura como a que vou apresentar neste post.- Os católicos brincam com a bíblia. O que Deus lá escreveu está escrito e ninguém pode mudar – começou por me dizer com cara de poucos amigos.
– Mas porque é que diz isso? – perguntei-lhe.
- É que quando a Bíblia fala na possessão diabólica, o senhor diz que isso tem de ser interpretado à luz do que se pensava ao tempo sobre as doenças nervosas ou lá o que é. O que lá está escrito é o que Deus lá pôs ou mandou pôr. Não é para agora cada um interpretar a seu jeito.
– Olhe lá – perguntei-lhe – acha que se deve levar à letra o que Jesus diz: «Se a tua mão ou o teu pé te levam a cair em pecado, corta-os que é melhor entrar maneta ou coxo no reino do Céus do que ir parar ao inferno com ambas as mãos e pés? E se os teus olhos te fazem pecar, lança-os fora, pois é melhor salvar-se sem os olhos do que ir com eles para a geena do fogo?»
Pensei que se desse por vencida, mas aquela "santa" arranjou logo uma explicação:
– Aí é bem de ver que Deus não quer que todos fiquemos cegos ou sem pés ou mãos! Mas a Bíblia é para levar a sério, sem falsas interpretações...
Percebi que não valia a pena discutir. Estava diante duma católica que só o era porque ainda não lhe tinha aparecido alguém de uma seita cristã fundamentalista. Mas atirei-lhe em jeito de despedida:
– Sabe que Jesus foi criticado duramente pelos fariseus por curar ao Sábado? Diziam que a Bíblia proibia fazer qualquer trabalho ao Sábado! E Jesus disse-lhes: «O Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado». Sabe o que é que Jesus queria dizer com aquilo?
A resposta veio de imediato:
– É que Jesus queria substituir o Sábado pelo Domingo!...
O leitor já se terá apercebido de que esta é uma daquelas pessoas com quem dialogar é perder tempo. Pensam saber tudo e têm a resposta na ponta da língua. Pensei que gente desta já não fazia parte da nossa igreja. Mas enganei-me!
segunda-feira, novembro 27, 2006
Eutanásia à força
Enfermeiro numa clínica em Sonthofen, Stephan Keller injectou letalmente 28 pacientes com uma mistura de valium e anestésicos, para "os aliviar" do sofrimento, dando-lhes uma morte sem dor. Os crimes ocorreram em 17 meses, do início de 2003 a meados de 2004, e o julgamento terminou com a condenação de Letter a prisão perpétua, da qual terá de cumprir no mínimo 15 anos, e interdição definitiva de exercer a sua profissão.
O enfermeiro alegou "compaixão" pelos seus pacientes para justificar os seus crimes. As vítimas tinham entre 40 e 95 anos, embora a maioria tivesse mais de 75.
Contudo, ficou provado que, à excepção de um dos casos, o enfermeiro agiu por ele próprio, sem haver um pedido expresso de eutanásia – nem dos pacientes, nem das pessoas mais próximas –, o que levou o tribunal a considerar que esta seria uma "piedade superficial". Muitas das vítimas nem teriam doenças que pudessem ser consideradas em fase terminal.
Este não o foi o primeiro caso do género na Alemanha. No passado mês de Fevereiro, outra mulher foi condenada a prisão perpétua pela morte de nove idosas num lar perto de Bona, entre 2003 e 2005.
Tudo isto me parece fruto duma mentalidade que está para ficar: o pouco valor da vida dos outros.
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Eutanásia
terça-feira, novembro 21, 2006
Jesus teve mulher e filhos?
Esta é uma das perguntas que se tem repetido de há uns dois anos para cá. O livro e filme "Código Da Vinci» entre muitas outras coisas faz essa afirmação, escrevendo que Jesus teve filhos com Maria Madalena. E que a descendência de Jesus teria continuado ao longo da história e ainda hoje existiria.Mais! A Igreja tudo fez e ainda hoje é capaz de tudo fazer para esconder tal verdade. Esta a tese que serve de substracto ao referido livro, ultimamente também convertido em filme.
Qualquer historiador sabe que isto não tem qualquer consistência histórica, como muitas outras coisas que Dan Brown inventou. Quando lhe perguntam onde foi buscar tais ideias, o escritor responde que o "Código Da Vinci» é um romance e, por isso, pode afirmar o que quiser. Trata-se de pura fantasia, mas o certo é que muita gente tem levado a sério as aldrabices que Dan Brown inventou contra a Igreja, caracterizando-a como a mais malvada das sociedades.
É uma desonestidade intelectual, pois o romancista escreve que fez uma profunda e variada investigação em museus e bibliotecas. Queria ver como reagiria este escritor se alguém escrevesse um romance sobre a sua família com tantas aldrabices e infâmias. Umberto Eco, romancista e historiador italiano de renome, já por diversas vezes o apelidou de desonesto. E não só ele.
Nos evangelhos em nenhum momento se diz que Jesus foi um homem solteiro, casado ou viúvo. Referem a sua família, a sua mãe, os seus "irmãos e irmãs", mas nunca a sua "mulher".
A tradição jamais falou de um possível casamento de Jesus. E fê-lo, não por considerar a realidade do matrimónio deformadora da figura de Jesus (que foi quem restituiu ao matrimónio a sua dignidade original, Mt 19, 1-12) ou incompatível com a fé na divindade de Cristo, mas simplesmente porque se conformou com a realidade histórica.
Alguns afirmam que entre os judeus o casamento era como que uma obrigação. Mas existem dados que confirmam que no judaísmo do século I se vivia o celibato. Flávio Josefo (As Guerras Judaicas 2.8.2 e120-21; Antiguidades Judaicas 18.1.5 e 18-20). Também Filão (De vita contemplativa) assinala que os "terapeutas", um grupo de ascetas do Egipto, viviam o celibato. Além disso, na tradição de Israel, algumas personagens famosas, como Jeremias, tinham sido celibatários. O próprio Moisés, segundo a tradição rabínica, viveu a abstinência sexual para manter a sua estreita relação com Deus. João Baptista tão pouco se casou. A maior parte dos apóstolos era também solteira. Portanto, sendo o celibato pouco comum, não era algo inaudito. E Jesus engrandeceu o celibato pelo Reino. (Mateus 19, 10-12)
quinta-feira, novembro 16, 2006
“Alavancas” do P.e Francisco Antunes

Acabo de ler um livrinho dum Homem que toda a Coimbra conhece.
Falo do Padre Francisco Antunes.
Esse Homem que enquanto a saúde lho permitiu, correu meio mundo para ajudar os que precisavam. E ainda agora aparecem pessoas a bater-lhe à porta!...
Em boa hora, a Gráfica de Coimbra recolheu alguns artigos que ele publicou, há anos, no jornal “O Dever” da Figueira da Foz. Todos eles têm uma marca profunda do seu coração de Bom Samaritano. E ficam agora em livro para serem alavancas a despertar-nos a todos para a acção.
Garanto a quem os leia que lhes vão saber a pouco. E o seu preço é apenas simbólico. Um euro e meio pelo livrinho a que pôs o nome de ALAVANCAS.
Para abrir o apetite deixo aqui um naco da sua prosa. Que é também imagem do objectivo desta publicação:
«Ouvi-o muitas vezes. Nunca como naquele dia! Comigo eram centenas de milhar. Talvez tu mesmo. O tema era o Samaritano da parábola, a sua paixão, os pobres.
– Passou o sacerdote. Passou o levita. Passaram todos. Só o Samaritano parou. E todos os que passaram se julgavam dinamizados pelo Amor. Só o Samaritano mereceu canonização: “Faz tu como ele!”
E o padre Américo disse, disse e disse. Da miséria em que topava a cada passo. De como se podia dizer dele ser o senhor dos Aflitos. De como era urgente cada um afligir-se pelo seu irmão caído.
– “Meus irmãos, eu não sei nada! Só sei do Pobre. E este crucificado.”. E o seu apelo: “Aflige-te! Ama!”, galgou as serras d' Aire. Abriu brecha em crentes. E em não crentes. E anos passados eram centenas as famílias a viver em casa decente. Horta e flores à porta. Sol, luz e ar puro. A descobrir que tinham grandeza humana e vocação a alturas.
O Padre Américo foi-se. O seu apelo continua a defender-me da tentação da inércia.
Anda. Vem Comigo. Quem quer que sejas. Seremos alavancas. Dos feridos pela desgraça, dos conformados com a miséria, dos afeitos à injustiça, dos vencidos na esperança. Hei-de inquietar-te. Pegar-te fogo. Martelar-te: “Aflige-te! Ama!”
Regressado à Figueira, todos os dias me bate à porta a dor e a miséria em todas as escalas e tons.
É a Ivone. É o Rui. É o João. A «Legião», o «Casal Novo», o Jaime, a Conceição ... Os meus velhinhos. Os doentes. Os presos. Os ciganos ... Todos aqueles que há dois anos requisitei ao meu Bispo.
Mas a carga é demasiada. Cristo aceitou o cireneu. Eu preciso de alavancas. Sê alavanca.»
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Pobreza
sábado, novembro 11, 2006
No dia de S. Martinho
... falemos de amorHoje é o dia de S. Martinho.
Um Santo que ficou na história pelo seu amor aos pobres.
O seu gesto de dividir a capa de militar por alguém que tiritava de frio, ficou famoso. E chegou até nós. Como os magustos que dava aos pobres.
Neste dia lembro um texto da Carta-Encíclica “Deus caritas est”, do Papa Bento XVI. Põe em relevo o amor ao próximo por amor de Deus. Acolhemos e amparamos o outro porque queremos fazer a vontade de Deus que ama todos os Seus filhos e dum modo especial os “pobres”.
«Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. O Seu amigo é meu amigo. Para além do aspecto exterior do outro, dou-me conta da sua expectativa interior de um gesto de amor, de atenção, que eu não lhe faço chegar somente através das organizações que disso se ocupam, aceitando-o talvez por necessidade política. Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa. Aqui se vê a interacção que é necessária entre o amor a Deus e o amor ao próximo, de que fala com tanta insistência a I Carta de João. Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser «piedoso» e cumprir os meus «deveres religiosos», então definha também a relação com Deus. Neste caso, trata-se duma relação «correcta», mas sem amor. Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama.»
Um Santo que ficou na história pelo seu amor aos pobres.
O seu gesto de dividir a capa de militar por alguém que tiritava de frio, ficou famoso. E chegou até nós. Como os magustos que dava aos pobres.
Neste dia lembro um texto da Carta-Encíclica “Deus caritas est”, do Papa Bento XVI. Põe em relevo o amor ao próximo por amor de Deus. Acolhemos e amparamos o outro porque queremos fazer a vontade de Deus que ama todos os Seus filhos e dum modo especial os “pobres”.
«Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. O Seu amigo é meu amigo. Para além do aspecto exterior do outro, dou-me conta da sua expectativa interior de um gesto de amor, de atenção, que eu não lhe faço chegar somente através das organizações que disso se ocupam, aceitando-o talvez por necessidade política. Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa. Aqui se vê a interacção que é necessária entre o amor a Deus e o amor ao próximo, de que fala com tanta insistência a I Carta de João. Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser «piedoso» e cumprir os meus «deveres religiosos», então definha também a relação com Deus. Neste caso, trata-se duma relação «correcta», mas sem amor. Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama.»
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Pobreza
domingo, novembro 05, 2006
Uma voz de peso a favor da vida
Foi com muito agrado que lemos em Juntos pela vida que «de acordo com o seu Estatuto Editorial "O Correio da Manhã apoiará de forma firme a instituição Família, o direito à Vida e assume o seu apreço pelas raízes cristãs da sociedade portuguesa".
De facto, o Correio da Manhã é o jornal diário mais vendido em Portugal, o que mais uma vez nos faz tomar consciência de que a cultura e os valores civilizacionais de um povo não podem ser alterados ou impostos por qualquer jogo político ou manobra ideológica: os portugueses sabem quem são, para onde vão e o que querem.
E é desta realidade que o Correio da Manhã é, deste modo, retrato fiel – um povo profundamente ligado às suas raízes culturais cristãs em que a Família assume um papel de destaque enquanto célula nuclear de toda a Sociedade. O CM ao afirmar a importância crucial da Família enquanto geradora de Vida, de estabilidade, de passagem de valores e cultura faz, sem dúvida, um serviço aos seus leitores e ao país.
Bom seria que o nosso poder político se desse conta do papel que desempenha na sociedade; não podem os governantes mudar as mentes dos portugueses, podem (e devem!) criar condições para que a sociedade portuguesa seja fiel à consciência que já tem.
Esta atitude da direcção do Correio da Manhã demonstra uma lucidez e, também, coragem que representam uma lufada de ar fresco e a possibilidade de respirar, diante de uma comunicação social que não poucas vezes ignora a cultura portuguesa como ela é, tratando-a como alguns gostariam que fosse…
Desde já desafiamos os restantes meios de comunicação social a seguir este Bom exemplo.
Obrigado, Correio da Manhã!
A Direcção JPV
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