terça-feira, fevereiro 14, 2006

Escândalo

Ricos cada vez mais ricos


A notícia já tinha sido dada há uns tempos. Agora veio a confirmação.
Os quatro maiores bancos privados a operar em Portugal registaram um crescimento médio dos lucros de 37%, no ano passado.



A soma dos resultados líquidos das instituições financeiras ascende a 1,6 mil milhões de euros.

Os lucros dariam para pagar as pensões de velhice dos portugueses durante quase sete anos.


Num país onde abunda a pobreza, isto é um escândalo.
Pelo menos eu assim penso.

sábado, fevereiro 11, 2006

Simples

Pro-vocações

Zé Beirão e Sonhadora desafiam-me a declarar as minhas manias. Vou responder à provocação por esta vez (e chega!):

1 - Computadores;
2 - Blogs;
3 - Internet em geral;
4 - Jornais;
5 - Descubram o que vou ser, quando for grande...

Bom fim de semana para todos!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Críticas

e críticas...


Através de No Adro , tive conhecimento do comentário feito na SIC por Daniel Oliveira sobre o direito à indignação dos Muçulmanos. Ver crítica de O-Espectro.
A minha crítica no post anterior vai contra todos os abusos da liberdade que sejam ofensivos. Contra religiões ou contra pessoas. Venham donde vierem e visem quem visarem.
O respeito é muito lindo e eu gosto.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Mundo Islâmico em polvorosa

As caricaturas de Maomé

Não entendo alguns intelectuais ocidentais. Todos sabem do ódio que suscitou nos muçulmanos a tomada do Iraque pela força. E antes, o Afeganistão. Todos sabemos que o ocidente tem que ter a maior cautela no lidar com essa religião.

Agora aparece o problema das caricaturas de Maomé.
Tudo começou com a publicação, no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, de duas caricaturas de Maomé que o representam como um radical islâmico: no lugar do turbante surge um bomba prestes a rebentar.
Estávamos em Setembro de 2005 e as reacções não se fizeram esperar: vários embaixadores de países islâmicos protestaram junto do primeiro-ministro dinamarquês que, contudo, acabou por defender a liberdade de imprensa no seu país.
Já em Janeiro deste ano, a Arábia Saudita retirou o seu embaixador na Dinamarca e iniciou o boicote geral de produtos dinamarqueses. Várias manifestações, tanto na própria Dinamarca como nos países islâmicos, vieram reforçar a contestação às caricaturas. A situação piorou de tal forma que o governo dinamarquês desaconselhou os seus cidadãos a viajarem para a Arábia Saudita.
O editor do jornal dinamarquês acabou por apresentar desculpas pela ofensa, mas fez questão de referir que estas não tinham violado qualquer lei. Entretanto, outros jornais europeus mostraram as polémicas caricaturas, o que aumentou ainda mais a revolta islâmica e despoletou demonstrações de ódio contra a Dinamarca e a França.

Será que a liberdade de expressão dá o direito de ofender os outros?
Será que esta liberdade não acaba quando começam os direitos dos outros?!

domingo, janeiro 29, 2006

Raoul Follereau

O amigo dos leprosos

Hoje é o Dia Mundial dos Leprosos. Foi Raoul Follereau quem sugeriu a sua instituição.
Ele dedicou com a sua esposa cerca de 50 anos da sua vida a esta causa.
E no seu testamento espiritual, deixou escrito:
"Nomeio minha herdeira universal a juventude do mundo. Toda a juventude de direita, de esquerda, do centro, de cima... o que importa? Toda a juventude, aquela que recebeu o dom da fé, aquela que se comporta como se acreditasse e aquela que pensa não crer. Só há um céu para todos. Mais a minha vida se aproxima de seu final, mais sinto o imperioso dever de repetir: somente com o amor salvaremos a humanidade e ainda: a pior desgraça que pode acontecer a vocês, jovens, é não serem úteis a ninguém e que suas vidas não sirvam para nada. O tesouro que vos deixo é o bem que deixei de fazer, que gostaria de ter feito e que vocês farão depois de mim...".


Ver mais em Mundo e Missão

sábado, janeiro 28, 2006

Encíclica de Bento XVI

A pensar no amor



O Papa Bento XVI apresentou, na sua primeira Encíclica, o tema do amor como a "verdadeira essência" do cristianismo.
O ‘Papa teólogo’ resolveu surpreender e apresentar ao mundo um texto relativamente curto, numa linguagem rica mas simples e com uma mensagem fácil de apreender. Precisamente oito meses depois de ter ocupado a Cadeira de S. Pedro, Bento XVI pôs o mundo a pensar na importância do amor.


Estruturada em duas partes, uma mais teórica e outra de pendor pragmático, a carta começa por unificar os conceitos de "eros" (amor entre homem e mulher) e "agapé" (o amor que se doa ao outro) e centra-se depois na acção caritativa da Igreja, que apresenta como "uma parte essencial da sua natureza".

Em vez de ditar regras e ordenar conceitos doutrinais mais ou menos dogmáticos, Bento XVI procura responder às perguntas mais profundas da humanidade sobre a sua existência e o seu destino, lembrando que, no final dos tempos, será o amor o critério para decidir "o valor ou a inutilidade de uma vida".

Há dias, o Papa explicou que a sua primeira encíclica "Deus é amor" nasceu da vontade de devolver o "esplendor original" à palavra "amor". "A palavra amor está hoje tão deturpada, consumida e abusada que quase se teme deixá-la aflorar aos próprios lábios", lamentou no seu discurso. Apesar disso, Bento XVI frisa que "nós não podemos, simplesmente, abandoná-la, mas devemos retomá-la, purificá-la e devolvê-la ao seu esplendor originário, para que possa iluminar a nossa vida e levá-la pela caminho certo".

Nesse sentido, afirmou, compreende-se que "a organização eclesial da caridade não seja uma forma de assistência social. Esta actividade – disse o Papa –, para além do primeiro significado, muito concreto, de ajudar o próximo, tem essencialmente o significado de comunicar ao outro o amor de Deus".


segunda-feira, janeiro 23, 2006

Os nossos olhos

Julgar os outros

Confesso que gostei de ver o povo votar no Cavaco Silva. Não porque pense que Portugal vai mudar muito por causa da sua eleição, mas porque fiquei farto das críticas que todos os outros candidatos lhe foram fazendo. Ele esteve a governar o país durante dez anos e as coisas até melhoraram. Para todos ou quase todos. Na altura não concordei com todas as suas posições mas quem não erra?!

As críticas que fui ouvindo lembraram-me aquela história conhecida de uma família que se mudou para uma casa nova.
Numa manhã que passava por certa sala, a mulher reparou através da janela numa vizinha que pendurava lençóis no varal e foi comentar com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!!! Se eu tivesse intimidade com ela havia de lhe perguntar se ela precisava dum detergente novo!
O marido observou calado.
Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava roupa no varal e a mulher comentou com o marido:
- A nossa vizinha continua pendurando roupa suja! Se eu tivesse intimidade com ela perguntava-lhe se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
Passado um tempo a mulher se surpreendeu ao ver a roupa branca que a mulher punha a secar e empolgada foi dizer ao marido:
- Ela já aprendeu a lavar as roupas, será que outra vizinha a ensinou?!
O marido calmamente respondeu:
- Não! Eu hoje levantei-me mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

Creio que muita gente, a começar por mim, tem de aprender a ver os outros.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Ricos e pobres

Como mudar isto?!

Anda meio mundo a passar privações e muitos até fome porque o país está em crise. Mas leio que o sector bancário registou resultados líquidos de 883 milhões de euros no primeiro semestre de 2005, dados da própria Associação Portuguesa de Bancos. O sec­tor empregou 41.273 colaboradores neste período, o que representa uma redução de 800 colaboradores face ao perí­odo homólogo. Porém, o número de balcões aumentou para 4061 (mais 96 balcões). O resultado bruto de exploração si­tuou-se em 1,547 mil milhões de euros e o produto bancário atingiu os 3,53 mil milhões. Esta é a notícia, o facto, tal como veio na comunicação social.
Quer dizer: a crise atinge apenas alguns. E como sempre, os mais pequenos. Esse lucro fica­rá concentrado na mão de menos pessoas, e por isso vão ficando mais ricas, do que se fosse distribuído por mais trabalhado­res. É deste modo que o número de ricos é cada vez menos, mas os que o são estão cada vez mais ricos; e o número de pobres é cada vez mais, e os que o são, estão cada vez mais pobres.
Dizem as estatísticas que de entre os 5,7 biliões de pes­soas do mundo, 1,5 biliões são consideradas muito pobres. Cerca de 1,3 milhões de seres humanos, sobrevive apenas com um dólar por dia e 3 biliões sobrevive com pouco mais de 2 dólares por dia. Mais de 40.000 crianças morrem por dia vítimas de desnutrição. Se do Mundo passarmos à Europa, ela conta com mais de 68 milhões de pobres, sendo de 15 milhões o número de desempregados. Em Portugal há cerca de dois milhões de pobres (20% da população) e cerca de 500 mil desempregados.
É preciso mudar isto mas como?!

terça-feira, janeiro 10, 2006

Testemunhos

O que vale a amizade!

Um grupo de judeus norte-americanos comprou a casa onde nasceu o falecido Papa João Paulo II, sita na cidade Wadowicc – Cracóvia – Polónia. Na posse de uma família judaica desde há bastantes anos, um grupo de católicos quis adquiri-la para museu que perpetuasse a memória do Papa polaco mas o dinheiro pedido pelo dono tornou a compra inviável.
Sabendo da história, aquele grupo judaico decidiu comprá-la e oferecê-la para o fim em vista.
Este gesto revela a gratidão dos judeus por tudo o que o saudoso Papa João Paulo II fez durante a sua vida por aquele povo mártir do nazismo.
A comunidade judaica já por diversas vezes tinha manifestado a sua admiração – e até gratidão – por este Papa. É que ele cresceu, brincou e jogou futebol com os judeus, morou a 20 quilómetros do campo de concentração de Auchswitz, onde morreram inúmeras pessoas daquela raça.
João Paulo viu seus amigos desaparecerem da sua cidade. Viu dia-a-dia a sua sala de aulas ficar mais vazia. Viu seus vizinhos abandonarem as suas casas e não retornarem mais. Em criança testemunhou a tragédia, que mais tarde classificou como o maior pecado da humanidade.
Quando menino, na sua cidade natal, Wadowice, Polónia, conviveu com famílias judias.
Mais tarde, durante as perseguições, o jovem Karol dedicou-se a falsificar documentos para livrar judeus dos nazistas. E, já padre em Cracóvia, opôs-se ao baptismo de um menino judeu que tinha sido entregue aos cuidados duma família cristã e mandou que fosse educado na tradição e na fé de seus pais.
Elias Toaff (na foto) compartilhou com o Papa um momento histórico: a visita à grande sinagoga de Roma, em 1986, a primeira de um Pontífice a um templo judaico. Elias Toaff, ex-rabino de Roma, não escondeu a emoção quando soube que foi uma das três pessoas citadas no testamento do Papa João Paulo II. Numa entrevista à agência italiana de notícias Ainkronos, Toaff, que já fez 90 anos, disse: “Estou comovido, muito comovido com esta citação. Nunca esperei ver o meu nome escrito no testamento do Papa. Saber que o Pontífice me agradeceu no testamento impressionou-me muito. Apesar da nossa grande relação e nossa grande amizade, estou extremamente comovido porque foi uma surpresa”.
Por tudo isto se vê o que vale a amizade
!

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Etiópia

O negócio da infância



Vale a pena ler esta reportagem na Revista Além Mar. Pela denúncia que faz e pelo horror que em muitas partes do mundo se perpetua.
Perante isto quem não fica chocado?!




Por: MANUEL GIRALDES

Na Etiópia, o tráfico interno de crianças ronda as dezenas de milhares. Raptadas, vendidas por familiares ou vizinhos, acabam nas grandes cidades. As meninas vão parar à prostituição ou são exploradas como escravas do lar, os meninos chegam a trabalhar mais de 14 horas por dia, em fabriquetas de têxteis ou tijolos, na construção civil. Há quem os tente ajudar, há até alguns que acabam por ser resgatados. Mas há experiências que deixam sequelas para toda a vida. Zeiba (9 anos). Está na central de camionagem, mas não vai a lado nenhum. Apenas acabou de chegar. Donde? Pelos olhos dela, tristemente velhos, directamente do inferno. Quase imaginamos rugas em redor, porque, como os mantém sempre baixos, dir-se-iam mergulhados em sulcos de sombra. Fala numa voz sumida, entrecortada, como se as palavras fossem uma espécie de tosse seca. Aos arrancos, lá vai contando: fugiu de uma casa onde se encarregava do trabalho doméstico pelo equivalente a dois euros ao mês; aguentou um ano aquela «vida»,...
Nota: O resto da reportagem está na referida revista, número de Janeiro de 2006

domingo, janeiro 01, 2006

Ano novo

Vida nova


Ano novo vida nova! Mas será que realmente temos a coragem e a vontade de modificar alguma coisa na nossa vida, ou simplesmente vamos continuar a manter o mesmo paradigma da rotina do dia-a-dia, em que deixamos o tempo passar e a vida correr, sem nada fazer para melhorar o nosso comportamento em relação aos outros, sobretudo ajudando a que o nosso mundo seja um pouco melhor?
Todos estamos de acordo que é preciso mudar muita coisa, pelo menos ao nível da convivência entre as pessoas e das políticas que governam o nosso mundo.
Mais uma vez o Papa chama a atenção para o problema da paz. E este não é só uma questão de guerras entre as nações e de conflitos mais ou menos localizados. É também ausência de condições mínimas de sobrevivência por parte de milhões de pobres e doentes, por causa da ganância de indivíduos e grupos sociais. Para além da falta de respeito pela vida alheia.
“Educar para a paz é urgente. Até porque os homens, à vista das tragédias que continuam a afligir a humanidade, sentem-se tentados a ceder ao fatalismo, como se a paz fosse um ideal inacessível”, escreveu o Papa João Paulo II numa sua mensagem de Ano Novo. Procuremos todos que este seja um ano de mudança, a caminho de um mundo mais justo e mais fraterno.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

S. Tomás Becket

Bispo e Mártir

É um homem do século XII, mas vale a pena recordar o seu exemplo.
Depois de ter desempenhado com brilho a função de chanceler do Reino da Inglaterra, foi indicado pelo rei Henrique II para arcebispo de Cantuária e primaz da Inglaterra.

Como até então era leigo, foi ordenado sacerdote e dois dias depois sagrado bispo. Sua vida se modificou completamente.

Deixou o fausto e passou a viver na simplicidade e na pobreza, colocando-se inteiramente a serviço dos necessitados, tornando-se um servidor fiel de Deus e da religião que professava.
Depressa se tornaram inevitáveis os conflitos entre aquele rei absolutista, que queria reduzir a Igreja a mero departamento do Estado inglês.

O rei sentiu-se traído por não contar mais com os préstimos de Tomás e especialmente por ele se colocar ao lado do Papa e contra as suas posições de monarca.

Em consequência dos choques cada vez mais violentos, Tomás teve de fugir para a França, onde esteve exilado por seis anos. Mais tarde retornou à sua diocese, após diligências do Papa e do rei de França, mas recomeçaram os conflitos.

O arcebispo foi avisado de que o queriam matar, mas ficou no seu lugar:
"O medo da morte não deve fazer-nos perder da vista a justiça".

E acabou assassinado brutalmente por partidários do rei, dentro de sua própria catedral. Morria assim um Homem e nascia um Santo Mártir. Era 29 de Dezembro de 1170.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Natal

A festa do amor

O Natal é a festa do amor. Deus faz-se homem, nasce num estábulo de animais. Pequeno e pobre no meio dos pequenos e dos pobres para nos ajudar a ver que a verdadeira felicidade não está nas riquezas do mundo mas onde há amor e desejo dos bens verdadeiros, que são mais de ordem espiritual que material. Talvez por isso, só os pequenos e os pobres é que conseguem penetrar verdadeiramente no mistério natalício.
O Natal é algo de profundamente misterioso. Mais para contemplar com os olhos da fé e para viver com um coração agradecido, do que para celebrar com a superficialidade de quem, ao apagar das luzes e ao cessarem os últimos ecos dos cânticos jubilosos, se esqueceu de tudo e voltou à vida de todos
os
dias, como se nada tivesse acontecido. O Menino de Belém tem de ser visto, não num cenário iluminado por lâmpadas a imitar estrelas e decorado por fios reluzentes a lembrar a prata e o ouro, mas numa composição em que o primeiro plano é, por certo, uma pobre manjedoura com um menino, mas em que o segundo é o mundo dos homens que desejam viver no amor e na paz, tantas vezes tão longe, que Jesus quis que existisse na Terra.
Quem dera que o nosso Natal deste ano fosse mais cristão, mais comprometido com a mensagem de Jesus, tendo em conta os pobres, as crianças desamparadas, os velhinhos!

sábado, dezembro 17, 2005

Deus não te vai perguntar

Quando fores julgado


Deus não te vai perguntar que tipo de carro costumavas guiar, mas vai-te perguntar quantas pessoas que necessitavam de ajuda tu transportaste.

Deus não te vai perguntar qual o tamanho e beleza da tua casa, mas vai-te perguntar quantas pessoas ajudaste a ter uma casa para se abrigar.

Deus não te vai fazer perguntas sobre as roupas do teu armário, mas vai-te perguntar quantas pessoas ajudaste a ter com que vestir.

Deus não te vai perguntar o montante dos teus bens materiais, mas vai-te perguntar como os usaste.

Deus não te vai perguntar quanto dinheiro te veio parar às mãos, mas vai-te perguntar se tu comprometeste a tua honra para obtê-lo.

Deus não te vai perguntar quantas promoções recebeste, mas vai-te perguntar de que forma tu ajudaste a promover os outros.

Deus não te vai perguntar quantos amigos tinhas, mas vai-te perguntar para quantas pessoas foste amigo.

Deus não te vai perguntar o que fizeste para proteger os teus direitos, mas vai-te perguntar o que fizeste para garantir os direitos dos outros.

Deus não te vai perguntar se as pessoas gostavam de ti, mas vai-te perguntar se gostavas delas.

Se você quer ser feliz para sempre, pense nisto!

Whit Criswell

terça-feira, dezembro 13, 2005

Ainda os crucifixos

Bispos pedem bom senso

Reunido na manhã desta terça-feira em Fátima, o Conselho Permanente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) analisou o tema da retirada dos crucifixos das escolas do país e pediu «bom senso» de todas as partes diante da medida.

Os bispos defenderam um sistema de laicidade que respeite os símbolos religiosos e não que os elimine, refere Agência Ecclesia.

Em declarações à agência portuguesa, Dom Carlos Azevedo, secretário da CEP, esclarece que «esta é uma questão de respeito para com uma dimensão religiosa e cultural dos cidadãos».

«O debate, sereno ou mais acalorado, que tem ocorrido nestes últimos dias, é muito proveitoso», considera o prelado, esperando que o mesmo ilumine «qualquer decisão sobre este tema».

Este responsável assegura que «a Igreja Católica não vai exigir que os Crucifixos permaneçam nas escolas, porque não foi ela quem exigiu que eles lá fossem colocados».

«Aqui há uma questão de bom senso, em cada comunidade educativa, e não pode haver um grupo de pessoas que se dê à inquisição das escolas que têm ou não crucifixos para denunciar esse fato ao Ministério», acrescenta.

Para o futuro, refere o secretário da CEP, é necessário «que se tenha em conta a realidade das comunidades educativas, os problemas que lá existem ou não, o que levará a que se respeitem, retirem ou acrescentem símbolos religiosos».

«As pessoas devem habituar-se a viver na tolerância, num verdadeiro regime de laicidade, que é um regime de respeito para com os sistemas religiosos e não de apagamento dos seus símbolos, como parece ser o sistema laicista», afirma.

sábado, dezembro 10, 2005

Cruzes, credo!

A escola, uma escolha de pais


Foi com agrado que vi, recentemente publicado pelo governo inglês, o livro Branco da Educação “Melhor Qualidade, Melhores Escolas para Todos – Mais Escolhas para os Pais e para as Escolas” (www.liberdade-educacao.org).
No seu conjunto, reforça a ideia de que a escola deve estar mais próxima das famílias, não devendo ser mais um factor de discriminação social, mas uma oportunidade de escolha para os pais, num exercício de liberdade e cidadania, sem quaisquer constrangimentos.
Afirmar as escolas abertas ao poder dos pais com efectiva possibilidade de opção pelo projecto educativo que desejam, e assumir tal afirmação como programa governativo, é de uma outra cultura que não a nossa.
Entre nós parece haver um culto repressor do cidadão, obrigado ao que não quer e sempre olhado com desconfiança pela administração pública. Quando atingiremos a maturidade necessária que nos permita gozar de liberdade de escolha nos vários sectores da sociedade?
........ Porque os haveríamos de recusar? Pelas mesmas razões, porque haveremos de recusar aos pais o direito de escolherem a escola para os seus filhos pois, está demonstrado, não fica mais caro ao Estado?
Esta liberdade de escolha para todos, e não apenas para os que podem pagar, fomentará a necessária qualidade educativa a que todos aspiramos, proporcionará igualdade de oportunidades e será factor de desenvolvimento, já que gastamos como os países mais desenvolvidos e temos resultados como os mais pobres.
Diz um estudo, citado por aquela fonte, que 76 por cento dos pais com crianças a frequentar escolas estatais deseja poder fazer uma “escolha autêntica” da escola que o seu filho frequenta. Pelo andar da carruagem, parece-me que entre nós a percentagem será superior… Desejamos um serviço público que satisfaça as nossas necessidades e tal não é, nem pode ser, um monopólio do Estado ou um feudo sindical.
Desejo que, de forma equilibrada, se vá procedendo às necessárias alterações do modelo português, desajustado da realidade do tempo presente e do mundo em que vivemos. Teremos que esperar muito?

Manuel Carvalheiro

terça-feira, dezembro 06, 2005

Honremos a nossa Padroeira

O culto a Maria


Vamos celebrar a 8 de Dezembro Maria, a Mãe de Jesus, com o título de Imaculada Conceição. Ela é, há muitos séculos, a padroeira de Portugal.
O nosso povo tem grande devoção a Nossa Senhora desde há muitos séculos e as suas aparições em Fátima só vieram incrementar ainda mais esse culto, como ainda há pouco o demonstrou em Lisboa. No entanto, volta e meia ouço ou leio críticas de irmãos protestantes acerca disso, como se fosse verdade que adoramos Maria como se de uma deusa se tratasse. Não! A Igreja Católica ensina que tudo em Maria tem raiz, orientação e sentido cristocêntrico. Isto porque tudo nela parte e se refere à sua condição de Mãe virginal de Cristo, que é Deus. É a maternidade divina de Maria a explicação do cumprimento de seu mistério e missão; é sua razão de ser, seu condicionamento prévio e posterior: ela é a Bem-aventurada porque fez a vontade de Deus.
E é para admirar esta crítica porque os fundadores do protestantismo foram também eles devotos de Maria. Martinho Lutero, no "Comentário do Magnificat" escreveu:

"Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei David) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade."
E Calvino, escreveu no «Corpus Reformatorum»:
"Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus" .
Não tenhamos medo de exaltar Maria e lhe pedir as suas bênçãos. Isso mesmo fez Lutero na sua obra citada acima:
"Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amén" .

quinta-feira, dezembro 01, 2005

O dever do cristão

Praticar as obras de misericórdia

“Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não o desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem o honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto ele lá fora fica abandonado ao frio e à nudez. Aquele que disse: isto é o meu Corpo, confirmando o facto com a sua palavra, também afirmou: vistes-me com fome e não me destes de comer; e ainda: quantas vezes o não fizeste a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o recusastes. No templo, o Corpo de Cristo não precisa de mantos, mas de almas puras, mas na pessoa dos pobres, Ele precisa de todo o nosso cuidado.
Aprendamos, pois, a honrar a Cristo como Ele quer. Quando pretendemos honrar alguém, devemos prestar-lhe a honra que ele prefere e não a que mais nos agrada. Também Pedro julgava honrar a Cristo, impedindo-o de lhe lavar os pés; ora isso não era honrá-lo, mas precisamente o contrário. Assim deves também tu prestar-lhe aquela honra que Ele mesmo ordenou, distribuindo pelos pobres as tuas riquezas.

Lembra-te de que é o mesmo que fazes a Cristo, quando o vês errante, peregrino e sem tecto, e tu, sem o receberes, adornas o pavimento, as paredes e as colunas do templo; suspendes cadeias de prata para os candelabros, mas não vais visitá-lo, quando Ele está preso nas cadeias do cárcere: também não digo isto para impedir os ornamentos sagrados, mas para que se faça uma coisa sem omitir a outra; ou melhor, exorto-vos a tratar do irmão necessitado, antes de ir adornar o templo. Ninguém foi acusado por omitir este segundo cuidado; mas quem despreza os pobres está condenado aos castigos do inferno, ao fogo inextinguível e ao suplício na companhia dos demónios. Por conseguinte, enquanto adornas o templo, não esqueças o teu irmão que sofre, porque este templo é mais precioso que o outro.”
(Das Homilias de S. João Crisóstomo, bispo, sobre o Evangelho de S. Mateus – Séc. IV)

terça-feira, novembro 29, 2005

É preciso estar alerta

Mas não há que ter medo!


Leio que o Bispo Eméríto de Braga lançou no passado Domingo uma crítica contundente ao processo de formação da comissão de honra das comemorações do centenário da República Portuguesa. D. Eurico Nogueira, que presidia, na igreja paroquial de Remelhe, Barcelos, à cerimónia de apresentação do livro “D. António Barroso e a Primeira República", da autoria do padre Adílio Macedo, referiu mesmo que «esta comissão não merece qualquer confiança». E sugeriu que os discursos proferidos durante os festejos, que têm lugar daqui a cinco anos, fossem marcados pelo «rigor histórico, evitando-se o facciosismo».
Aproveitando para classificar os acontecimentos da Primeira República como «a degradação máxima de uma sociedade», D. Eurico criticou «os ‘heróis' que se julgavam os representantes da vontade popular, mas que nunca procederam a uma consulta nacional.
«Não estou contra a República actual», sustentou o Arcebispo emérito de Braga, que recordou, igualmente, os «sacrifícios» de D. António Barroso e dos bispos D. Manuel Vieira de Matos e D. Sebastião Vasconcelos, que foram destituídos das suas funções eclesiásticas por decreto governamental.
Corremos o risco de se repetirem actualmente episódios semelhantes aos que levaram o Bispo D. António Barroso e outros à prisão, – o retirar das cruzes das escolas é um deles – mas como ele dizia com graça não há que ter medo:
«Há duas coisas de que o Bispo do Porto não há-de morrer: nem de parto nem de medo.»

domingo, novembro 27, 2005

Palavras dos outros

O sinal da cruz


Duas semanas depois de meio milhão de pessoas ter desfilado à chuva por Lisboa na consagração da cidade à Virgem, torna-se público que o Governo oficiou escolas do Estado para que retirem os crucifixos das paredes.

É uma medida míope que atinge especialmente o Norte. O Estado é laico, republicano, e mantém laivos socialistas. Porém, na mesma Constituição que serve de pretexto para estas decisões carbonárias pode ler-se que cabe ao Estado “proteger e valorizar o património cultural do povo português”.
É de cultura que se trata quando a nossa matriz cristã ainda é lembrada nas paredes de escolas do 1.º Ciclo, no Centro e Norte do País. Agora, uma pobre cruz na parede pode ser reclamada – falta saber quais os requisitos para a legitimidade da queixa – como violadora do princípio da laicidade do Estado e da liberdade de culto. É ridículo! Mas, principalmente, é perigoso. Para quê afrontar os sentimentos profundos de larguíssima maioria? Para quê dar azo a uma guerra artificial quando, na acção governativa, tantas outras, e tão justas, estão em curso?
Cada vez mais, o papel do Estado deve ser o de não poluir com regras imperativas as áreas onde, de forma harmoniosa, as comunidades se auto-regulam.
Octávio Ribeiro, Director-Adjunto do Correio da Manhã

Nota: Faço minhas estas palavras que sintetizam o pensar de muitas pessoas sensatas