Esta é uma das perguntas que se tem repetido de há uns dois anos para cá. O livro e filme "Código Da Vinci» entre muitas outras coisas faz essa afirmação, escrevendo que Jesus teve filhos com Maria Madalena. E que a descendência de Jesus teria continuado ao longo da história e ainda hoje existiria.Mais! A Igreja tudo fez e ainda hoje é capaz de tudo fazer para esconder tal verdade. Esta a tese que serve de substracto ao referido livro, ultimamente também convertido em filme.
Qualquer historiador sabe que isto não tem qualquer consistência histórica, como muitas outras coisas que Dan Brown inventou. Quando lhe perguntam onde foi buscar tais ideias, o escritor responde que o "Código Da Vinci» é um romance e, por isso, pode afirmar o que quiser. Trata-se de pura fantasia, mas o certo é que muita gente tem levado a sério as aldrabices que Dan Brown inventou contra a Igreja, caracterizando-a como a mais malvada das sociedades.
É uma desonestidade intelectual, pois o romancista escreve que fez uma profunda e variada investigação em museus e bibliotecas. Queria ver como reagiria este escritor se alguém escrevesse um romance sobre a sua família com tantas aldrabices e infâmias. Umberto Eco, romancista e historiador italiano de renome, já por diversas vezes o apelidou de desonesto. E não só ele.
Nos evangelhos em nenhum momento se diz que Jesus foi um homem solteiro, casado ou viúvo. Referem a sua família, a sua mãe, os seus "irmãos e irmãs", mas nunca a sua "mulher".
A tradição jamais falou de um possível casamento de Jesus. E fê-lo, não por considerar a realidade do matrimónio deformadora da figura de Jesus (que foi quem restituiu ao matrimónio a sua dignidade original, Mt 19, 1-12) ou incompatível com a fé na divindade de Cristo, mas simplesmente porque se conformou com a realidade histórica.
Alguns afirmam que entre os judeus o casamento era como que uma obrigação. Mas existem dados que confirmam que no judaísmo do século I se vivia o celibato. Flávio Josefo (As Guerras Judaicas 2.8.2 e120-21; Antiguidades Judaicas 18.1.5 e 18-20). Também Filão (De vita contemplativa) assinala que os "terapeutas", um grupo de ascetas do Egipto, viviam o celibato. Além disso, na tradição de Israel, algumas personagens famosas, como Jeremias, tinham sido celibatários. O próprio Moisés, segundo a tradição rabínica, viveu a abstinência sexual para manter a sua estreita relação com Deus. João Baptista tão pouco se casou. A maior parte dos apóstolos era também solteira. Portanto, sendo o celibato pouco comum, não era algo inaudito. E Jesus engrandeceu o celibato pelo Reino. (Mateus 19, 10-12)






