sábado, dezembro 16, 2006

É preciso abrir os olhos


A campanha para o referendo já começou. O Presidente da República marcou-o para 11 de Fevereiro. Os movimentos vão-se organizando e as primeiras iniciativas estão já na rua. O «não» trouxe a Lisboa e a outras cidades portuguesas quatro mulheres da "Justice Foundation" americana, entre elas a que esteve na origem da liberalização do aborto nos Estados Unidos. As três senhoras que abortaram contaram as suas dramáticas histórias. Na sequência dessa opção, tomaram drogas e álcool e tentaram suicidar-se, por se sentirem culpadas de destruir novos seres. As três falaram do seu arrependimento e disseram que o fizeram por pressão do marido ou do namorado. Todas elas estão hoje arrependidas e lutam para que o aborto seja banido das leis."Os meus advogados não me disseram que ia ser responsável pela destruição de 43 milhões de bebés e das suas vidas", afirmou por sua vez Norma McCorvey. Tomou drogas e álcool, mas só teve consciência de que o aborto "é um crime contra a humanidade" depois de, em 1992, se tornar conselheira numa clínica de aborto e dar com uma arca cheia de fetos mortos.

Nos anos 70, a referida mulher iniciou uma batalha legal que levaria à consagração do aborto enquanto direito constitucionalmente protegido nos EUA. Norma McCorvey protagonizou o caso Roe v. Wade que chegou até ao Supremo Tribunal e criou jurisprudência, que nos EUA tem força de lei. Quando lhe foi permitido abortar já tinha tido o bebé, que deu para adopção. Durante anos trabalhou em clínicas de aborto, mas no final dos anos 90 passou de defensora do aborto para uma activista das organizações pró-vida.

Em 1997, fundou a «Roe No More Ministry», com a intenção de expor todas as mentiras contadas por ela própria no caso Roe v. Wade e no ano seguinte lançou a sua autobiografia, «Won By Love».
Desde então, tem-se dedicado a falar sobre a sua experiência pelo mundo fora. Participa na «Justice Foundation's Operation Outcry», uma fundação que se dedica a recolher informação sobre mulheres que fizeram um aborto, na tentativa de melhor as ajudar a ultrapassar o luto e de conseguir a mudança das leis permissivas.

Estas mulheres falam do que viveram e ainda sentem na pele. Só quem nunca ouviu testemunhos parecidos de pessoas que conhece é que pode duvidar da sua sinceridade. O "sim" à despenalização do aborto vai abrir caminho à sua multiplicação. São crianças que se perdem e mulheres que se arruinam.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Blogues pelo "não"



Aproveitando o trabalho de Timshel, copio para aqui uma lista dos blogues que expressamente defendem que se responda "não" à questão que vai ser submetida ao referendo sobre o aborto, independententemente do respectivo conteúdo e da fundamentação da sua resposta. Acrescentei mais alguns (não incluindo os sítios que não têm a forma de blogue, que são numerosos), e retirei este onde escrevo.Como diz também Timshel, se faltar alguém que deseje constar desta lista, ou se nela estiver alguém que não pretenda estar, basta dizer e a sua vontade será satisfeita. Creio que haverá muitos mais!

Açores pelo Não

ADAV - Viseu

Alentejo pelo não

a casa de Sarto

aliquando

a paz universal

Anti-aborto

Aqui há Esperança

Anti-Aborto

axónios gastos

blogmatter

blogue do não

bloguida

Canto do Jo

Caros amigos

commonsense

confessionário de um padre

Contra a corrente

direito a viver

euro-ultramarino

Évora pelo Não

fiat lux

fides intrepida

Jornal da Família

hora absurda

horizonte

letras com garfos

mar aberto

No coração de Deus

no adro

Nova Evangelização Católica

o cachimbo de magritte

o melhor dos blogues

o povo

optimista por opção

o sexo dos anjos

O sítio do Ruvasa

Padre Tó Carlos

Pedro Nunes no mundo

Por ti não aborto

Pelo Não

Por causa d'Ele

Portugal dos pequeninos

Que é a verdade

Quero viver

razões do não

Relances

Rexistir

rua da fé

sinais

sou a favor da vida

theosfera

tomar partido

ubi caritas

último reduto

Ver para crer

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Testemunhos vivos


Que a minha filha o não saiba!


De há uns dias para cá têm-me chegado vários testemunhos de pessoas que contam a sua amargura por terem feito o aborto. E dizem que o fazem para evitar que outras caiam no mesmo erro.

Refiro apenas um dos casos que mais me impressionou. "Já tinha dois filhos. O meu marido não aceitava que eu tivesse outra criança. A vida estava difícil e era quase impossível criar mais outra. Resisti mas acabei por ser convencida a procurar uma abortadeira que me fez algumas perguntas e depois me examinou. Disse-me que a gravidez estava muita adiantada e assim era arriscado praticar o aborto. Fui para casa banhada em lágrimas" – escreve esta mãe.
E continua contando que teve uma menina. Os anos passaram e esta sua filha tem hoje 13 anos. "Quando olho para ela, sinto sempre um misto de alegria e amargura. Eu fiz tudo para que ela não vivesse. Se ela o soubesse iria odiar-me. O que mais temo é que ela um dia o venha mesmo a saber."

Lembrou-me esta confidência o caso de Franco Zeffirélli, cineasta de renome mundial, que realizou vários filmes, entre os quais "Jesus de Nazaré" e o "Campeão". Ele próprio conta :

"Sei bem o que significa nascer contra a vontade dos outros, pois sou filho ilegítimo".
Era realmente fruto de um duplo adultério: o pai, Ottorino Córsi, comerciante de seda, era casado; sua mãe, Adelaide Garósi, modista da alta sociedade florentina, casada era também.

"O meu nascimento foi um escândalo. A minha mãe, que era modista, perdeu toda a clientela da mais fina sociedade de Florença. Desde o primeiro momento teve que vencer mil obstáculos para que eu nascesse. Até a sua mãe (minha avó) queria que ela abortasse. Diziam que eu estaria condenado à rejeição social. Contudo, ela negou-se redondamente a abortar... Sou uma espécie de aborto fracassado; por isso aprecio mais o milagre da vida".
"Hoje falo destas coisas como se se tratasse doutra pessoa. Passar a infância em meio de situações irregulares, mas sempre ao afago do amor, isso é que teve influência em mim".


Zeffirélli passou grande parte da infância no "Abrigo dos Inocentes" de Florença, onde se recolhiam as crianças abandonadas.

quinta-feira, novembro 30, 2006

A ignorância é atrevida!


Não sei se algum dos meus leitores alguma vez teve que aturar uma criatura como a que vou apresentar neste post.

- Os católicos brincam com a bíblia. O que Deus lá escreveu está escrito e ninguém pode mudar – começou por me dizer com cara de poucos amigos.

– Mas porque é que diz isso? – perguntei-lhe.

- É que quando a Bíblia fala na possessão diabólica, o senhor diz que isso tem de ser interpretado à luz do que se pensava ao tempo sobre as doenças nervosas ou lá o que é. O que lá está escrito é o que Deus lá pôs ou mandou pôr. Não é para agora cada um interpretar a seu jeito.

– Olhe lá – perguntei-lhe – acha que se deve levar à letra o que Jesus diz: «Se a tua mão ou o teu pé te levam a cair em pecado, corta-os que é melhor entrar maneta ou coxo no reino do Céus do que ir parar ao inferno com ambas as mãos e pés? E se os teus olhos te fazem pecar, lança-os fora, pois é melhor salvar-se sem os olhos do que ir com eles para a geena do fogo?»

Pensei que se desse por vencida, mas aquela "santa" arranjou logo uma explicação:


– Aí é bem de ver que Deus não quer que todos fiquemos cegos ou sem pés ou mãos! Mas a Bíblia é para levar a sério, sem falsas interpretações...

Percebi que não valia a pena discutir. Estava diante duma católica que só o era porque ainda não lhe tinha aparecido alguém de uma seita cristã fundamentalista. Mas atirei-lhe em jeito de despedida:

– Sabe que Jesus foi criticado duramente pelos fariseus por curar ao Sábado? Diziam que a Bíblia proibia fazer qualquer trabalho ao Sábado! E Jesus disse-lhes: «O Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado». Sabe o que é que Jesus queria dizer com aquilo?

A resposta veio de imediato:

– É que Jesus queria substituir o Sábado pelo Domingo!...

O leitor já se terá apercebido de que esta é uma daquelas pessoas com quem dialogar é perder tempo. Pensam saber tudo e têm a resposta na ponta da língua. Pensei que gente desta já não fazia parte da nossa igreja. Mas enganei-me!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Eutanásia à força


Enfermeiro numa clínica em Sonthofen, Stephan Keller injectou letalmente 28 pacientes com uma mistura de valium e anestésicos, para "os aliviar" do sofrimento, dando-lhes uma morte sem dor. Os crimes ocorreram em 17 meses, do início de 2003 a meados de 2004, e o julgamento terminou com a condenação de Letter a prisão perpétua, da qual terá de cumprir no mínimo 15 anos, e interdição definitiva de exercer a sua profissão.


O enfermeiro alegou "compaixão" pelos seus pacientes para justificar os seus crimes. As vítimas tinham entre 40 e 95 anos, embora a maioria tivesse mais de 75.


Contudo, ficou provado que, à excepção de um dos casos, o enfermeiro agiu por ele próprio, sem haver um pedido expresso de eutanásia – nem dos pacientes, nem das pessoas mais próximas –, o que levou o tribunal a considerar que esta seria uma "piedade superficial". Muitas das vítimas nem teriam doenças que pudessem ser consideradas em fase terminal.


Este não o foi o primeiro caso do género na Alemanha. No passado mês de Fevereiro, outra mulher foi condenada a prisão perpétua pela morte de nove idosas num lar perto de Bona, entre 2003 e 2005.


Tudo isto me parece fruto duma mentalidade que está para ficar: o pouco valor da vida dos outros.

terça-feira, novembro 21, 2006

Jesus teve mulher e filhos?


Esta é uma das perguntas que se tem repetido de há uns dois anos para cá. O livro e filme "Código Da Vinci» entre muitas outras coisas faz essa afirmação, escrevendo que Jesus teve filhos com Maria Madalena. E que a descendência de Jesus teria continuado ao longo da história e ainda hoje existiria.

Mais! A Igreja tudo fez e ainda hoje é capaz de tudo fazer para esconder tal verdade. Esta a tese que serve de substracto ao referido livro, ultimamente também convertido em filme.

Qualquer historiador sabe que isto não tem qualquer consistência histórica, como muitas outras coisas que Dan Brown inventou. Quando lhe perguntam onde foi buscar tais ideias, o escritor responde que o "Código Da Vinci» é um romance e, por isso, pode afirmar o que quiser. Trata-se de pura fantasia, mas o certo é que muita gente tem levado a sério as aldrabices que Dan Brown inventou contra a Igreja, caracterizando-a como a mais malvada das sociedades.

É uma desonestidade intelectual, pois o romancista escreve que fez uma profunda e variada investigação em museus e bibliotecas. Queria ver como reagiria este escritor se alguém escrevesse um romance sobre a sua família com tantas aldrabices e infâmias. Umberto Eco, romancista e historiador italiano de renome, já por diversas vezes o apelidou de desonesto. E não só ele.

Nos evangelhos em nenhum momento se diz que Jesus foi um homem solteiro, casado ou viúvo. Referem a sua família, a sua mãe, os seus "irmãos e irmãs", mas nunca a sua "mulher".

A tradição jamais falou de um possível casamento de Jesus. E fê-lo, não por considerar a realidade do matrimónio deformadora da figura de Jesus (que foi quem restituiu ao matrimónio a sua dignidade original, Mt 19, 1-12) ou incompatível com a fé na divindade de Cristo, mas simplesmente porque se conformou com a realidade histórica.

Alguns afirmam que entre os judeus o casamento era como que uma obrigação. Mas existem dados que confirmam que no judaísmo do século I se vivia o celibato. Flávio Josefo (As Guerras Judaicas 2.8.2 e120-21; Antiguidades Judaicas 18.1.5 e 18-20). Também Filão (De vita contemplativa) assinala que os "terapeutas", um grupo de ascetas do Egipto, viviam o celibato. Além disso, na tradição de Israel, algumas personagens famosas, como Jeremias, tinham sido celibatários. O próprio Moisés, segundo a tradição rabínica, viveu a abstinência sexual para manter a sua estreita relação com Deus. João Baptista tão pouco se casou. A maior parte dos apóstolos era também solteira. Portanto, sendo o celibato pouco comum, não era algo inaudito. E Jesus engrandeceu o celibato pelo Reino. (Mateus 19, 10-12)

quinta-feira, novembro 16, 2006

“Alavancas” do P.e Francisco Antunes



Acabo de ler um livrinho dum Homem que toda a Coimbra conhece.
Falo do Padre Francisco Antunes.
Esse Homem que enquanto a saúde lho permitiu, correu meio mundo para ajudar os que precisavam. E ainda agora aparecem pessoas a bater-lhe à porta!...
Em boa hora, a Gráfica de Coimbra recolheu alguns artigos que ele publicou, há anos, no jornal “O Dever” da Figueira da Foz. Todos eles têm uma marca profunda do seu coração de Bom Samaritano. E ficam agora em livro para serem alavancas a despertar-nos a todos para a acção.
Garanto a quem os leia que lhes vão saber a pouco. E o seu preço é apenas simbólico. Um euro e meio pelo livrinho a que pôs o nome de ALAVANCAS.
Para abrir o apetite deixo aqui um naco da sua prosa. Que é também imagem do objectivo desta publicação:

«Ouvi-o muitas vezes. Nunca como naquele dia! Comigo eram centenas de milhar. Talvez tu mesmo. O tema era o Samaritano da parábola, a sua paixão, os pobres.
– Passou o sacerdote. Passou o levita. Passaram todos. Só o Samaritano parou. E todos os que passaram se julgavam dinamizados pelo Amor. Só o Samaritano mereceu canonização: “Faz tu como ele!”
E o padre Américo disse, disse e disse. Da miséria em que topava a cada passo. De como se podia dizer dele ser o senhor dos Aflitos. De como era urgente cada um afligir-se pelo seu irmão caído.
– “Meus irmãos, eu não sei nada! Só sei do Pobre. E este crucificado.”. E o seu apelo: “Aflige-te! Ama!”, galgou as serras d' Aire. Abriu brecha em crentes. E em não crentes. E anos passados eram centenas as famílias a viver em casa decente. Horta e flores à porta. Sol, luz e ar puro. A descobrir que tinham grandeza humana e vocação a alturas.
O Padre Américo foi-se. O seu apelo continua a defender-me da tentação da inércia.
Anda. Vem Comigo. Quem quer que sejas. Seremos alavancas. Dos feridos pela desgraça, dos conformados com a miséria, dos afeitos à injustiça, dos vencidos na esperança. Hei-de inquietar-te. Pegar-te fogo. Martelar-te: “Aflige-te! Ama!”
Regressado à Figueira, todos os dias me bate à porta a dor e a miséria em todas as escalas e tons.
É a Ivone. É o Rui. É o João. A «Legião», o «Casal Novo», o Jaime, a Conceição ... Os meus velhinhos. Os doentes. Os presos. Os ciganos ... Todos aqueles que há dois anos requisitei ao meu Bispo.
Mas a carga é demasiada. Cristo aceitou o cireneu. Eu preciso de alavancas. Sê alavanca.»

sábado, novembro 11, 2006

No dia de S. Martinho



... falemos de amor


Hoje é o dia de S. Martinho.
Um Santo que ficou na história pelo seu amor aos pobres.
O seu gesto de dividir a capa de militar por alguém que tiritava de frio, ficou famoso. E chegou até nós. Como os magustos que dava aos pobres.

Neste dia lembro um texto da Carta-Encíclica “Deus caritas est”, do Papa Bento XVI. Põe em relevo o amor ao próximo por amor de Deus. Acolhemos e amparamos o outro porque queremos fazer a vontade de Deus que ama todos os Seus filhos e dum modo especial os “pobres”.

«Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. O Seu amigo é meu amigo. Para além do aspecto exterior do outro, dou-me conta da sua expectativa interior de um gesto de amor, de atenção, que eu não lhe faço chegar somente através das organizações que disso se ocupam, aceitando-o talvez por necessidade política. Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa. Aqui se vê a interacção que é necessária entre o amor a Deus e o amor ao próximo, de que fala com tanta insistência a I Carta de João. Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser «piedoso» e cumprir os meus «deveres religiosos», então definha também a relação com Deus. Neste caso, trata-se duma relação «correcta», mas sem amor. Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama.»

domingo, novembro 05, 2006

Uma voz de peso a favor da vida


Foi com muito agrado que lemos em
Juntos pela vida que «de acordo com o seu Estatuto Editorial "O Correio da Manhã apoiará de forma firme a instituição Família, o direito à Vida e assume o seu apreço pelas raízes cristãs da sociedade portuguesa".

De facto, o Correio da Manhã é o jornal diário mais vendido em Portugal, o que mais uma vez nos faz tomar consciência de que a cultura e os valores civilizacionais de um povo não podem ser alterados ou impostos por qualquer jogo político ou manobra ideológica: os portugueses sabem quem são, para onde vão e o que querem.

E é desta realidade que o Correio da Manhã é, deste modo, retrato fiel – um povo profundamente ligado às suas raízes culturais cristãs em que a Família assume um papel de destaque enquanto célula nuclear de toda a Sociedade. O CM ao afirmar a importância crucial da Família enquanto geradora de Vida, de estabilidade, de passagem de valores e cultura faz, sem dúvida, um serviço aos seus leitores e ao país.

Bom seria que o nosso poder político se desse conta do papel que desempenha na sociedade; não podem os governantes mudar as mentes dos portugueses, podem (e devem!) criar condições para que a sociedade portuguesa seja fiel à consciência que já tem.

Esta atitude da direcção do Correio da Manhã demonstra uma lucidez e, também, coragem que representam uma lufada de ar fresco e a possibilidade de respirar, diante de uma comunicação social que não poucas vezes ignora a cultura portuguesa como ela é, tratando-a como alguns gostariam que fosse…

Desde já desafiamos os restantes meios de comunicação social a seguir este Bom exemplo.

Obrigado, Correio da Manhã!

A Direcção JPV

terça-feira, outubro 31, 2006

Na Festa de Todos os Santos


A intercessão dos santos
Esta é uma festa muito antiga. Ela já se celebrava no século VIII. Para que eles nos servissem de exemplo e intercedessem por nós.

Mas podem os santos, os que já estão no Céu, interceder por nós? A maior parte dos protestantes e evangélicos não aceita que eles possam fazer alguma coisa em nosso favor junto de Deus. Contrariamente ao que ensinavam os Mestres do princípio da Igreja e ainda hoje é a fé dos católicos e ortodoxos.

Haverá incompatibilidade entre esta doutrina e o que ensina a Bíblia?

Vejamos pois se a Bíblia nos diz alguma coisa sobre a oração dos que já estão no Céu.
No último livro da Sagrada Escritura – o Apocalipse – pode ler-se:
"Quando o Cordeiro quebrou o quinto selo, vi debaixo do altar aqueles que tinham sido mortos por terem proclamado a palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem castigar os habitantes da terra que nos mataram? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros e irmãos que como eles iriam ser mortos." (Ap 6,9-11).

No trecho acima, os santos estão a pedir a Deus que faça Justiça. Alguém poderia dizer: "Mas eles estão intercedendo por eles mesmos e não pelos que ficaram na terra"! Ora, e o que impede que o façam pelos que estão na terra? São Paulo não recomenda que rezemos uns pelos outros? (cf. 1Tm 2,1).
Por alguma razão seriam os santos incapazes de continuar a orar pelos que estão na terra? Poderá alguém pensar que por os santos estarem já na presença de Deus estão impedidos de interceder pelas outras pessoas que ainda estão na terra?

Vejamos também:

"Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma harpa e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos" (Ap 5,8). "O fumo dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus." (Ap 8,4).

Nos versículos acima, os santos rezam a Deus. Por que estariam orando, já que estão salvos e gozando da presença do Senhor? Oram em nosso favor, para que os que estão na terra também possam um dia estar com eles na presença do Senhor.
Podíamos transcrever outras frases bíblicas mas creio que estas confirmam a verdade de que os salvos podem pedir por nós.

Vejamos agora o que a este respeito ensinou a primitiva Igreja:
>"O Pontífice não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos justos também se unem a eles na oração"
(Orígenes, 185-254 d.C. No tratado sobre a Oração).
"Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos" (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)
"Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a protecção dos santos". (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C).
"Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas." (São
Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. nas Catequeses Mistagógicas).
"Em seguida (na Oração Eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patricarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração" (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).
"Se os Apóstolos e Mártires, enquanto estavam no seu corpo mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, já podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora os que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?" (São Jerónimo, 340-420 d.C, Adv. Vigil. 6).
"Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas (1Jo 5,16; Tg 5,14-15) ou ainda a misericórdia e a fé" (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20).

sexta-feira, outubro 27, 2006

O bem mais precioso


Maria do Rosário Gomes contou-me pormenorizadamente o que se passou com ela. Há cerca de 6 anos, casou com um rapaz, depois de um namoro "pouco demorado", dado que "o amor a isso os obrigava" e os pais de um lado e doutro achavam bem.
Meio a sério meio a brincar, pôs porém uma condição: "Se não der certo, posso escolher o bem que julgue mais precioso da casa".

O namorado concordou e disse que faria ele também o mesmo. Houve festa rija e os primeiros tempos foram "lindos". De vez em quando um amuo, um ralho. Mas sempre se ouviu dizer que casa não ralhada não é governada.
O pior foi quando se deram conta de que iria ser difícil terem filhos. Veio o nervosismo, as corridas para os médicos, o gasto exagerado de dinheiro. A vida em casal começou a ter problemas fortes.

A Rosário reconhece que se excedeu: os nervos sempre à flor da pele, os ciúmes, as palavras azedas. E o meu marido fartou-se. E às vezes dizia coisas que a feriam.

"Reconheci que o nosso casamento estava estragado. Por isso disse ao meu marido que era melhor acabar com tudo. Vendíamos o apartamento, fazíamos a divisão das coisas e cada um ia tratar da sua vida."

"Acabava eu de dizer isto quando o meu homem me abraçou e me confidenciou:
– Lembras-te do que foi combinado entre nós? Pois eu escolho o bem mais importante da casa. E esse bem és tu!... És minha e não me separarei de ti! A não ser que tu não queiras mesmo viver comigo...

"Chorei toda a noite! Fizemos as pazes e conseguimos juntos ultrapassar os problemas. Não temos filhos, mas sabemos que temos o maior bem – o AMOR".

quarta-feira, outubro 25, 2006

Heresias antigas e actuais (3)


O Pelagianismo surgiu na Igreja por volta do ano 400 e tem a ver com a necessidade ou não que o homem tem da Graça de Deus para se salvar. Pelágio, um monge anglo-saxónico, chegou à cidade de Roma, tendo ficado profundamente impressionado com a imoralidade do ambiente. Por isso, decidiu começar uma campanha de reforma profunda.

Nas suas pregações minimizava o poder da Graça de Deus em nossa salvação, atribuindo um valor demasiado às obras. Este monge achava que a crença de que a oração, os sacramentos e a Fé em Cristo chegavam para salvar o homem tinham levado as pessoas a comportar-se de maneira pouco cristã. Por isso dizia abertamente que as obras praticadas por cada um é que o salvavam ou condenavam.

Para Pelágio, o homem era capaz de salvar-se pelas suas próprias forças. Chegar à perfeição evangélica era coisa que estava ao alcance da capacidade humana. Bastava querer. Segundo sua doutrina, o homem nascia sem o pecado original, num estado de perfeição, como Adão e Eva antes da queda.

Isto entrava em choque com a doutrina bíblica, pregada em toda a igreja: Jesus disse aos discípulos: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15,5). Falou ainda o Senhor: "É pela graça que fostes salvos, mediante a fé. Não é de vós mesmos que vem a fé: é dom de Deus. Não provém das boas obras, para que ninguém se glorie." (Ef 2, 8-9)

A heresia de Pelágio foi condenada pelo Sínodo de Cartago (411) e no concílio de Éfeso (431). Ficou definido que a salvação é fruto da Graça de Deus. É claro que o homem entra também com sua participação, acolhendo a Graça no seu coração, para que não seja em vão. Santo Agostinho disse: "Deus te criou sem ti, mas não quer salvar-te sem ti".

Esta questão da cooperação ou não das pessoas na sua salvação foi provocando exageros ao longo dos séculos para um lado e para outro. O protestantismo enaltecia a Fé em Deus e desprezava as obras como necessárias para a salvação. Esquecia-se de que a Fé sem obras é morta, como está escrito na Bíblia. E que o Diabo também tem fé e está no Inferno. (Tiago 2, 14-26)

Pelo contrário, hoje estamos num tempo em que muita gente pensa que se pode salvar sem Cristo e mesmo sem Deus. Por isso desprezam a oração, os sacramentos e até a fé em Deus. Estamos como no tempo de Cícero do século I antes de Cristo. Ele dizia que as pessoas davam graças aos deuses pela sua prosperidade material e pela sua saúde, mas nunca pelas suas virtudes, pois consideravam isso como obra do seu esforço pessoal.
M. V. P.


segunda-feira, outubro 16, 2006

Uma cultura da morte


A atracção pela morte é um dos sinais da decadência.
Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.

Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.
E a tentar resolver. Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos.
Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.
Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.
Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.
Um sinal de saúde.
Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.

Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.
Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?

Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida.
E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.
A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.

Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?
Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?
No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?

Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?

José António Saraiva, no Semanário SOL

domingo, outubro 15, 2006

A política


Jaquim da Horta, num comentário (que agradeço) a um dos meus últimos "posts", diz que acha que este blogue se ocupa demasiado com a política e que Jesus nunca se quis meter em tal coisa.
Por outro lado, o chamado "Padre Mário da Lixa" escreve muitas vezes que do que Deus gosta é de política.

Acho que nem tanto ao mar nem tanto à terra. Jesus de facto veio com uma missão diferente da de um político. Também um padre ou pastor de uma igreja tem de se afastar de políticas partidárias. A sua missão é de evangelizar, isto é, de iluminar a vida das pessoas com a palavra de Cristo. Mas, e por isso mesmo, tem de "lutar" por uma humanidade mais fraterna, que respeite os direitos de todos e defenda os mais débeis.

Isto sem menosprezar a missão de um político a quem compete "lutar" por um governo que defenda os pequenos de serem prejudicados e mesmo esmagados pelos grandes. Para além de procurar que haja leis cada vez mais justas que defendam as pessoas da opressão e violência.
Quanto a mim, a política é uma arte nobre, querida por Deus, desde que ao serviço do homem todo e de todos os homens.

terça-feira, outubro 10, 2006

Heresias antigas e actuais (2)


Como vimos, as heresias foram muitas logo no princípio da Igreja e algumas dessas e muitas outras foram renascendo ao longo dos séculos. Para tratar deste tema com alguma minúcia, precisávamos de escrever um grosso volume. Como se trata de pequenos artigos de divulgação, limitamo-nos a fazer alguma referência àquelas que tiveram maior projecção.

Entre estas está o Montanismo que é um movimento surgido no cristianismo do século segundo, iniciado por Montano. Os montanistas declaravam-se possuídos pelo Espírito Santo e, por isso, profetizavam. Segundo estas profecias, uma outra era cristã se iniciava com a chegada da nova revelação que – diziam – lhes tinha sido concedida.

Fez muitas predições proféticas enganosas, pois jamais foram cumpridas, como a de que a aldeia de Pepuza, na Frígia, seria a Nova Jerusalém. Proibia certos alimentos, exigia jejuns prolongados e não permitia o casamento de viúvas, como também negava o perdão de pecados graves ao novo convertido, mesmo após o baptismo (com confissão e arrependimento). Montano queria fundar uma nova ordem e reivindicar seu movimento como sendo um movimento especial na história da salvação.


Alguns pentecostais reivindicam para si, hoje, o movimento como sendo o antecessor do movimento pentecostal actual.

Outra heresia que se espalhou muito foi o Arianismo, que recebeu o nome do seu iniciador. Ario, padre da Igreja de Alexandria, suscitou, com sua doutrina, polémicas que alastraram por toda a cristandade. Este sacerdote ensinava que só o Pai Eterno era um Deus verdadeiro, o princípio de todos os seres. O Cristo (Verbo de Deus) tinha sido feito por Ele como instrumento para a criação do mundo, pois a divindade transcendente não podia colocar-se em contacto com a matéria. Cristo, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, mas se situava entre o Pai e os homens, sem se confundir com nenhuma das naturezas, por se constituir num semi-Deus.

Um primeiro sínodo de bispos, em Alexandria, expulsou Ario da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios fora do Egipto condenaram a decisão e reabilitaram o sacerdote.Sucederam-se, a partir de então, sínodos contra sínodos, excomunhões contra excomunhões, bispos contra bispos. A luta chegou a ameaçar a unidade da Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o Império, Constantino decidiu convocar, em 325, um concílio universal, para toda a cristandade. Definiu-se aí a doutrina resumida no chamado Símbolo de Niceia, contrária às propostas arianas. A maioria dos prelados condenou a doutrina de Ario como herética, e o imperador Constantino perseguiu os que se opunham às decisões desse concílio. Mas com a intrusão do imperador nas decisões dogmáticas, os problemas se complicaram. O próprio Constantino reabilitou o arianismo e o seu filho Constâncio quis impô-lo como doutrina ortodoxa. Valeu a assistência do Espírito Santo, que não deixou que a Sua Igreja resvalasse para a heresia.

M. V. P.

terça-feira, outubro 03, 2006

Heresias antigas e actuais (1)



Heresia foi o nome dado pelos antigos à opção por doutrinas não conformes à pregação de Jesus e tradição dos Apóstolos. No artigo anterior, referi alguns textos bíblicos que acautelam os cristãos contra novas doutrinas. Muitos outros podia ter referido.

A primeira grande heresia foi a dos judaizantes. Muitos judeus convertidos (?!) queriam à fina força que os cristãos fossem obrigados a praticar tudo o que mandava o Antigo Testamento e outras tradições judaicas. Os Actos dos Apóstolos e as Cartas de S. Paulo referem essa pressão feroz que aquele apóstolo e companheiros sofreram na pele. E refere as decisões do 1.º Concílio de Jerusalém, presidido por Apóstolos.

Ainda hoje isso se vê em muitas das posições doutrinais de Grupos ditos cristãos como as Testemunhas de Jeová, fundadas por Charles Taze Russell por volta de 1870, embora ainda não com esse nome.

A outra grande heresia surgiu também ainda no tempo dos Apóstolos e é conhecida por Gnosticismo. Apesar de ser uma mistura de doutrinas de diversas origens, teve uma forte implantação em alguns meios da Igreja, como se pode ver pelos escritos deixados e pelas alusões que a ele fazem alguns dos chamados Padres da Igreja. Segundo os gnósticos, existem dois deuses: o criador imperfeito, que eles associam ao Deus do Velho Testamento e outro, bom, associado ao Novo Testamento. O primeiro criou o mundo com imperfeição, e desta imperfeição é que se origina o sofrimento humano. Mas, o deus bom teve pena dos homens e dotou-os de uma "centelha divina", que lhes dá a capacidade de despertar deste mundo de ilusões e imperfeição.

Chegam ao ponto de ensinar que tirar do corpo a alma – isto é, matar – é uma obra boa. Daí se pode compreender que tenham como grandes heróis Caim, Judas e muitos outros que a Bíblia condena. O sexo e mesmo o casamento são vistos como algo de mau. São Paulo já faz referência a isto em 1Timóteo 4, 1 e ss. Ensinam que a mulher cria em seu ventre corpos humanos e por isso não pode ir para o Céu. O Evangelho de Judas, o Evangelho de Tomé e vários outros escritos são produtos dessas terríveis doutrinas. E têm sido muito propagandeados nos últimos tempos como se fossem de muito valor humano. Recomendo que os leia – encontra-os na internet – para ver que a Igreja teve razão em excluí-los do seu cânon.
Estas doutrinas gnósticas ressurgiram dum modo muito acentuado nos séculos XI e XII e ainda hoje estão presentes dum modo ou doutro em alguns grupos religiosos.
M. V. P.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Missa e longevidade



Sabia que ir à Missa com pontualidade ou rezar com frequência pode aumentar a longevidade de vida das pessoas?

Este é o resultado de um estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade Pittsburgh, dos Estados Unidos, que depois de minuciosa investigação concluíram que participar em cerimónias religiosas com regularidade e ir à Missa regularmente, pode aumentar a esperança média de vida.

O estudo destes investigadores acentua o que já se sabia: que a religião tem uma função preponderante na redução do stress, e ajuda a ultrapassar as preocupações do dia a dia.

terça-feira, setembro 26, 2006

As heresias entre os cristãos



Afirmei no meu segundo artigo desta secção que todas as igrejas ditas cristãs aceitam os mesmos livros do Novo Testamento Bíblico. Porém isso não é nem nunca foi suficiente para a unidade da Fé. E as divergências são muitas e substanciais. Eis alguns exemplos:

Uns afirmam que Jesus é Deus, com o Pai e o Espírito Santo e outros acham que ele
é apenas homem ou mesmo anjo;
Uns pensam que Maria é verdadeira mãe de Jesus, outros acham que ela é apenas mãe adoptiva;
Uns afirmam que os cristãos podem comer e beber de tudo, outros dizem que não se pode comer carnes de animais impuros ou não sangrados e não se podem beber bebidas alcoólicas ou fazer transfusões de sangue;
Uns veneram os Santos, pedem a sua intercessão e fazem-lhes imagens e outros dizem que isso é idolatria;
Uns aceitam o baptismo de crianças e guardam o Domingo, outros acham que isso é ir contra a Bíblia;
Uns acreditam na vida para além desta vida, acreditando no céu e no Inferno, outros ensinam que só os justos terão outra vida – 144 mil no Céu, os restantes na Terra;
Uns acham que a religião cristã nos manda ser desprendidos dos bens da terra, outros ensinam que as riquezas terrenas são paga e bênção de Deus.


Como entender tais divergências?
O Novo testamento já tinha alertado para o surgimento de novas doutrinas.
Quando o apóstolo S. Paulo chegou a Mileto, enviou um recado aos chefes da igreja de Éfeso para que se encontrassem com ele, pois queria falar-lhes. O texto de Actos 20.17-38 conta a despedida de Paulo e suas advertências:

«Sejam pastores da Igreja de Deus, pois Ele adquiriu-a com o sangue do Seu próprio Filho. Sei, que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vós e não pouparão o rebanho. E dentre vós mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os crentes para si mesmos. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, por três anos, jamais cessei de advertir a cada um de vocês, noite e dia, com muitas lágrimas" (Actos 20.28-31).
Ao escrever a Timóteo, S. Paulo declara: "O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas do Demónio" (1Timóteo 4:1).

quinta-feira, setembro 21, 2006

Constantino e a Fé cristã



Há quem afirme que foi o imperador romano que impôs a Bíblia actual e obrigou todos os cristãos a obedecer ao bispo de Roma – o Papa. O imperador teria sido mesmo o verdadeiro chefe da Igreja.
Nada mais falso. Constantino legalizou e apoiou a cristandade no tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, mas também não tornou o paganismo ilegal ou fez do cristianismo a religião estatal.


Nascido por volta do 271, Constantino, que ficou na história com o cognome de Magno, passou grande parte da sua vida a guerrear os seus opositores. A sua vitória em 312 sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio resultou na sua ascensão ao título de Augusto Ocidental, ou soberano da totalidade da metade ocidental do império. Ele consolidou gradualmente a sua superioridade militar sobre os seus rivais com o esfarelamento da Tetrarquia até 324, quando ele derrotou o imperador oriental Licínio, tornando-se imperador único.


Não foi por motivos religiosos que ele deu liberdade aos cristãos, em 313, ou convocou o Concílio de Niceia, em 325. Foi a sua visão de político sagaz que o levou a apostar na religião que se tinha imposto no Império do Ocidente e do Oriente e que agora queria que não fosse motivo de mais desuniões.


Se ele se tivesse convertido deveras à nova Fé, não teria feito os crimes que a história lhe aponta: matou, já depois do Concílio de Niceia, o seu próprio filho Crispus. Sufocou depois sua mulher Fausta num banho sobreaquecido. Mandou também estrangular o marido de sua irmã, e chicotear até à morte o filho de sua irmã.


A convocação do Concílio de Niceia foi um acto político como já disse acima, para resolver as divergências doutrinais originadas pelo arianismo, de que falarei noutro artigo. Constantino facilitou transportes e fez tudo para todas as diversas Igrejas estarem representadas. Conseguiu juntar umas trezentas pessoas. De Roma seguiram apenas quatro padres e o Papa não esteve presente, decerto por não concordar que a iniciativa viesse do imperador, ainda por cima pagão, não baptizado. Mas como as resoluções desse concílio acabaram por ser concordes com a doutrina oficial da Igreja de Roma, aceitou-as de bom grado.


Constantino só foi baptizado e cristianizado no final da vida. Ironicamente, este imperador poderá ter favorecido o lado perdedor da questão ariana, uma vez que ele foi baptizado por um bispo ariano, Eusébio de Nicomedia.

quarta-feira, setembro 20, 2006

O Papa e o islão



Com este título, VASCO PULIDO VALENTE escreveu no Público um artigo que me pareceu muito feliz.
Embora se trate de um AGNÓSTICO, julgo que é útil os cristãos conhecerem-no.
Aqui fica, pois.

«O Papa e o Islão

Não deve haver académico que, lá no fundo, não tenha um especial fraquinho pelo Papa Bento XVI. Afinal, ele faz parte da corporação e, mais, foi durante muito tempo um motivo de orgulho para a corporação. Fala o dialecto da seita, escreve no dialecto da seita e, se não pensa como a seita, pensa segundo as regras da seita. Só que é Papa e que, sendo Papa, de quando em quando, esquece o mundo cá de fora e reverte ao seu velho papel de universitário. O "escândalo" de Ratisbona não passa disto. Bento XVI, querendo explicar a irracionalidade da conversão pela violência, citou o imperador Manuel II Paleólogo. Num diálogo com um persa, Paleólogo dissera: "Mostra-me então o que Maomé trouxe de novo. Não encontrarás senão coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de defender pela espada a fé que ele pregava".O mais preliminar assistente de Literatura, História, Filosofia ou Teologia percebe logo três coisas. Primeira, que o Papa não dá o imperador Paleólogo como um intérprete autorizado da religião muçulmana, mas como um como um opositor inteligente à perseguição religiosa. Segunda, que o Papa não esqueceu as perseguições da sua própria Igreja e que usou o imperador por conveniência ilustrativa da desordem moderna. E, terceiro, como o título e o resto da conferência comprovam, que Ratzinger não estava interessado em "atacar" ninguém, estava interessado na dualidade da fé e da razão. Infelizmente, a "rua" islâmica não é o público letrado da Universidade de Ratisbona e começou rapidamente a usual campanha de ódio contra o Bento XVI, que de toda a evidência o deixou estupefacto.O papa já lamentou o equívoco, mas não pediu desculpa. Não podia pedir. Nem pelo incidente, fabricado pelo fanatismo e a ignorância, nem pelo teor geral da conferência de Ratisbona. Ratzinger insistiu que a fé não é separável da razão e que agir irracionalmente "contraria" a natureza de Deus. Não vale a pena entrar nas complexidades do assunto. Basta lembrar que desde o princípio (desde Orígenes, por exemplo) se construiu sobre a fé cristão um dos mais sublimes monumentos à razão humana e que o Ocidente, apesar da "Europa", não existiria sem ele. A fé muçulmana não produziu nada de remotamente comparável e, durante quinze séculos, sustentou uma civilização frustre e parada. A conferência de Ratisbona reafirmou a essência do cristianismo. Se o islão se ofendeu, pior para ele.»