sexta-feira, setembro 08, 2006

Dúvidas

Jesus é Deus?



O leitor de «O Amigo do Povo», José Viegas, lançou-me um desafio num recente e longo e-mail: o de elucidar diversos pontos doutrinais que têm ultimamente sido postos em causa, nomeadamente em livros recentes como o «Código DA VINCI». Com o aparecimento duma verdadeira onda de livros, filmes e artigos sobre aspectos da Fé cristã, é natural que muitos cristãos vivam baralhados sobre alguns pontos importantantes do Cristianismo.

Concordo com este leitor e, por isso, resolvi dar seguimento a este seu desejo, começando por encontrar na Bíblia uma resposta para a pergunta: «Jesus é Deus?» Outros pequenos artigos se seguirão e espero que os meus leitores de «O Amigo do Povo» e deste blogue me ajudem com as suas achegas e críticas a torná-los úteis para o maior número de pessoas.


Cito o que dizem diversas passagens da Bíblia sobre a condição divina de Jesus, porque todos os cristãos a aceitam como norma da Fé. Vou seguir mesmo a tradução interconfessional da Sociedade Bíblica de Portugal, para que ninguém pense que estou a deturpar o que diz a Bíblia.


O Evangelho de S. João10, 30 conta que Jesus disse aos judeus: «Eu e o Pai somos um só». E no capítulo 14, Jesus diz que vai para a casa do Pai preparar um lugar para os seus amigos. E acrescenta que os seus discípulos já sabem o caminho para onde Ele vai. Ao que o apóstolo Filipe lhe responde: «Senhor, nós nem sequer sabemos para onde é que tu vais! Como é que podemos saber qual é o caminho?» Jesus diz-lhe: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode chegar ao Pai sem ser por mim. Pedido de Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai.» Resposta de Jesus: «Aquele que me viu, viu também o Pai. ..... Eu estou no Pai e o Pai está em mim.»


Na carta aos Filipenses, S. Paulo escreve: «Tenham os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele que por natureza era Deus, não quis agarrar-se a esse direito de ser igual a Deus. Pelo contrário, privou-se do que era seu e tomou a condição de escravo, tornando-se igual aos homens.»


No Evangelho de João 20, 27-28, conta-se que Jesus apareceu ressuscitado aos Apóstolos uma semana mais tarde e virando-se para Tomé disse; «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no meu peito. Não sejas descrente! Acredita!» E Tomé respondeu: «Meu Senhor e meu Deus!»


S. Paulo escreve a Tito que «Também nos ensina a viver felizes na esperança de que se há-de cumprir o que nos prometeu, que é a manifestação gloriosa do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo»(Tito 2, 13).


Não há qualquer dúvida de que a Bíblia afirma com todas as letras que Jesus é Deus. E por isso muitíssimo poucas Igrejas cristãs ensinam o contrário.

M. V. P.



terça-feira, setembro 05, 2006

Um país de contrastes


Telelixo a mais


Somos um país de contrastes. Dois milhões de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza. Temos um dos salários mínimos mais baixos da Europa. E no entanto, Portugal está entre os três países com mais televisões. Pelo menos um estudo do Eurobarómetro revela que apenas 1 por cento dos portugueses não tem televisor dentro de casa. À frente de Portugal só mesmo a Grécia e o Chipre. O estudo refere que 15 por cento das habitações têm, em simultâneo, aparelhos normais e de grandes dimensões (ecrãs gigantes).
O estudo não o diz mas depois há ainda os computadores com T. V., os vídeos, os DVDs, etc..
Sendo em si mesmos um bem, os meios de comunicação social, como outros meios, podem ajudar na elevação ou na degradação do ser humano. E, por isso, se utilizados de modo incorrecto ou para fins indignos do ser humano, causam verdadeiras desgraças.

Tantos e tantos indivíduos foram negativamente marcados pelo mau uso destes meios. Conheço vários casos de adolescentes que ficam quase toda a noite a ver os piores programas de televisão. E isto sem os pais darem por nada. Sem falar nos filmes, jogos e outros programas que promovem a degradação do ser humano: pornografia, perversões morais, violência, racismo e tantas outras coisas que contribuem para uma má formação do carácter e da personalidade dos indivíduos.

Não é por acaso que, tirando as nossas democracias liberais em que o que conta é sobretudo o lucro, os países têm leis que restringem a emissão de filmes e programas que possam contribuir para a degradação das pessoas, sobretudo da gente nova. E mesmo assim, volta e meia, ouvem-se os protestos de organizações responsáveis, perante a tentativa de imitar o que se passa nos nossos países ocidentais.

Por cá, os governos confiam na auto-regulação dos meios e o que se vê é uma luta desenfreada pelas audiências à custa de mais telelixo e teledegradação.

sábado, setembro 02, 2006

Reflexão para este Domingo

... baseada nas leituras da liturgia da Palavra

«Se eu tivesse de escrever um livro de moral com 100 páginas, deixaria 99 em branco.
Na última escreveria: só conheço um dever - o de amar»
Albert Camus

quinta-feira, agosto 31, 2006

Dar esperança aos doentes

É uma das coisas que me custa: ir ver um doente numa fase terminal e com absoluta consciência do mal que tem. Nunca sei o que lhe dizer. Já tenho lido diversos escritos de autores com experiência no ramo. Uns dizem que é preciso dar esperança ao doente, outros que o melhor é contar algo que lhes dê alegria, outros ainda que mais vale calar.

Confesso que, embora já tenha alguma (muita?!) experiência nunca sei bem como hei-de fazer.
Daquela vez, fui chamado à pressa e logo me foi dito que o caso era gravíssimo. Não havia qualquer esperança. Uma trombose fulminante tinha derrubado um homem dos seus setenta anos. E o senhor que me havia chamado continuava com a mesma ladainha ao pé do doente. Tive que o mandar calar, embora a casa fosse dele.

O doente parecia não ter noção alguma do que se passava. Mas achei que o melhor era contar-lhe casos passados com pacientes iguais a ele. Como haviam recuperado e até um deles tinha mesmo casado após a doença e havia morrido com noventa e tal anos. Outro era casado e ainda vivia agora, tendo retomado a sua vida dentro dos limites da idade. E referi mais casos, todos eles verdadeiros.
Daí a uns meses, o referido doente começou a andar e ainda há pouco me disse que as minhas palavras foram o melhor remédio para superar a doença.
Entendo o que um sacerdote escreve em
Migalhas também são Pão :

«Encontrei-o sentado. Olhos vidrados, no espaço, na dor, na vida. Amarelos, como o resto da face. Pijama vestido. Sofrimento vestido. No meio da conversa difícil pelos monossílabos constantes, a dor estava sempre presente. «Não aguento. Bem peço a Deus, mas não aguento. Que hei-de fazer? Diga-me, padre». Eu respondi: «Que hei-de eu dizer? Não tenho muitas palavras. Mas de uma coisa estou convencido: tudo na vida se leva melhor com alegria. Será mais fácil levar o sofrimento com alegria. Pesa menos. A alegria retira uns quilos de falta de força. Eu costumo dizer que devemos procurar a felicidade com o que temos. A felicidade que se procura com o que queremos ter é mais difícil alcançar. Se Jesus nos quer ver felizes e nos permite sofrer, é porque no meio do sofrimento também podemos ser felizes».

segunda-feira, agosto 14, 2006

Cessar fogo

Podemos falar em paz?


O cessar-fogo que entrou em vigor no Líbano às 6h00 locais de hoje está a ser respeitado. Um bom sinal. Mas ainda é cedo para saber se a guerra acabou.
Não havendo diálogo e capacidade de perdão, é de esperar novos episódios. E quem sofre é o povo simples e indefeso.
Até quando?

quarta-feira, julho 26, 2006

No Dia dos Avós

As Avós





Sabe-se que as crianças têm sempre uma boa relação com as pessoas mais velhas da família. Sobretudo com os avós. E o recíproco também é verdadeiro. Muitos são os avós que nunca se sentiram tão atraídos pelos filhos como hoje o são pelos seus netos.
O texto que transcrevo de "Enfants de Partout", talvez nos ajude, na sua ingenuidade, a entender esta tão forte relação. Trata-se de uma composição de crianças de 8 anos sobre as suas avós.

«Uma avó é uma mulher que não tem filhos; por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem: despacha-te. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo, ou uma fatia maior.
Uma avó de verdade nunca bate numa criança; zanga-se, mas a rir.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos lêem histórias nunca saltam bocados e não se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como elas dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão».

Com nova roupagem

Ver para crer mudou de cara.
E isto porque estava a sair mal no FIREFOX.
Coisas da diversidade que hoje existe na internet!

sexta-feira, julho 21, 2006

Partido pedófilo

Um tribunal holandês recusou-se a proibir um partido político de pedófilos que pretendem baixar a idade de consentimento para ter relações sexuais dos 16 para os 12 anos.

Os demais partidos pediram ao tribunal de Haia que impeça o partido de se candidatar às eleições nacionais de Novembro, com o argumento de que as crianças têm o direito de não serem ofendidas pela plataforma do partido.

«Liberdade de expressão, liberdade…de associação, incluindo a liberdade de formar um partido político, pode ser vista como a base de uma sociedade democrática», disse o juiz H. Hofhuis na sentença. «Estas liberdades dão aos cidadãos a oportunidade de, por exemplo, usar um partido político para pedir a revisão da Constituição, de uma lei ou de uma política», prosseguiu.

Pergunto:

Então também os assassinos e outros criminosos têm o direito de fundar partidos para mudarem as leis que os descriminalizem.

domingo, julho 16, 2006

Riqueza não é felicidade

Ora vejam! Confirma-se o ditado de que não é na riqueza que está a felicidade.
Esta decerto também não está na pobreza mas sim numa vida sem grandes ambições.
"O pão nosso de cada dia", no âmbito material chega para a pessoa ficar satisfeita.
Ambições demasiadas só complicam.

Segundo um estudo da New Economics Foundation (NEC) e do grupo ambientalista Friends of the Earth, os latino-americanos, principalmente os colombianos, são mais felizes do que os cidadãos de países industrializados .
A pesquisa foi realizada em 178 povos do planeta, A taxa de satisfação foi calculada baseada no quão feliz está um cidadão com sua vida. Segundo o estudo, divulgado pela agência Ansa, a Colômbia apresenta uma taxa de felicidade de 67,2% na classificação, que é liderada pelas ilhas de Vanatu com 68,2%. Logo após a Colômbia, estão Costa Rica (66%), República Dominicana (64,5%) e Panamá (63,5%).

sexta-feira, julho 14, 2006

O suicídio


É sempre muito triste saber que esta ou aquela pessoa que conhecíamos se suicidou. As pessoas desejam viver e ter saúde. Desejar a morte e agir pondo em causa a própria vida é estranho e sintoma de doença.

Quando alguém pensa ou diz: «Não tenho razão para viver; Não tenho vontade de viver, preferia morrer, seria um alívio». Quando alguém, de modo ainda mais claro afirma: «Qualquer dia mato-me». Ou ainda, quando alguém, levado por um estado de desespero, agiu para preparar o acto de suicídio e o suspendeu, hesitou..., tentou e não o consumou, então há que ajudar essa pessoa a ultrapassar tal crise.

Desde logo é preciso tomar consciência de que na maioria dos casos as ideias de suicídio e o suicídio são uma manifestação de várias doenças psíquicas e muito em especial da depressão. Quem tenha passado por uma crise depressiva sabe muito bem o sofrimento, as tormentas que atravessou, mesmo que outros não possam entender as situações de desespero, de desinteresse, de fraqueza, de angústia, de culpa, de desapego à existência, de desespero máximo que pode culminar no suicídio.

Alguém que sofre ou tenha sofrido uma depressão grave sabe bem que os sentimentos de desespero e as ideias de suicídio são os sintomas mais assustadores. Resiste-se a uma grave doença física, mas é preciso muito mais coragem para enfrentar e vencer o sofrimento psíquico de uma grave depressão.

As ideias de suicídio, tal como outros sintomas da depressão, podem ser tratadas. Para que possa ser ajudado/a, o seu médico ou outros profissionais da saúde deverão saber o que se passa consigo, quais os seus pensamentos e sentimentos. Só se forem convenientemente informados, por si que sofre ou por alguém que melhor sabe do que se passa consigo, poderão tomar as medidas terapêuticas necessárias, ajustar a medicação ou modificar o tratamento.
O controle adequado de uma crise depressiva, a prevenção e a atenuação dos sintomas, fazem com que volte a acreditar na vida e a viver.

quinta-feira, junho 29, 2006

Dinheiro e felicidade


Apesar de três vezes mais ricos do que nos anos 50, os britânicos sentem-se hoje menos felizes do que se diziam naquela época, indica um estudo encomendado pela BBC. A proporção de pessoas entrevistadas que disseram ser "muito felizes" caiu de 52%, em 1957, para 36% actualmente, de acordo com o levantamento feito pelo instituto GfK NOP. Outros estudos feitos na década de 50 mostram que havia mais felicidade na Grã-Bretanha do pós-guerra do que na actual, sugerindo que o aumento da riqueza não tornou os britânicos mais satisfeitos com a própria vida.

A experiência britânica parece repetir-se noutros países desenvolvidos, que, apesar de terem tido grandes aumentos de riqueza, têm registrado níveis de felicidade mais baixos nos últimos 50 anos. Nos Estados Unidos, cientistas sociais observaram uma queda gradativa nos níveis de satisfação em relação à vida nos últimos 25 anos.

A maioria dos entrevistados, 48%, disse que os amigos e familiares são o factor mais importante para a sua felicidade. Em segundo lugar, ficou a saúde, com 24%. O estado civil também parece ser um factor determinante na percepção de felicidade das pessoas, com os casados aparentemente mais satisfeitos. Cerca de metade dos entrevistados que eram casados disseram ser "muito felizes" enquanto apenas um quarto dos solteiros ou separados se considera assim.

Os entrevistadores também perguntaram às pessoas se o principal objectivo dos governos deveria ser tornar o país mais feliz ou mais rico e a resposta foi esmagadora: 81% disseram que a felicidade deveria ser a meta, contra 13% que disseram ser mais importante privilegiar a riqueza.
Em relação ao papel das escolas, 52% concordaram com a proposição de que mais ênfase deveria ser colocada em ensinar os alunos a ter uma vida feliz e não em educá-los para o ambiente de trabalho. Outros 43% discordaram.

Quando pediram aos entrevistados para avaliar se a vizinhança onde moravam era mais ou menos "amigável" do que dez anos atrás, 43% disseram que as pessoas a seu redor eram menos amigáveis; apenas 22% afirmaram estar cercadas de pessoas mais amigáveis.

terça-feira, junho 20, 2006

Bispos portugueses à descoberta das novas tecnologias

Os Bispos portugueses continuam reunidos em Fátima, nas Jornadas Pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa, que este ano propõem uma descoberta das novas tecnologias. A iniciativas, que reúne ainda outros representantes das Dioceses do país, é dedicada ao tema «Deus na “rede”: formas do religioso na Internet».

A relação entre as novas tecnologias e a evangelização, o impacto global da Internet, experiências de formação e acompanhamento espiritual através dos novos suportes tecnológicos, a profusão do religioso no espaço virtual e a comunidade eclesial em Portugal são alguns dos assuntos em destaque.

O director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja, Pe. António Rego, explica à Agência ECCLESIA que os Bispos têm visto demonstrações das novas tecnologias, com dispositivos multimédia, e foram ontem guiados, por exemplo, numa visita virtual ao Estado da Cidade do Vaticano.

“A ideia foi expor um conceito alargado e mais moderno de Media, hoje, que tem a ver com as novas tecnologias”, assinala.

D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, que coordena os trabalhos, referiu ontem que a Internet deve ser encarada pelos católicos com "juízo crítico" mas como "algo benéfico" para a sociedade de hoje.

Na apresentação que fez aos membros da CEP, o Pe. António Rego lembrou que vivemos numa sociedade marcada pela “omnipresença dos Media”, que exige de qualquer presença da Igreja uma permanente actualização de conteúdos.

CD, DVD, Site, RSS, Podcast, Blogue, mail, motor de busca, SMS, Plasma, Mupies, outdoors, satélites, GPS, Fotos do telemóvel ou nova geração são algumas das realidades com que os Bispos portugueses se irão familiarizar até ao próximo dia 22.

De ECCLESIA

terça-feira, junho 13, 2006

O controlo do Estado

Mas que democracia é esta ?!
Este governo está a dar razão a muito boa gente que diz que hoje somos ainda mais controlados que no tempo do fascismo. Agora até nos querem proibir de entrar nos comboios, restaurantes ou cafés se formos fumadores. Nem os patrões desses estabelecimentos já têm direito decisório.
Também o ensino foi quase completamente controlado pelo estado. E muitas e muitas outras coisas que agora não digo. Diz-se muito mal do Salazar mas esta democracia parece ainda pior.
Logo a seguir à revolução de Abril, que recebi de braços abertos, conheci um presidente da câmara que me chegou a dizer: «Fui eleito pelo povo, tenho o direito de controlar tudo no concelho. Até a Igreja se devia sujeitar ao meu poder».

Está a ser muito citado, e com razão, um texto do escritor espanhol Javier Marías:

«Parece que en los actuales tiempos no existe Gobierno, casi ni Estado, sin tendencias totalitarias. Da lo mismo que sea de derechas, centro o izquierdas, que tenga mayoría absoluta o pelada, que sea americano, europeo, africano o asiático, que haya alcanzado el poder en las urnas o mediante un golpe. La idea antigua de que sólo las dictaduras eran totalitarias resulta ingenua, porque el totalitarismo consiste, sobre todo, en la intromisión de los Gobiernos en todas las esferas de la sociedad, en el afán de regularlo, controlarlo e intervenir en todo, de condicionar la vida de los ciudadanos e influir en ella, en no dejarles apenas márgenes de libertad y decirles cómo han de comportarse y organizarse, no sólo en lo público y común, sino asimismo en lo personal y privado. Y de la misma manera que se va perdiendo la creencia de que las diferencias entre particulares puedan dirimirse sin recurrir a un juez, y así los países se llenan de denuncias y pleitos, también se está perdiendo una noción importantísima para las sociedades libres, a saber: que no todo tiene que estar regulado y supervisado por instancias superiores; que el Estado no tiene derecho a opinar de todo y menos aún a dictar normas para cualquier actividad, iniciativa o costumbre. Y al perderse esa noción se le cede todo el campo al Gobierno de turno (lo que todo Gobierno desea), con la consiguiente renuncia de los individuos a sus criterios, su participación y su autonomía. Un suicidio.»
(Javier Marías, no El Pais, de 8 de Janeiro passado.)

quinta-feira, junho 01, 2006

Dia Mundial da Criança

Pequenos tiranos


Leio num jornal da região – o Jornal de Leiria – um extenso artigo intitulado «Os pequenos tiranos». Chama a atenção para a inversão de papéis que alguns pais aceitam no dia-a-dia, na sua relação com os filhos. E depois sofrem as consequências. «Essas crianças têm pais super-protectores. Normalmente são inteligentes e, a determinada altura, procuram testar os adultos para estabelecer os seus limites". A falta do "não" no dia-a-dia das crianças ajuda-os a formar a sua personalidade tirana. Segundo o pediatra Bilhota Xavier, os pais que não sabem dizer não "não são amigos dos filhos".
Outras vezes os pais não estão para se aborrecer. Fazem todas as vontades aos filhos ou deixam-nos ao Deus-dará com consequências nefastas para o seu comportamento.
Depois ainda são capazes de acusar os professores ou outros educadores quando as coisas correm mal.
A reportagem que há dias foi mostrada numa escola dos arrabaldes de Lisboa veio pôr-nos diante dos olhos a incapacidade dos professores exercerem a sua missão. Pode vir a senhora Ministra dizer que a culpa da indisciplina e maus resultados das escolas é dos professores. Eles têm as costas largas. Mas os verdadeiros culpados são muitas famílias e as más políticas de sucessivos Ministérios ditos da Educação.
A investigação psicossocial tem demonstrado que os três primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento da personalidade e que uma relação precoce fiável, com figuras adultas seguras e estáveis, é o primeiro passo para assegurar um futuro sem dificuldades. «Em países sem uma política coerente e integrada, como Portugal, é natural que surjam, com mais frequência do que noutros locais, problemas ligados à criança e à família. Se não formos capazes de, precocemente, proteger e ajudar a crescer as crianças, não seremos capazes de ter escolas a funcionar, por mais formação que dermos aos professores; continuaremos a ter os tribunais de crianças e jovens a abarrotar de processos de difícil resolução; e os serviços de saúde continuarão a ter mais casos de mau prognóstico, afinal susceptíveis de terem sido prevenidos». Palavras sensatas escritas pelo Dr. Daniel Sampaio, um pediatra de grande pestígio.

quarta-feira, maio 24, 2006

No país do laicismo

A mais valia das religiões



Num livro-entrevista, intitulado "A República, as religiões e a esperança", o Ministro do Interior da França, Nicolás Sarkozy, aborda o tema da religião e manifesta que esta "oferece algo que o Estado não pode dar".


Sarkozy é considerado por vários sectores da sociedade um dos candidatos com maior probabilidade a se tornar o próximo Presidente da França, um dos países mais secularizados da Europa. No mencionado livro reflecte sobre o tema do laicismo, mas não deixa de lado temas como a fé, as personalidades espirituais que marcaram a sua vida, a Igreja Católica, as convicções que quer transmitir a seus filhos, assim como sobre os valores da religião num país laico.


O primeiro ministro afirma que "a religião oferece um grande serviço à sociedade, dota os homens da esperança espiritual que o Estado não pode lhes dar", por isso em sua opinião, o conceito de laicismo deve ser "profundamente revisto, pois acreditar que o Estado pode permanecer totalmente indiferente ao facto religioso é uma posição desmentida constantemente pela realidade da vida".


No referido livro Sarkozy explica que se deveria "voltar a uma laicidade activa, não passiva. Devemos dizer abertamente que hoje em dia é mais importante abrir lugares de culto nas grandes áreas urbanas que inaugurar lugares desportivos, também utilíssimos. Devemos conseguir que se convertam nos ideais para a juventude que cresce, para todos esses jovens que não têm ideais. Esse é o grande desafio".


Em referência às estritas normas que falam da separação entre Igreja e Estado, Sarkozy afirma que estas deveriam ser modificadas, pois opina que se trata de "uma questão que não é conjuntural nem episódica, a do financiamento das três grandes religiões da França. Admitamos sem hipocrisia; há uma contradição entre a vontade de reconhecer as religiões como um factor positivo na sociedade e depois negar-lhes qualquer forma de financiamento público".

sábado, maio 20, 2006

1.º Aniversário

Ad multos!...



Parece mentira mas já lá vai um ano.
Se valeu a pena a «brincadeira», poderão dizê-lo os leitores.


O contador marca 23.400 visitas.

11o postas é o equivalente a duas por semana.
O que já não é mau.
Por isso irei continuar, se Deus me der saúde.

Um obrigado a todos os aqui vieram.
E que continuem.

domingo, maio 14, 2006

Opus Dei

Uma opinião isenta

Ontem vi a reportagem da SIC sobre o Opus Dei e gostei.
Pareceu-me isenta e objectiva: ouviu as pessoas, não fez grandes comentários.
Por outro lado, quis também mostrar-nos o que pensam os que abandonaram a Obra.
Bom jornalismo, me pareceu.

Gostei de ver membros desta organização cristã a relatarem o que a obra lhes trouxe de positivo para a sua vida espiritual. Falaram várias pessoas: um banqueiro, um político, alguns padres, um juiz, um advogado, um futebolista, um motorista, uma estudante, uma médica, um professor e uma trabalhadora doméstica, entre outros.

Numa reportagem sem preconceitos, a SIC ouviu também pessoas que saíram do Opus Dei, visitou escolas, lares universitários, centros ligados à obra e foi autorizada a recolher imagens inéditas do retiro espiritual de um grupo de membros numerários. O secretismo, a educação, a influência na política ou na economia, as mulheres, a disciplina, a espiritualidade, a mortificação, a vocação... temas abordados com exemplos concretos, na primeira pessoa: o banqueiro Jorge Jardim Gonçalves, o deputado Mota Amaral, o jogador Nelson Alves, o juiz Eduardo Lucas Coelho, o advogado José António Ramalho, a médica Teresa Ferro, o vigário regional do Opus Dei, Pe. José Rafael Espírito Santo, entre outros testemunhos. A SIC ouviu também o historiador António Matos Ferreira, especialista em cristianismo contemporâneo e o cardeal português D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos quando foi promulgada a canonização de S. Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.

As auto-flagelações com cilício e chibata não foram escondidas o que acho bem, mas muitas pessoas irão achar que isso é que é fundamental na obra. E penso que é pena.
Eu também não gosto desta espiritualidade de mortificação do corpo, embora ainda há dias tenha conversado com duas irmãs religiosas sobre o assunto e ficado a saber que elas também usam o cilício.
Isto pode ser que dê matéria para outro post.

Goste-se ou não se goste da sua espiritualidade, o certo é que o Opus Dei é uma organização católica e como tal a temos de respeitar. Tem o seu lugar na Igreja e só Deus é que tem o direito de julgar.

sábado, maio 13, 2006

13 de Maio

Fátima incomoda

Ouço na rádio que Fátima teve hoje uma das maiores enchentes de peregrinos da sua história.
Por estes dias li e ouvi muitas coisas sobre Fátima, sobretudo a propósito das muitas pessoas que foram passando a pé.
Deixo aqui um resumo e o meu respectivo comentário:


1. As aparições de Fátima não passam de um embuste.
Como explicar que três crianças tenham mantido a ideia de terem visto Nossa Senhora, apesar de tanta prova que tiveram de enfrentar?!
Será que o que viram foi uma extraterrestre trazida por um OVNI, como afirmam Fina d'Armada e Joaquim Fernandes!!!

2. Fátima nada tem a ver com Cristo. Se tivesse não iam lá adorar uma imagem.
Esta fobia aos santos e às imagens cheira ao protestantismo mais retrógrado.
Leiam a Bíblia e vejam a história do cristianismo e digam se acham normal que Cristo tenha deixado a maioria dos cristãos viver na idolatria dos santos.

3. As pessoas vão a Fátima para «comprar» Deus e os santos com promessas.
Recomendo que leiam o capítulo 18, versículo 18 dos Actos dos Apóstolos e vejam que os votos e promessas não são radicalmente anticristãos.

4. As autoridades eclesiásticas nada têm feito para contrariar estas formas de religiosidade supersticiosa e anticristã.
Criticar é fácil mas o que não é fácil é levar os outros a terem a mesma forma de exprimir a Fé. Alguma coisa se tem feito no sentido de educar as pessoas, mas a minha visão intelectual e purista de ver e viver a Fé cristã não a posso impor aos outros.
Isso já se fez noutros tempos e o que ficou foi a vergonha da caça às bruxas e dos tribunais inquisitoriais.

domingo, maio 07, 2006

Dia da Mãe

As mais antigas celebrações do Dia da Mãe remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.

Mas foi nos Estados Unidos que se lutou, nos finais do século XIX e princípios do século XX, pela criação de um Dia da Mãe. A ideia partiu de Anna Jarvis, que em 1904, quando a sua mãe morreu, chamou a atenção na igreja de Grafton para um dia especialmente dedicado a todas as mães. Três anos depois, a 10 de Maio de 1907, foi celebrado o primeiro Dia da Mãe, na igreja de Grafton, reunindo praticamente família e amigos. Nessa ocasião, a sra. Jarvis enviou para a igreja 500 cravos brancos, que deviam ser usados por todos, e que simbolizavam as virtudes da maternidade: a beleza e doação de todas as mães.

A comemoração espalhou-se um pouco por todo o lado e, hoje em dia, serão poucos os povos que não celebram o Dia da Mãe.
E é bom que assim seja. Não só porque as Mães merecem isso e muito mais, mas para nos contrapormos a uma cultura anti-família e anti-vida que pouco a pouco vai tomando conta da nossa sociedade. Basta vermos o que se está a passar na vizinha Espanha. Na esteira das alterações legais sobre o casamento e a filiação adoptiva, agora permitidos entre pessoas do mesmo sexo, os actuais governantes substituiram os "ultrapassados" termos PAI e MÃE por – imagine-se! – PROGENITOR A e PROGENITOR B…
Numa cultura assim, mães e pais não passam de reprodutores. Nem o comunismo nem o nazismo tinham chegado tão longe!

A fúria dissolvente dos valores familiares está de vento em popa. A continuar assim, vão multiplicar-se as instituições de acolhimento de crianças e adolescentes sem pais que os eduquem. E faltar-lhes-ão a ternura e o amor que só os pais, e especialmente as mães, sabem dar. E teremos multiplicados os problemas de falta de inserção social e de violência e crime.
Deus queira que me engane!

segunda-feira, maio 01, 2006

"Crime do Padre Amaro"

Demasiado negativista



Estive ontem a ver o 1.º episódio do "Crime do Padre Amaro" da SIC e não gostei.
Isto de insistir em retratar a nossa sociedade tão negativamente só pode dar uvas azedas.
O filme pretende actualizar a narrativa de Eça de Quirós. Mas, quanto a mim, perde muito em relação àquela.

Mostra um retrato demasiado irreal da Igreja e da sociedade de hoje. Com obras destas temos todos os motivos para ficarmos ainda mais deprimidos.

E qual é o objectivo de tal obra?
Audiência, lucro.
Só isto é pouco demais, penso.

Gostava de saber se os meus leitores concordam comigo ou vêem pontos poditivos que eu não consegui vislumbrar.