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domingo, janeiro 29, 2006
Raoul Follereau
sábado, janeiro 28, 2006
Encíclica de Bento XVI

O Papa Bento XVI apresentou, na sua primeira Encíclica, o tema do amor como a "verdadeira essência" do cristianismo.
O ‘Papa teólogo’ resolveu surpreender e apresentar ao mundo um texto relativamente curto, numa linguagem rica mas simples e com uma mensagem fácil de apreender. Precisamente oito meses depois de ter ocupado a Cadeira de S. Pedro, Bento XVI pôs o mundo a pensar na importância do amor.
Estruturada em duas partes, uma mais teórica e outra de pendor pragmático, a carta começa por unificar os conceitos de "eros" (amor entre homem e mulher) e "agapé" (o amor que se doa ao outro) e centra-se depois na acção caritativa da Igreja, que apresenta como "uma parte essencial da sua natureza".
Em vez de ditar regras e ordenar conceitos doutrinais mais ou menos dogmáticos, Bento XVI procura responder às perguntas mais profundas da humanidade sobre a sua existência e o seu destino, lembrando que, no final dos tempos, será o amor o critério para decidir "o valor ou a inutilidade de uma vida".
Há dias, o Papa explicou que a sua primeira encíclica "Deus é amor" nasceu da vontade de devolver o "esplendor original" à palavra "amor". "A palavra amor está hoje tão deturpada, consumida e abusada que quase se teme deixá-la aflorar aos próprios lábios", lamentou no seu discurso. Apesar disso, Bento XVI frisa que "nós não podemos, simplesmente, abandoná-la, mas devemos retomá-la, purificá-la e devolvê-la ao seu esplendor originário, para que possa iluminar a nossa vida e levá-la pela caminho certo".
Nesse sentido, afirmou, compreende-se que "a organização eclesial da caridade não seja uma forma de assistência social. Esta actividade – disse o Papa –, para além do primeiro significado, muito concreto, de ajudar o próximo, tem essencialmente o significado de comunicar ao outro o amor de Deus".
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Os nossos olhos
Confesso que gostei de ver o povo votar no Cavaco Silva. Não porque pense que Portugal vai mudar muito por causa da sua eleição, mas porque fiquei farto das críticas que todos os outros candidatos lhe foram fazendo. Ele esteve a governar o país durante dez anos e as coisas até melhoraram. Para todos ou quase todos. Na altura não concordei com todas as suas posições mas quem não erra?!
As críticas que fui ouvindo lembraram-me aquela história conhecida de uma família que se mudou para uma casa nova.
Numa manhã que passava por certa sala, a mulher reparou através da janela numa vizinha que pendurava lençóis no varal e foi comentar com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!!! Se eu tivesse intimidade com ela havia de lhe perguntar se ela precisava dum detergente novo!
O marido observou calado.
Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava roupa no varal e a mulher comentou com o marido:
- A nossa vizinha continua pendurando roupa suja! Se eu tivesse intimidade com ela perguntava-lhe se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
Passado um tempo a mulher se surpreendeu ao ver a roupa branca que a mulher punha a secar e empolgada foi dizer ao marido:
- Ela já aprendeu a lavar as roupas, será que outra vizinha a ensinou?!
O marido calmamente respondeu:
- Não! Eu hoje levantei-me mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Ricos e pobres
Anda meio mundo a passar privações e muitos até fome porque o país está em crise. Mas leio que o sector bancário registou resultados líquidos de 883 milhões de euros no primeiro semestre de 2005, dados da própria Associação Portuguesa de Bancos. O sector empregou 41.273 colaboradores neste período, o que representa uma redução de 800 colaboradores face ao período homólogo. Porém, o número de balcões aumentou para 4061 (mais 96 balcões). O resultado bruto de exploração situou-se em 1,547 mil milhões de euros e o produto bancário atingiu os 3,53 mil milhões. Esta é a notícia, o facto, tal como veio na comunicação social.
Quer dizer: a crise atinge apenas alguns. E como sempre, os mais pequenos. Esse lucro ficará concentrado na mão de menos pessoas, e por isso vão ficando mais ricas, do que se fosse distribuído por mais trabalhadores. É deste modo que o número de ricos é cada vez menos, mas os que o são estão cada vez mais ricos; e o número de pobres é cada vez mais, e os que o são, estão cada vez mais pobres.
Dizem as estatísticas que de entre os 5,7 biliões de pessoas do mundo, 1,5 biliões são consideradas muito pobres. Cerca de 1,3 milhões de seres humanos, sobrevive apenas com um dólar por dia e 3 biliões sobrevive com pouco mais de 2 dólares por dia. Mais de 40.000 crianças morrem por dia vítimas de desnutrição. Se do Mundo passarmos à Europa, ela conta com mais de 68 milhões de pobres, sendo de 15 milhões o número de desempregados. Em Portugal há cerca de dois milhões de pobres (20% da população) e cerca de 500 mil desempregados.
É preciso mudar isto mas como?!
terça-feira, janeiro 10, 2006
Testemunhos

Este gesto revela a gratidão dos judeus por tudo o que o saudoso Papa João Paulo II fez durante a sua vida por aquele povo mártir do nazismo.
João Paulo viu seus amigos desaparecerem da sua cidade. Viu dia-a-dia a sua sala de aulas ficar mais vazia. Viu seus vizinhos abandonarem as suas casas e não retornarem mais. Em criança testemunhou a tragédia, que mais tarde classificou como o maior pecado da humanidade.
Quando menino, na sua cidade natal, Wadowice, Polónia, conviveu com famílias judias.
Elias Toaff (na foto) compartilhou com o Papa um momento histórico: a visita à grande sinagoga de Roma, em 1986, a primeira de um Pontífice a um templo judaico. Elias Toaff, ex-rabino de Roma, não escondeu a emoção quando soube que foi uma das três pessoas citadas no testamento do Papa João Paulo II. Numa entrevista à agência italiana de notícias Ainkronos, Toaff, que já fez 90 anos, disse: “Estou comovido, muito comovido com esta citação. Nunca esperei ver o meu nome escrito no testamento do Papa. Saber que o Pontífice me agradeceu no testamento impressionou-me muito. Apesar da nossa grande relação e nossa grande amizade, estou extremamente comovido porque foi uma surpresa”.
Por tudo isto se vê o que vale a amizade!
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Etiópia
Vale a pena ler esta reportagem na Revista Além Mar. Pela denúncia que faz e pelo horror que em muitas partes do mundo se perpetua.
Perante isto quem não fica chocado?!
domingo, janeiro 01, 2006
Ano novo
Vida nova
Ano novo vida nova! Mas será que realmente temos a coragem e a vontade de modificar alguma coisa na nossa vida, ou simplesmente vamos continuar a manter o mesmo paradigma da rotina do dia-a-dia, em que deixamos o tempo passar e a vida correr, sem nada fazer para melhorar o nosso comportamento em relação aos outros, sobretudo ajudando a que o nosso mundo seja um pouco melhor?
Todos estamos de acordo que é preciso mudar muita coisa, pelo menos ao nível da convivência entre as pessoas e das políticas que governam o nosso mundo.
Mais uma vez o Papa chama a atenção para o problema da paz. E este não é só uma questão de guerras entre as nações e de conflitos mais ou menos localizados. É também ausência de condições mínimas de sobrevivência por parte de milhões de pobres e doentes, por causa da ganância de indivíduos e grupos sociais. Para além da falta de respeito pela vida alheia.
“Educar para a paz é urgente. Até porque os homens, à vista das tragédias que continuam a afligir a humanidade, sentem-se tentados a ceder ao fatalismo, como se a paz fosse um ideal inacessível”, escreveu o Papa João Paulo II numa sua mensagem de Ano Novo. Procuremos todos que este seja um ano de mudança, a caminho de um mundo mais justo e mais fraterno.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
S. Tomás Becket
Bispo e Mártir
É um homem do século XII, mas vale a pena recordar o seu exemplo.
Depois de ter desempenhado com brilho a função de chanceler do Reino da Inglaterra, foi indicado pelo rei Henrique II para arcebispo de Cantuária e primaz da Inglaterra.
Como até então era leigo, foi ordenado sacerdote e dois dias depois sagrado bispo. Sua vida se modificou completamente.
Deixou o fausto e passou a viver na simplicidade e na pobreza, colocando-se inteiramente a serviço dos necessitados, tornando-se um servidor fiel de Deus e da religião que professava.
Depressa se tornaram inevitáveis os conflitos entre aquele rei absolutista, que queria reduzir a Igreja a mero departamento do Estado inglês.
O rei sentiu-se traído por não contar mais com os préstimos de Tomás e especialmente por ele se colocar ao lado do Papa e contra as suas posições de monarca.
Em consequência dos choques cada vez mais violentos, Tomás teve de fugir para a França, onde esteve exilado por seis anos. Mais tarde retornou à sua diocese, após diligências do Papa e do rei de França, mas recomeçaram os conflitos.
O arcebispo foi avisado de que o queriam matar, mas ficou no seu lugar:
"O medo da morte não deve fazer-nos perder da vista a justiça".
E acabou assassinado brutalmente por partidários do rei, dentro de sua própria catedral. Morria assim um Homem e nascia um Santo Mártir. Era 29 de Dezembro de 1170.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Natal
O Natal é a festa do amor. Deus faz-se homem, nasce num estábulo de animais. Pequeno e pobre no meio dos pequenos e dos pobres para nos ajudar a ver que a verdadeira felicidade não está nas riquezas do mundo mas onde há amor e desejo dos bens verdadeiros, que são mais de ordem espiritual que material. Talvez por isso, só os pequenos e os pobres é que conseguem penetrar verdadeiramente no mistério natalício.O Natal é algo de profundamente misterioso. Mais para contemplar com os olhos da fé e para viver com um coração agradecido, do que para celebrar com a superficialidade de quem, ao apagar das luzes e ao cessarem os últimos ecos dos cânticos jubilosos, se esqueceu de tudo e voltou à vida de todos os dias, como se nada tivesse acontecido. O Menino de Belém tem de ser visto, não num cenário iluminado por lâmpadas a imitar estrelas e decorado por fios reluzentes a lembrar a prata e o ouro, mas numa composição em que o primeiro plano é, por certo, uma pobre manjedoura com um menino, mas em que o segundo é o mundo dos homens que desejam viver no amor e na paz, tantas vezes tão longe, que Jesus quis que existisse na Terra.
Quem dera que o nosso Natal deste ano fosse mais cristão, mais comprometido com a mensagem de Jesus, tendo em conta os pobres, as crianças desamparadas, os velhinhos!
sábado, dezembro 17, 2005
Deus não te vai perguntar
Deus não te vai perguntar que tipo de carro costumavas guiar, mas vai-te perguntar quantas pessoas que necessitavam de ajuda tu transportaste.
Deus não te vai perguntar qual o tamanho e beleza da tua casa, mas vai-te perguntar quantas pessoas ajudaste a ter uma casa para se abrigar.
Deus não te vai fazer perguntas sobre as roupas do teu armário, mas vai-te perguntar quantas pessoas ajudaste a ter com que vestir.
Deus não te vai perguntar o montante dos teus bens materiais, mas vai-te perguntar como os usaste.
Deus não te vai perguntar quanto dinheiro te veio parar às mãos, mas vai-te perguntar se tu comprometeste a tua honra para obtê-lo.
Deus não te vai perguntar quantas promoções recebeste, mas vai-te perguntar de que forma tu ajudaste a promover os outros.
Deus não te vai perguntar quantos amigos tinhas, mas vai-te perguntar para quantas pessoas foste amigo.
Deus não te vai perguntar o que fizeste para proteger os teus direitos, mas vai-te perguntar o que fizeste para garantir os direitos dos outros.
Deus não te vai perguntar se as pessoas gostavam de ti, mas vai-te perguntar se gostavas delas.
Se você quer ser feliz para sempre, pense nisto!
terça-feira, dezembro 13, 2005
Ainda os crucifixos
Reunido na manhã desta terça-feira em Fátima, o Conselho Permanente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) analisou o tema da retirada dos crucifixos das escolas do país e pediu «bom senso» de todas as partes diante da medida.
Os bispos defenderam um sistema de laicidade que respeite os símbolos religiosos e não que os elimine, refere Agência Ecclesia.
Em declarações à agência portuguesa, Dom Carlos Azevedo, secretário da CEP, esclarece que «esta é uma questão de respeito para com uma dimensão religiosa e cultural dos cidadãos».
«O debate, sereno ou mais acalorado, que tem ocorrido nestes últimos dias, é muito proveitoso», considera o prelado, esperando que o mesmo ilumine «qualquer decisão sobre este tema».
Este responsável assegura que «a Igreja Católica não vai exigir que os Crucifixos permaneçam nas escolas, porque não foi ela quem exigiu que eles lá fossem colocados».
«Aqui há uma questão de bom senso, em cada comunidade educativa, e não pode haver um grupo de pessoas que se dê à inquisição das escolas que têm ou não crucifixos para denunciar esse fato ao Ministério», acrescenta.
Para o futuro, refere o secretário da CEP, é necessário «que se tenha em conta a realidade das comunidades educativas, os problemas que lá existem ou não, o que levará a que se respeitem, retirem ou acrescentem símbolos religiosos».
«As pessoas devem habituar-se a viver na tolerância, num verdadeiro regime de laicidade, que é um regime de respeito para com os sistemas religiosos e não de apagamento dos seus símbolos, como parece ser o sistema laicista», afirma.
sábado, dezembro 10, 2005
Cruzes, credo!
No seu conjunto, reforça a ideia de que a escola deve estar mais próxima das famílias, não devendo ser mais um factor de discriminação social, mas uma oportunidade de escolha para os pais, num exercício de liberdade e cidadania, sem quaisquer constrangimentos.
Afirmar as escolas abertas ao poder dos pais com efectiva possibilidade de opção pelo projecto educativo que desejam, e assumir tal afirmação como programa governativo, é de uma outra cultura que não a nossa.
Entre nós parece haver um culto repressor do cidadão, obrigado ao que não quer e sempre olhado com desconfiança pela administração pública. Quando atingiremos a maturidade necessária que nos permita gozar de liberdade de escolha nos vários sectores da sociedade?
Esta liberdade de escolha para todos, e não apenas para os que podem pagar, fomentará a necessária qualidade educativa a que todos aspiramos, proporcionará igualdade de oportunidades e será factor de desenvolvimento, já que gastamos como os países mais desenvolvidos e temos resultados como os mais pobres.
Diz um estudo, citado por aquela fonte, que 76 por cento dos pais com crianças a frequentar escolas estatais deseja poder fazer uma “escolha autêntica” da escola que o seu filho frequenta. Pelo andar da carruagem, parece-me que entre nós a percentagem será superior… Desejamos um serviço público que satisfaça as nossas necessidades e tal não é, nem pode ser, um monopólio do Estado ou um feudo sindical.
Desejo que, de forma equilibrada, se vá procedendo às necessárias alterações do modelo português, desajustado da realidade do tempo presente e do mundo em que vivemos. Teremos que esperar muito?
Manuel Carvalheiro
terça-feira, dezembro 06, 2005
Honremos a nossa Padroeira
O culto a Maria
Vamos celebrar a 8 de Dezembro Maria, a Mãe de Jesus, com o título de Imaculada Conceição. Ela é, há muitos séculos, a padroeira de Portugal.
O nosso povo tem grande devoção a Nossa Senhora desde há muitos séculos e as suas aparições em Fátima só vieram incrementar ainda mais esse culto, como ainda há pouco o demonstrou em Lisboa. No entanto, volta e meia ouço ou leio críticas de irmãos protestantes acerca disso, como se fosse verdade que adoramos Maria como se de uma deusa se tratasse. Não! A Igreja Católica ensina que tudo em Maria tem raiz, orientação e sentido cristocêntrico. Isto porque tudo nela parte e se refere à sua condição de Mãe virginal de Cristo, que é Deus. É a maternidade divina de Maria a explicação do cumprimento de seu mistério e missão; é sua razão de ser, seu condicionamento prévio e posterior: ela é a Bem-aventurada porque fez a vontade de Deus.
E é para admirar esta crítica porque os fundadores do protestantismo foram também eles devotos de Maria. Martinho Lutero, no "Comentário do Magnificat" escreveu:
Não tenhamos medo de exaltar Maria e lhe pedir as suas bênçãos. Isso mesmo fez Lutero na sua obra citada acima:
quinta-feira, dezembro 01, 2005
O dever do cristão
“Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não o desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem o honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto ele lá fora fica abandonado ao frio e à nudez. Aquele que disse: isto é o meu Corpo, confirmando o facto com a sua palavra, também afirmou: vistes-me com fome e não me destes de comer; e ainda: quantas vezes o não fizeste a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o recusastes. No templo, o Corpo de Cristo não precisa de mantos, mas de almas puras, mas na pessoa dos pobres, Ele precisa de todo o nosso cuidado.
Aprendamos, pois, a honrar a Cristo como Ele quer. Quando pretendemos honrar alguém, devemos prestar-lhe a honra que ele prefere e não a que mais nos agrada. Também Pedro julgava honrar a Cristo, impedindo-o de lhe lavar os pés; ora isso não era honrá-lo, mas precisamente o contrário. Assim deves também tu prestar-lhe aquela honra que Ele mesmo ordenou, distribuindo pelos pobres as tuas riquezas.
Lembra-te de que é o mesmo que fazes a Cristo, quando o vês errante, peregrino e sem tecto, e tu, sem o receberes, adornas o pavimento, as paredes e as colunas do templo; suspendes cadeias de prata para os candelabros, mas não vais visitá-lo, quando Ele está preso nas cadeias do cárcere: também não digo isto para impedir os ornamentos sagrados, mas para que se faça uma coisa sem omitir a outra; ou melhor, exorto-vos a tratar do irmão necessitado, antes de ir adornar o templo. Ninguém foi acusado por omitir este segundo cuidado; mas quem despreza os pobres está condenado aos castigos do inferno, ao fogo inextinguível e ao suplício na companhia dos demónios. Por conseguinte, enquanto adornas o templo, não esqueças o teu irmão que sofre, porque este templo é mais precioso que o outro.”
(Das Homilias de S. João Crisóstomo, bispo, sobre o Evangelho de S. Mateus – Séc. IV)
terça-feira, novembro 29, 2005
É preciso estar alerta
Leio que o Bispo Eméríto de Braga lançou no passado Domingo uma crítica contundente ao processo de formação da comissão de honra das comemorações do centenário da República Portuguesa. D. Eurico Nogueira, que presidia, na igreja paroquial de Remelhe, Barcelos, à cerimónia de apresentação do livro “D. António Barroso e a Primeira República", da autoria do padre Adílio Macedo, referiu mesmo que «esta comissão não merece qualquer confiança». E sugeriu que os discursos proferidos durante os festejos, que têm lugar daqui a cinco anos, fossem marcados pelo «rigor histórico, evitando-se o facciosismo».
Aproveitando para classificar os acontecimentos da Primeira República como «a degradação máxima de uma sociedade», D. Eurico criticou «os ‘heróis' que se julgavam os representantes da vontade popular, mas que nunca procederam a uma consulta nacional.
«Não estou contra a República actual», sustentou o Arcebispo emérito de Braga, que recordou, igualmente, os «sacrifícios» de D. António Barroso e dos bispos D. Manuel Vieira de Matos e D. Sebastião Vasconcelos, que foram destituídos das suas funções eclesiásticas por decreto governamental.
Corremos o risco de se repetirem actualmente episódios semelhantes aos que levaram o Bispo D. António Barroso e outros à prisão, – o retirar das cruzes das escolas é um deles – mas como ele dizia com graça não há que ter medo:
– «Há duas coisas de que o Bispo do Porto não há-de morrer: nem de parto nem de medo.»
domingo, novembro 27, 2005
Palavras dos outros
Duas semanas depois de meio milhão de pessoas ter desfilado à chuva por Lisboa na consagração da cidade à Virgem, torna-se público que o Governo oficiou escolas do Estado para que retirem os crucifixos das paredes.
É uma medida míope que atinge especialmente o Norte. O Estado é laico, republicano, e mantém laivos socialistas. Porém, na mesma Constituição que serve de pretexto para estas decisões carbonárias pode ler-se que cabe ao Estado “proteger e valorizar o património cultural do povo português”.
É de cultura que se trata quando a nossa matriz cristã ainda é lembrada nas paredes de escolas do 1.º Ciclo, no Centro e Norte do País. Agora, uma pobre cruz na parede pode ser reclamada – falta saber quais os requisitos para a legitimidade da queixa – como violadora do princípio da laicidade do Estado e da liberdade de culto. É ridículo! Mas, principalmente, é perigoso. Para quê afrontar os sentimentos profundos de larguíssima maioria? Para quê dar azo a uma guerra artificial quando, na acção governativa, tantas outras, e tão justas, estão em curso?
Cada vez mais, o papel do Estado deve ser o de não poluir com regras imperativas as áreas onde, de forma harmoniosa, as comunidades se auto-regulam.
Octávio Ribeiro, Director-Adjunto do Correio da Manhã
quinta-feira, novembro 24, 2005
Excerto da Carta a Diogneto
Efectivamente, eles não têm cidades próprias, não usam uma linguagem peculiar e a sua vida nada tem de excêntrico. A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoiam, como outros, em qualquer teoria simplesmente humana.
Vivem em cidades gregas ou bárbaras, segundo as circunstâncias de cada um e seguem costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio. Cada qual habita a sua pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria. Toda a terra estrangeira é sua pátria e toda a pátria lhes é estrangeira. Casam-se como toda a gente e criam os seus filhos, mas não se desfazem dos recém-gerados.
São de carne, mas não vivem segundo a carne. Habitam a terra, mas a sua cidade é o Céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis. Amam toda a gente e muitos os perseguem. São pobres e enriquecem os outros; tudo lhes falta e tudo lhes sobra. São desprezados, mas no desprezo encontram a sua glória; são caluniados, mas transparece o testemunho da sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras.
Numa palavra: Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma encontra-se em todos os membros do corpo; os cristãos estão em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo.
A alma ama o corpo e os seus membros, mas o corpo odeia a alma; e os cristãos amam aqueles que os odeiam. A alma está encerrada no corpo, mas contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como um cárcere, mas são eles que sustêm o mundo.
A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos Céus.
A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, multiplicam-se cada vez mais.
Tão nobre é o posto que Deus lhes assinalou, que não lhes é possível desertar! (Da Epístola a Diogneto, Século II)
quarta-feira, novembro 23, 2005
A Igreja venera as Sagradas Escrituras
«21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: «A palavra de Deus é viva e eficaz» (Hebr. 4,12), «capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados», (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13).»
segunda-feira, novembro 21, 2005
A política é fantástica
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sexta-feira, novembro 18, 2005
O culto a Maria (2)
Martinho Lutero, "Comentário do Magnificat" :
"Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei David) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade."
Idem:
"Por justiça teria sido necessário encomendar-lhe [para Maria] um carro de ouro e conduzi-la com quatro mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: 'Aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o género humano'. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria."
Idem:
"Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amén" .
Calvino, «Corpus Reformatorum»:
"Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus" .


